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Realiza-se hoje o funeral do Papa emérito Bento XVI. A cerimónia vai ser presidida pelo Papa Francisco.
E são esperadas 60 mil pessoas na Praça de São Pedro para acompanhar a cerimónia, que vai seguir um modelo quase idêntico às exéquias de um pontífice em funções. Em Roma, está o enviado especial do Observador, João Francisco Gomes. Bom dia. Explica-nos como é que vai ser a cerimónia de hoje.
Olá, bom dia, Carla. Posso começar por adiantar um novo número. De facto, 60 mil tinha sido o primeiro número adiantado pelo Vaticano como o número de pessoas esperadas na Praça de São Pedro, mas parece que a popularidade de Bento XVI tem sido subestimada até no momento da sua morte. Neste momento, as autoridades já elevaram para 100 mil o número de pessoas que são esperadas na Praça de São Pedro, aqui em Roma, e todo o perímetro da praça está, neste momento, classificado como uma zona de segurança máxima, com uma grande operação de segurança para garantir a entrada e a permanência de cerca de 100 mil pessoas. De facto, neste funeral, que será inédito, é a primeira vez na história que um papa em funções preside ao funeral do seu antecessor. O funeral, de acordo com os desejos de Bento XVI, será bastante simples. Aquilo que sabemos e que já foi divulgado aqui pela Santa Sé é que será usado o ritual habitual do funeral de um pontífice, embora sem aquelas partes do rito que estão associadas ao fim de um pontificado. Ao longo dos últimos três dias, passaram aqui pela Praça de São Pedro 195 mil pessoas, é a estimativa do Vaticano, que puderam passar pelo interior da Basílica de São Pedro para visitar o corpo de Bento XVI. As portas da Basílica fecharam-se para o fim do velório ontem às 19h de Roma, menos uma hora em Lisboa. E depois disso, o caixão onde Bento XVI vai ser enterrado foi fechado ontem à noite, numa pequena cerimónia privada, apenas com alguns cardeais e com o seu secretário. E, portanto, será esse caixão que dentro de cerca de meia hora, 40 minutos, por volta das 20h50 de Roma, vai ser transportado da Basílica de São Pedro para o centro da praça, onde daqui a mais de uma hora, por volta das 21h30, vai ser celebrado o funeral pelo Papa Francisco.
E dentro de todas as milhares de pessoas que são esperadas, há representação de alguns países. Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da República Portuguesa, vai ser um deles.
Sim, é verdade, o presidente da República Portuguesa, bem como alguns outros chefes de Estado, que apesar de não terem sido oficialmente convidados, isto foi até motivo de discussão durante os últimos dias em Portugal, o Vaticano, para respeitar os desejos de Bento XVI de uma cerimónia muito simples, convidou apenas duas delegações oficiais, a de Itália e a da Alemanha, o país natal de Bento XVI. Porém, vários países com ligações históricas à Igreja Católica e à Santa Sé, incluindo Portugal, também vão estar representados pelos seus chefes de Estado e vão receber esse tratamento correspondente a chefes de Estado quando estiverem aqui no Vaticano para participar nas cerimónias fúnebres de Bento XVI.