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Em Roma está o enviado especial do Observador, João Francisco Gomes. Bom dia, João. Ontem visitaste a Basílica de São Pedro. Que relatos recolheste junto de quem está a passar por aí para prestar essa última homenagem ao Papa emérito, João?

Olá, bom dia, é verdade. E aquilo que é possível perceber pelas pessoas que vão contando aquilo que viveram dentro da Basílica de São Pedro e também por aquilo que eu próprio pude testemunhar no interior da igreja, aquilo que se nota é que cada pessoa que ali entra tem uma experiência profundamente pessoal. É possível sentir o silêncio dentro daquela basílica enorme, é a maior igreja do mundo, e apesar de estarem lá milhares de pessoas dentro, como dizias, o Vaticano anunciou ontem que passaram por lá 70 mil pessoas, portanto 135 mil ao longo dos dois dias. E apesar desta quantidade de pessoas que por ali passaram, o ambiente não tinha nada a ver com aquilo que é possível encontrar num dia normal de visitas à Basílica de São Pedro. Para dar, por exemplo, uma ideia, a estátua da Pietà, do Michelangelo, que está logo à entrada da Basílica de São Pedro e que normalmente é uma das grandes atrações turísticas daquela igreja, estava inclusivamente tapada com umas cortinas brancas, porque depois é um espaço que também vai ser utilizado nas cerimónias fúnebres de amanhã. E, no fundo, acaba por transformar a basílica num lugar sem grandes distrações, apenas o corredor central, conduz os peregrinos desde a porta de entrada até ao lugar onde está o corpo de Bento XVI, ainda exposto para a veneração dos fiéis. E, portanto, aquilo que se sente é uma atmosfera de muito silêncio, muito recolhimento, muita reflexão interior. As pessoas com quem falei à saída da Basílica de São Pedro, todas relatam um sentimento semelhante de grande proximidade com o Papa. De facto, a possibilidade de estar perante o corpo de Bento XVI, a poucos metros do corpo do papa emérito, dá aos fiéis a sensação de uma grande proximidade com o Papa neste momento da sua morte. E, portanto, de facto, as pessoas têm feito fila à frente da Basílica de São Pedro para entrar e para ver o Papa, e relatam, de facto, uma experiência de recolhimento muito pessoal perante os restos mortais de Bento XVI.