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Foi a ideia mais louca que tive em 10 anos de mandato.

A escolha do artista já fazia prever um retrato oficial diferente. E essa originalidade foi pedida pelo próprio Presidente da República.

Fiz a pergunta ao senhor presidente: como quer ser representado para o futuro? E ele respondeu-me: com o peso de dois mandatos.

Como explica o artista Vhils, o retrato de Marcelo marca a diferença para o passado, logo pelo formato.

Este retrato é feito de jornais nacionais de 2016 a 2026, colados, sobrepostos, escavados por incisão e, no final, cobertos de branco. É a primeira vez que um retrato não é pintura, é relevo, volume e matéria.

O resultado final mostra, por isso, Marcelo Rebelo de Sousa acompanhado por capas de jornais que marcaram a última década.

Ali, o retrato de alguém que foi primeiro-ministro comigo, em tempos. Ali, problemas dos fogos, acolá, problemas da pandemia.

O chefe de Estado admite que ficou chocado com a primeira impressão, mas considera que as diferenças para o passado representam bem os tempos que correm.

E se fizerem o exercício de percorrer a galeria, tec, tec, tec. Depois viram para a democracia e chegam aqui. E, de facto, é verdade o que eu muitas vezes dizia, que é que aos 50 anos de democracia virou-se um cego.

Ao fim de contas, Marcelo gosta da forma como Vhils o retratou.

Tive uma noite inteira a meditar sobre o retrato, que é muito forte. E, nesse sentido, pensei que, de facto, foi a coisa mais louca que fiz, mas ainda bem que fiz.

Mas admite que teve de recorrer a outras opiniões.

E levei umas cobaias que trabalham comigo, são pessoas cultas e civilizadas, mas muito conservadoras, muito pé de lata. E eu disse: "Se eles não gostarem, já percebi que isto vai ser uma rutura a todo o tamanho."

Marcelo Rebelo de Sousa, nos últimos dias, antes de abandonar Belém, fica agora imortalizado no Museu da Presidência. Está pouco interessado em saber se o público também aprova o retrato oficial.

Olha, se for bem pedido por mim, já não é mau.