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Vamos agora até à Síria, ao encontro dos enviados especiais do Observador. A guerra civil começou em 2011, após protestos contra o regime autoritário de Bashar al-Assad. Passados todos estes anos, Carla importa perceber o que mudou.
E nesse sentido, junta-se a nós em direto neste jornal a Cátia Bruno, editora de internacional do Observador. Está na Síria com o fotojornalista João Porfírio. Cátia, bom dia. Vocês estiveram em Homs, uma das cidades que foi mais massacrada durante a guerra civil. O que é que encontraram por lá agora?
Olá, Carla. Encontramos uma cidade que está completamente destruída. Há quarteirões inteiros onde ou os prédios colapsaram e há montes de entulho, ou então uma cidade que tem prédios completamente esburacados pelas balas e não há basicamente uma mão de tinta em nenhuma das paredes. Portanto, esse é o cenário quando passamos pela rua. E nós ontem estivemos no bairro de Baba Amr, que é um dos que foi mais afetado, porque era um bastião da resistência a Bashar al-Assad, e aí então a situação é desoladora. Mas as pessoas que estão a regressar, estavam como refugiadas noutros países, sobretudo no Líbano, estão felizes. A maior parte está bastante entusiasmada, mesmo encontrando as suas casas destruídas. Têm muita esperança agora que a reconstrução avance, que a situação possa melhorar. Estão, sem dúvida, em êxtase, muitas das pessoas que encontrámos. Mas também nos cruzamos com pessoas que estão com muito receio, sobretudo de minorias, como os alauítas e os cristãos, que temem agora represálias por serem vistos ou como próximos do regime ou simplesmente por uma vingança sectária de grupos que etnicamente e religiosamente são diferentes e, portanto, mantêm esses conflitos. É também algo infelizmente habitual nos períodos pós-guerra e pós-revolução. E a Síria está aqui a tentar encontrar o seu caminho, a cidade de Homs também.