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Queria começar por perguntar, já que amanhã vai apresentar um livro e um vídeo sobre o balanço deste ano, do ano passado, em que Aveiro foi a capital portuguesa da cultura, queria lhe perguntar o que nos pode adiantar deste balanço.

Em primeiro lugar, nós escolhemos este dia, 10 de junho, para fazer esta apresentação do livro e do vídeo que conta a história com pormenor daquilo que foi Aveiro Capital Portuguesa da Cultura 2024, precisamente para comemorarmos dessa forma nobre e especial o Dia de Portugal. Aliás, faz exatamente hoje um ano que inauguramos uma obra de Rui Chafes num local muito simbólico de Aveiro, que chamamos popularmente de As Pontes. E nesse local, quisemos que essa marca de cultura deixasse a referência exatamente à Aveiro Capital Portuguesa da Cultura 2024 e assinalasse o Dia de Portugal. No âmbito de uma operação que quisemos que neste ano 2025 tivesse três momentos, um que realizámos em fevereiro, aqui mesmo em Aveiro, o outro em maio, o lançamento de um livro sobre a presença das Sagres, exatamente o ano passado, no âmbito do Dia da Marinha, em Osaka, no Pavilhão de Portugal, na Expo Mundial. E hoje, no nosso Teatro Aveirense, que é o edifício sede desta operação e da nossa cultura, para deixarmos um gesto de solidariedade cultural, de partilha deste livro e deste vídeo, que obviamente dão uma nota de balanço muito positiva. Foi um evento fantástico naquilo que foi incentivar a criatividade cultural, naquilo que foi aumentar a qualidade e quantidade da nossa programação cultural, aquilo que permitiu, com os seus exercícios, elevar o patamar do nível cultural a que a cidade, o município e a região estão nesta ambiência da cultura. E obviamente, foi também uma excelente ação de marketing do território aveirense, traduzida já em números. 2024 foi o ano recorde para o turismo no município de Aveiro. Também registou uma nuance que, pela primeira vez, foram os portugueses os turistas que mais visitaram Aveiro, o que nunca aconteceu, foram sempre os espanhóis e os franceses que tiveram essa liderança. E a nossa convicção e os indicadores objetivos que recolhemos é que tudo isso teve a ver com os portugueses quererem conhecer ou voltar a viver a sua capital portuguesa da cultura, Aveiro, nessa dimensão. E, portanto, estamos a continuar a ter esses efeitos. Os cinco primeiros meses de 2025 marcam esse crescimento. São os cinco melhores meses de todos os tempos, comparando, obviamente, períodos homólogos. E, portanto, é um balanço muito positivo de um evento fantástico, desejando nós que, obviamente, tudo corra bem a Braga, que é capital em 2025, a Ponta Delgada, que é capital em 2026, e Évora, que vai ser duplamente portuguesa e europeia em 2027.

E já que falou em valores e que fez com que a cidade de Aveiro crescesse, consegue nos dar em termos de valores?

O investimento direto na operação de Capital Portuguesa da Cultura, o investimento financeiro, foram oito milhões de euros apenas em programação. Não há aí custos de gestão, nem o investimento em obras nas muitas operações de equipamentos culturais que concretizámos. Portanto, é um investimento importante. Foram seis milhões da própria Câmara, um milhão dos fundos comunitários do Centro 2030 e uma contribuição de meio milhão do Ministério da Cultura e meio milhão do Turismo de Portugal. E esse investimento também financeiro direto, deu um contributo para nós termos crescido nos indicadores principais e escolhendo um só número, para não estar a diferenciar entre os vários indicadores que compõem essa conta do crescimento turístico, um crescimento na casa dos 15% face ao ano anterior, que já tinha sido um ano recorde.

E aproveitando que estamos a falar de investimento na cultura, queria lhe perguntar como é que viu o fato de o novo governo deixar de ter um ministério exclusivo para cultura.

Há uma nota ou duas notas que eu gosto sempre de partilhar na minha visão sobre os governos. Os governos são aquilo que, no que respeita à estrutura e às pessoas, são aquilo que o primeiro-ministro quer. E, portanto, nós obviamente fazemos exercícios, como o que eu vou fazer, mas o que interessa num governo e em cada governo, é aquilo que é a visão e as explicações que dá o primeiro-ministro. Obviamente que todos os setores gostavam de ter um ministério só para si, como é lógico, e ter-nos dado bem com o Ministério da Cultura, só da Cultura, o que não quer dizer que a cultura se vá dar mal por ter um ministério que partilha também outras áreas, como a juventude e o desporto. É uma aposta que o primeiro-ministro faz diferente, numa ministra diferente também, ela própria com experiência já de governo, porque tem sido o 24º, mas sem experiência na área da cultura. E, portanto, vamos ver, obviamente, os resultados, que é isso que interessa a nós, cidadãos, e aos agentes culturais, são os resultados, independentemente da estrutura do governo e da ministra, neste caso, terem mudado. E, portanto, eu deixo essa nota de expectativa que em qualquer partida de um governo para o trabalho tem que ser naturalmente positiva, mas enfim, vamos andando e vendo, como diz o nosso povo pela sua tradição, esperando, obviamente, que a governação corra bem, a bem de todos e a bem do nosso país.

E já que estamos a falar do novo governo, com a tomada de posse do novo governo, com o novo cenário político, que desafios é que acha que o governo vai enfrentar nesta legislatura, numa altura em que a composição da Assembleia da República está bastante diferente?

Em primeiro lugar, eu realço a prioridade absoluta muito assumida de forma muito vincada pelo discurso do Primeiro-Ministro, desde logo pela criação de um novo ministério, o Ministério da Reforma do Estado, com a condição formal e política de ser também o seu titular ministro adjunto. O Estado português há muitos anos que precisa de uma reforma profunda do seu Estado. O Estado português e a sua estrutura são hoje um problema objetivo para os cidadãos, para as empresas. Algumas unidades do Estado sofrem muito por a estrutura da administração central ser o que é e por estar hiperburocratizada, e uma delas são as câmaras municipais. Essa é uma prioridade política da maior importância, da maior premência, difícil de concretizar, mas é uma emergência nacional que aconteça com sucesso. A outra dimensão de facto é o Parlamento, que é pouco diferente do Parlamento da legislatura anterior, mas tem, de facto, duas diferenças muito importantes. Desde logo, o reforço político da Aliança Democrática, tem mais mandatos, portanto, saiu reforçada, e a liderança da oposição, que passa para o Chega. É evidente que, neste quadro, o Chega seguramente terá que ser parte de decisões construtivas e positivas para o país. Obviamente que ser líder da oposição não se pode ficar no Chega do costume, de capitalizar protesto e ser o microfone e o amplificador do protesto de toda a gente. Vai ser chamado a decisões positivas que contribuam, olhe, por exemplo, para a própria reforma do Estado, e obviamente que também aí vamos parar para ver se o Chega vai continuar a ser um bom partido de protesto, porque obviamente o seu crescimento tem confirmado essa sua boa condição. Mas aqui há uma outra dimensão que a liderança da oposição lhe confere, que é ser parte de soluções positivas, de decisões que contribuam para que o país seja melhor, para que haja estabilidade também na legislatura, mas uma estabilidade consequente, nomeadamente em decisões que precisam da aprovação na Assembleia da República.

E voltando a falar de Aveiro, sei que não é candidato às próximas eleições autárquicas, mas que desafios Aveiro vai enfrentar ou que desafios o seu sucessor vai enfrentar?

Eu diria que o grande desafio, e obviamente desejando ao meu sucessor sucesso, queremos sempre o melhor para a nossa terra, neste caso para o município de Aveiro. Aquilo que nós queremos é que haja um seguimento forte das dinâmicas muito fortes e intensas no ritmo de trabalho, nos índices de desenvolvimento em várias áreas, no desenvolvimento de projetos que estão em pleno curso, seja físico, seja em procedimentos de finalização de projeto e lançamento de concursos de obras. E, portanto, aquilo que eu desejo e profundamente quero que venha a acontecer é que esta dinâmica de desenvolvimento e de crescimento continue, se possível, com ritmos ainda mais intensos, que a câmara obviamente não volte a situações muito negativas como aquela que eu herdei quando cá cheguei, de uma câmara desestruturada em termos financeiros, organizacionais, com mil problemas, e obviamente que haja essa qualidade na gestão, rigor, transparência, proximidade em relação aos cidadãos. É isso que eu desejo e é isso que eu espero que venha a acontecer.