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Perceber de que forma a Inês acompanhou esta situação. Gostava de perceber um pouco a descrição de quem estava no local e também não sei se a Inês já teve a possibilidade de falar com mais pessoas daí e como é que estão a viver essa situação.
Na verdade, no início, nós achamos que ia ser um pouco como o ano passado, quando houveram os bombardeamentos no Catar, em que realmente nada fosse acontecer. Mas entretanto, durante o dia, recebemos o alerta oficial a dizer que era para nos abrigarmos. Eu, por acaso, estava fora de casa e assim que eu cheguei à casa, passados alguns minutos, começamos realmente a ouvir os mísseis a serem interceptados. Eu tenho muitos colegas de trabalho portugueses e outros também que não são portugueses. Nós estamos em contacto uns com os outros, a tentar dar apoio emocional uns aos outros, porque realmente é desconcertante ouvirmos os mísseis. Nós conseguimos ver os mísseis a serem interceptados e conseguimos ouvi-los claramente. Eu estava aqui durante a tarde e assim que os mísseis começaram a ser interceptados, haviam paredes que mexiam. O som é realmente indescritível, não há mesmo maneira de descrever.
Algum dos mísseis atingiu o terreno ou foram todos interceptados?
Que eu tenha conhecimento, não há nenhum que não tenha sido interceptado, mas não temos nenhum tipo de informação em relação a isso.
E em relação a esse clima de medo e também, naturalmente, de ansiedade que a Inês ainda agora me falou, quer da sua parte, quer também de todos os colegas que estão consigo. Vocês tiveram algum alerta, algum tipo de preparação ou foram apanhados todos de surpresa?
Fomos apanhados completamente de surpresa. Como disse no início, estávamos à espera que fosse uma situação semelhante à do ano passado, quando atacaram a base americana no Catar, em que não nos afetou de todo aqui em Abu Dhabi. Mas percebemos que realmente estava alguma coisa a acontecer quando recebemos as mensagens do governo no telefone a alertar para nos abrigarmos.
Eu gostava também de lhe perguntar, Inês, se de facto da parte do governo, e aí mais em concreto na zona de Abu Dhabi, se já existe algum plano para o curto prazo, além das pessoas abrigarem-se, se vocês têm indicações para tomarem alguma medida, algum procedimento agora para as próximas horas?
Que eu tenha conhecimento, nem das autoridades daqui do município de Abu Dhabi, nem das portuguesas, há algum desenvolvimento. Aquilo que nos disseram era que iam manter, da parte da embaixada portuguesa, que iam manter o contato conosco e averiguar a situação e deram-nos os contatos de emergência, no caso da eventualidade de acontecer alguma coisa em relação a Abu Dhabi. Eu não tenho, como dizer...
Mais por dentro.
Informada o suficiente. Sim, posso não estar informada o suficiente, mas de facto não tenho nenhuma informação em relação a isso.