Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sete judocas acusam, numa carta aberta, a Federação de atitudes opressivas e discriminatórias. Isto é verdade? Isto acontece na Federação Portuguesa de Judo?

Não, claro que não.

Queixam-se de falta de diálogo, falta de sensibilidade por parte do senhor presidente. Falam mesmo num clima insustentável e tóxico. Alguma vez falaram consigo sobre isto?

É mentira, comigo nunca falaram sobre isto. Falam toda semana, todos os treinos, falam comigo, pedem coisas e eu falo com eles, sempre bem, não há problema nenhum. Para mim isto é uma surpresa, mas está bem. Sete atletas também diz que não é representativo dos atletas da seleção e do judo nacional.

Recentemente, há uma parte na carta aberta onde fala no caso do atleta Henri Egutidze, que faltou ao estágio por ter uma consulta médica e depois foi proibido de participar numa prova de qualificação olímpica com o argumento de que não estaria em condições de saúde.

Desculpe, diga.

Não, no comunicado diz que esta decisão foi tomada sem que qualquer médico do clube ou da federação considerasse o atleta inapto. Isto aconteceu ou não?

É mentira. Quem diz isso é mentiroso, porque ninguém está ao pé de mim. Por exemplo, agora estou a falar consigo, vou acompanhado pelo vice-presidente da Federação, não está cá mais ninguém. Ninguém pode dizer a conversa que eu estou a falar contigo, como isto está a ser gravado, tudo bem. Agora, como é que algum atleta pode dizer que eu falei com o médico ou não? Já te é mentira, porque eles não sabem se eu falei com o médico e como tal, não devem afixar nada que não saiba. Claro que falei com os médicos, tal como os médicos do clube, neste caso, os médicos do Benfica, falaram com os médicos da Federação e o médico da Federação falou comigo. Portanto, é mentira que eu tenha tomado a decisão sem ouvir ninguém, mas poderia tomar, naturalmente. Se eu vejo que o atleta não está em condições para treinar, não treina há três semanas e quer ir a uma prova de qualificação, eu procuro. A Federação tem dinheiro para gastar assim? Não tem, tem que gerir como deve ser. Como tal, os atletas para irem às provas, como seja para si, assim continuará a ser, têm que estar em condições físicas e não estão. Se não treinam, não podem ir. Não podia engolir, não podia comer. Como é que ele podia ir para uma prova? De qualquer das maneiras, foi o médico que avaliou que ele não estava em condições para ir sem ter o resultado de um exame que eu tinha feito.

Ainda no caso deste atleta, do Henri Egutidze, diz no comunicado que o senhor presidente o proibiu de falar a língua materna dele, georgiano.

Ele pode dizer o que ele quiser. Aliás, ele ou eles, podem dizer o que quiserem. Nem comento, o que eu posso fazer? Rir-me e achar que é o que eu acho, é mais bota, não é mais nada.

Acusam também o senhor presidente de proibir os atletas de falarem sobre saúde mental e dão em concreto o exemplo da judoca Bárbara Timo, que foi diagnosticada com depressão e que o senhor terá dito que eles não podem falar disso para não passarem uma imagem fraca.

O que eu lhe posso dizer é que é mentira. As pessoas são mentirosas, gostava que tivessem dito à minha frente. Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso. Nunca tinha ouvido falar que tinham dito isso. E eu não falei nada, nem falo, nem tenho nada a ver com as entrevistas e com o que eles falam. Isso é um problema deles. Se eu pudesse e se eu tivesse, diria muita coisa, mas não vou dizer, nem a eles nem a ninguém. Ficará comigo.

Um último exemplo que está presente na carta, que eu vou citar aqui, não vou citar a carta toda, naturalmente. Diz que quando a atleta Bárbara Timo, ainda no caso da Bárbara Timo, fez referência a ter tido depressão por estar obrigada a ir para Coimbra, diz na carta que o senhor lhe respondeu: "Ninguém te obrigou a vir para cá do Brasil e agora queres alterar o que não conseguiste no Brasil. Vocês lá no Brasil nem uma Coca-Cola bebiam e agora chegam aqui e a gente dá-vos tudo e querem tudo". Isto é verdade? Isto aconteceu?

Não é verdade. Mas eu posso dizer o que eu disse sobre isso. Quando a atleta Bárbara Timo, infante o treinador, disse: "Jorge, eu não venho treinar mais aqui ao estágio de Coimbra, não quero fazer nenhuma competição e quero ir ao Campeonato do Mundo". E eu, naturalmente, sem qualquer problema, disse: "Bárbara, tu disseste no Brasil?" E ela disse: "Não". Eu disse: "Pois, aqui também não. Tu para ires ao Campeonato do Mundo, vais ter que treinar e vais ter que fazer pelo menos as competições". E disse: "Que são aquelas de preparação para o Campeonato do Mundo". Mais, combinei com ela, disse: "Bárbara, tu não estás bem, pode fazer uma coisa, durante o mês de julho, se quiseres não treinas. Agora, depois tens de competir, tens de treinar. Põe-te à vontade", foi o que eu disse. E ela até gostou muito de falar comigo e queria falar mais. Quando a treinadora dela diz: "Ô Jorge, mas é um caso para temos que ajudá-la". Eu disse: "Está bem, direi para ela". Eu disse: "O que é que se passa?" "Ah, estou numa consulta de psiquiatria e estou com uma depressão". E eu fiz-lhe uma pergunta: "A depressão foi quando chegaste a Portugal ou já tinhas antes, alguma vez?" "Não, já tinha antes". Eu disse: "Pronto, fico mais descansado", porque pensava que era só comigo, mas não tem nada a ver comigo. E ela: "Não, treina, não tem nada a ver consigo". E aquilo passou. Relativamente à Coca-Cola, é verdade o que eu disse a eles. Não foi à Bárbara, disse aos três. "Vocês vieram para aqui por causa de uma carta que eles mandaram, que no fundo é uma carta partida Vocês foram recebidos há três anos de braços abertos, foram às provas sem mínimo, quando os atletas portugueses nem puderam ir, deixámos vocês irem. Vocês estão é a serem ingratos conosco. Mais, nem uma Coca-Cola vocês nos iam. Aqui vocês têm essa liberdade toda, não estou a impedir essa vossa tomada de posição. E mais, já agora também dizer que os atletas em causa, quando a seleção do Brasil esteve a treinar em Coimbra, chegaram a ir ter connosco várias vezes a pedir: "Senhores, deixem-nos vir aqui". Não era uma Coca-Cola, estão autorizados. Vieram quatro Coca-Colas, que era para fazer pirraça à seleção do Brasil. Dito pela Rochelle e Bárbara Timo. Portanto, tenho que dizer o quê? Que as afirmações de vocês fazem não são verdadeiras. E foi isso que eu lhe contei.

Eu sei que ainda não leu a carta, mas questiono-lhe se vai avançar com alguma coisa, vai reunir com os atletas, com o Comité Olímpico?

Não, não vou reunir com ninguém, vamos seguir o nosso caminho. Nós fomos eleitos, temos um programa, os resultados é que mandam, como eu digo sempre. Os resultados foram os melhores de sempre, da história do judo. Eu percebo que, por vezes, os atletas, o que lhes corre menos bem, ou qualquer outro motivo, a tendência é encontrar-nos todos. Isso não é só os atletas, passa com todos, é procurarmos arranjar desculpas para as coisas que correm menos bem. Não sei se é aqui o caso ou não. Nós não vamos mudar nada, porque foi entendido pelos treinadores e pelos atletas, conforme eles também dizem na carta em determinadas alturas, pelo menos na que enviaram para mim há umas semanas, diziam que tinha sido das melhores soluções e fomos considerados, pelos atletas e até lá fora, uma das federações que lidaram melhor com este processo do Covid. Mais, eles estão a treinar em Coimbra porque não há outro sítio. Não há nenhum sítio para nós treinarmos. Eles sabem disso. Não há nenhum sítio para nós termos 70 atletas a treinar. Também não permitimos que sete atletas sejam egoístas e estejam só a pensar neles, porque a seleção é composta por cerca de 70 atletas, se nós formos a ver. A seleção de cadetes, a seleção de juniores, é só com 23 no género. Também alguns juvenis. Não andará longe de 50, 70 atletas. E é assim: porque é que há dois atletas, e isto tudo começa por isso. Porque é que há dois atletas, que é Telma Monteiro e Bárbara Timo, que andavam lá fora em estágio? Cá dentro não iam porque os nossos atletas não têm nível para elas. Nós, e quando eu digo nós, estou a falar na federação toda, incluindo os treinadores, achamos que não há necessidade de andarem lá fora, têm é de treinar cá, não só para aumentar o nível dos outros atletas, como também delas, e claro que têm que ir aos estágios delas lá fora. Se quiser, posso dizer, estamos em agosto, posso dizer quantos estágios, em tempo de pandemia, a Telma já fez lá fora. E outros, se quiser. Quer que eu refira os nomes dos estágios?

Se quiser, pode referir.

Teve em Israel, um estágio em Israel, teve um estágio no Brasil, teve dois estágios em Itália e foi embora. A Itália, ela diz que pagou, mas nós nem soubemos que ela foi para Itália, não disse nada a ninguém. Foi para Itália, ninguém soube. E agora diz: "Eu tive que pagar os estágios". E eu: "Procura informar alguém que ia para Itália." "Porque sabia que tu não deixavas." Futurologia eu não consigo fazer. Foi, portanto, Israel, Brasil, Alicante, e tenho a descritiva, agora estou a conduzir, como disse, mas quando parar, se quiser, direi mais em pormenor, desde as provas, os estágios e quanto é que ela gastou. Até agora, em agosto, ida de janeiro.

Admite, eventualmente, avançar para vias judiciais, tribunal, depois desta carta aberta, quando ler?

Sem eu ler a carta, não posso me pronunciar muito mais sobre isto. Eu respondi às questões que me foram colocadas. Depois de eu ler a carta, não sei, vou lê-la, mas não estou cá também para andar nem a criar problemas, nem a arranjar problemas, nem para, nesta altura, no início da qualificação, estar aqui a arranjar seja o problema que for. Não iremos por aí, por essa via não iremos