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Convidámos para este jornal Isabel Santos, a eurodeputada pelo Partido Socialista, faz parte da Comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu. Atenta aos temas relacionados com a segurança, fez também esta semana parte de um grupo de eurodeputados que avançou com o pedido de ativação de uma diretiva europeia sobre proteção de pessoas deslocadas e corredores humanitários para refugiados afegãos. Muito bom dia, Isabel Santos. Começo por lhe perguntar, à semelhança do que já aconteceu noutros momentos, em particular noutros casos relacionados com migrações, por exemplo, e refugiados, a União Europeia está a começar mal este processo?

Sim, começa mal porque começa com divisões e com países que tomam uma posição muito consentânea com o que tem vindo a ser a sua posição em relação à migração e asilo, mas que não é aceitável em nenhuma situação, muito menos numa situação de emergência como aquela que estamos a viver neste momento. O que está em questão é, literalmente, salvar vidas neste momento. Espero que esta reunião dos ministros da Administração Interna, que como é dito, servirá para tentar consensualizar políticas e tentar chegar a acordos, seja uma reunião bem-sucedida. Sinceramente, espero que sim, porque o que nós pedimos nesta carta que referiu, é exatamente uma concertação de políticas entre os países europeus e de programas.

A verdade é que já fomos vendo essas divergências, como por exemplo, alguns países já recusarem liminarmente o acolhimento de cidadãos.

Sim. Isto não é de todo aceitável, até porque o que se está a falar neste momento é de estarmos a acolher pessoas que estiveram a cooperar com a União Europeia, com a NATO, com as Nações Unidas e que estão em risco de vida por terem estado a cooperar com estas instituições dentro do Afeganistão. Isto não é moralmente aceitável.

E o que é que o Parlamento Europeu pode fazer neste caso, enquanto eurodeputada? Já vimos esta primeira posição por parte de vários eurodeputados.

Há uma posição clara.

O Parlamento Europeu está aqui numa posição de exercer algum tipo de pressão e ter uma ação mais efetiva ou terá de se limitar a alguns apelos e esperar que haja outras instâncias que possam ter assim, neste momento, uma posição de maior força?

Como sabe, a dimensão da capacidade legislativa do Parlamento Europeu é partilhada e é uma capacidade relativa, mas é evidente que o Parlamento Europeu tomará posição sobre esta matéria. Este grupo de deputados, que vai crescendo, já está a fazer este apelo e penso que na primeira reunião plenária será com certeza aprovada uma resolução sobre esta matéria por parte do Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia pode estabelecer também aqui um outro tipo de ponto de diálogo com os Estados Unidos para uma posição conjunta mais forte. E já agora pergunto-lhe também como é que acolheu as palavras do presidente norte-americano, Joe Biden, que de alguma forma já deixou a garantia, em particular aos cidadãos norte-americanos, que vai perseguir os autores do duplo atentado de ontem.

Pronto. É uma garantia que foi dada pelo presidente dos Estados Unidos. Esperamos a tradução clara dessa garantia. Penso que os Estados Unidos optarão agora por intervenções cirúrgicas muito direcionadas. Aliás, ontem percebia-se isso das palavras do presidente dos Estados Unidos, muito direcionadas a focos claramente identificados com este tipo de atos, e serão intervenções cirúrgicas. Aguarda-se o que daí decorrer. Neste momento importa, sobretudo, que se estabeleçam canais de diálogo possível com os Talibã, que estão neste momento na posse do poder político no Afeganistão, de forma a que se possa, por outras vias, não as que até aqui foram utilizadas, manter alguns corredores humanitários para retirada de algumas pessoas. Não sendo possível a retirada de todas as pessoas que desejariam sair do país, isso é para já evidente, e também à medida que vão sendo dadas por terminadas as operações de evacuação levadas a cabo por alguns países, isso torna ainda mais evidente essa situação. Será necessário manter canais de ajuda humanitária àqueles que vão ter que permanecer no Afeganistão. E por isso, como muito bem disse o embaixador Seges da Costa há alguns dias atrás, ainda a discussão estava noutro patamar, chegou o momento da diplomacia, da tentativa de concertação, na busca de salvar o maior número de vidas, de dar condições de segurança e condições humanitárias àqueles que permanecem