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Em direto com o presidente da Associação Ambientalista Zero, Francisco Ferreira. Bom dia, Francisco Ferreira. Estão a surgir vários casos nos últimos dias de situações de água contaminada em praias. É uma situação anormal?
Infelizmente, não. Nós também temos um número muito elevado de águas balneares em Portugal e aquilo que, no entanto, parece surpreendente é que, de acordo com o historial que nós temos de cada uma das praias, nós temos uma frequência maior ou menor de análises obrigatórias. Aqui, eu diria que o facto que nos deve chamar a atenção é que realmente estas praias do Algarve, a Lagoa Altura, Praia Verde, que têm, como aliás disse o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, um historial sem problemas de há anos, têm qualidade excelente, subitamente têm um problema. Ou seja, na análise de rotina, na análise obrigatória, mas que até é pouco frequente em comparação com outras praias que têm mais problemas e portanto, onde eu tenho que fazer mais análises ao longo do tempo, eu deteto esta contaminação. Vamos ver se é possível identificar a origem, mas isto mostra que realmente nós temos que ser mais cuidadosos na avaliação de eventuais episódios onde às vezes as análises nem são necessárias. Foi o caso da Nazaré, onde antes de qualquer análise, a praia foi suspensa devido a um problema, que aliás viria a levar a dezenas de pessoas a irem até ao hospital, de falha no sistema de drenagem, de tratamento das águas residuais. Portanto, aqui o nosso alerta é muito simples. Em primeiro lugar, é necessário realmente que as pessoas estejam atentas àquilo que é uma poluição que por vezes é visível, é sentida mesmo antes de qualquer análise e alertarem para esse facto. Em segundo lugar, é preciso pensar se não teremos que ter aqui um suplemento de amostragem para além daquilo que é rotina, porque pelos vistos podem estar a acontecer, nalguns casos, em praias que nós achamos que têm boa qualidade, excelente qualidade, termos situações anómalas de excedência dos parâmetros microbiológicos e, portanto, pôr em causa a saúde pública. E por último, é fundamental descobrirmos as causas, é fundamental nós termos aqui uma vigilância que passa por olhar, por exemplo, para ribeiras próximas de praias, para também qualquer episódio que aconteça de incapacidade de gestão de um sistema de tratamento, lançar esse alerta imediatamente para que não tenhamos problemas. Não são casos generalizados, portanto, como digo, nós temos mais de 640 águas balneares em todo o país. Infelizmente, este ano temos mais praias, com base no histórico de análises, que estão com a chamada qualidade má, mas o importante é realmente esta capacidade de resposta e de vigilância das autoridades e também dos utilizadores.