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Começava por lhe perguntar que legado é que deixa António Chainho para a música portuguesa?

É enorme o legado do António. É muito fácil falar dele porque o António Chainho era tão bom na escala como fora da escala. Era uma excelente pessoa e um excelente guitarrista. O legado dele é enorme, quem sabe, talvez entre os primeiríssimos cujo legado fala por ele em Portugal. Inclusivamente eu, porque o meu primeiro disco, o segundo e terceiro, salvo erro, são gravados com ele, a seu convite. Eu tinha 18 anos, tinha escrito a "Trigueirinha" faz uns anos, que foi para aí aos 15, e quando ele me ouviu, convidou-me a gravar um disco. Gravámos esse single, ainda gravámos mais juntos e convidou-me a trabalhar na sua casa, que era o Picadeiro, em Cascais, coisa que eu não pude aceitar, porque não tinha transporte e morava no Barreiro. A minha ligação com ele é muito grande, tocámos muitas vezes juntos. Penso que a última vez que tocámos juntos foi para o Lucio Dalla, aquele fantástico músico italiano, que também já não está entre nós, aqui no São Luiz, em Lisboa. Deixou uma escola enorme de guitarra sobre guitarra e, sobretudo, o que transparece da sua carreira, para além da ajuda, do interesse sempre em lançar novas vozes, a convidar muita gente a participar ativamente mais no fado, é também uma forma de tocar que transparece o seu caráter, a sua educação, o seu cuidado para com as pessoas. Ele usava esse traço particular para acompanhar, o cuidado que ele punha ao acompanhar a voz, o jeito com que respondia às frases melódicas da voz. Tudo isso fez uma escola que deixou bastante gente que o segue e, portanto, o torna imortal através dessa escola que ele evidentemente nos deixou.

Tem algum episódio especial que recorde com António Chainho?

São muitos os episódios, nós cruzámo-nos muito na vida, como acabei de dizer, inclusivamente é por mão dele que gravo os primeiros discos. Mas em todos os episódios, o que reflete era uma pessoa genuína, bondosa, tolerante. Acho que isso é tão marcante que as próximas gerações vão com certeza ouvir falar dele como guitarrista, mas também como uma excelente pessoa, já que nós somos aquilo que fazemos através da guitarra, da viola, do instrumento. Nós não podemos ser um enquanto gente e quando nos reflete num traço caracterológico, num instrumento, ser outro. Portanto, tudo isso se juntou e é disso que vai ser falado de António Chainho, com certeza.