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Está conosco Pavlo Sadokha, presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal. Desde já obrigada pela disponibilidade, Pavlo, para falar conosco no dia em que se celebram os 35 anos de independência da Ucrânia. Queria lhe perguntar: estes 35 anos celebram-se de uma forma peculiar, porque é já o quarto ano em que este dia é celebrado num contexto de guerra. Queria lhe perguntar o que mudou e o que podemos esperar.

Muito boa tarde. Obrigado pelo convite para o programa. Nós esperamos sempre que vamos vencer esta guerra e vamos continuar com nossa independência. Durante muitos séculos, gerações e gerações de ucranianos imaginaram e desejaram esta independência do Estado, porque, em primeiro lugar, esta independência garante a nossa sobrevivência como um povo, como uma nação. Nós sabemos que no século passado, quando tivemos a primeira independência, tivemos um Estado, depois da Primeira Guerra Mundial, em 1918, quando foi proclamada a primeira independência da Ucrânia, infelizmente, naquela altura, a Ucrânia não tinha força para lutar contra a Rússia Soviética, não tinha tanto apoio como tem agora dos países, principalmente da Europa, e perdeu a sua independência. E isso, nos anos seguintes, pela política de Stalin, pela política do regime russo comunista, milhões de ucranianos perderam a sua vida no Holodomor, no genocídio organizado por Stalin em 1932, depois nos centros de concentrações, depois na Segunda Guerra Mundial. Portanto, os ucranianos, como não tiveram o seu Estado, as suas tropas não conseguiam defender as suas vidas contra o agressor que estava a invadir a Ucrânia. Por isso, todos os ucranianos, agora neste século, percebem que têm que defender agora, neste momento, a Ucrânia, porque se perder agora a nossa independência, vai significar que nós podemos desaparecer como ucranianos. Por isso é tão importante para nós este dia e tão importante não só para ucranianos na Ucrânia, mas também ucranianos na diáspora, defender a sua soberania como país, como Estado.

Portanto, diria que tendo em conta que a Ucrânia neste momento está em guerra com a Rússia, é ainda mais importante celebrar este dia.

Nós estamos já no quarto ano de guerra, acho que também nos países do Ocidente já perceberam que o Putin invadiu a Ucrânia não só pelo controle da Ucrânia, mas também para acabar com o Estado ucraniano e acabar com os ucranianos como nação. Por isso, ele não quer parar esta guerra, por isso ele sempre mente que há algumas condições que ele pode parar, mas na realidade, não só há quatro e meio anos, mas também há 12 anos, porque a guerra começou em 2014, ele continua esta guerra com o objetivo de acabar com o Estado da Ucrânia.

E queria lhe também perguntar: o apoio português tem sido suficiente?

Enquanto a guerra não terminou, nenhum apoio é suficiente, porque podemos dizer que foi o suficiente quando nós terminarmos esta guerra.

Só depois é que podem fazer a avaliação.

Mas os portugueses como Estado, os portugueses como nação, como povo, ajudaram muito e eu posso comparar até com outros países, pelo menos da Europa, que os portugueses fizeram um excelente trabalho, por exemplo, de acolhimento dos 60 mil ucranianos que procuraram refúgio, procuraram apoio fora da Ucrânia para salvar a sua vida. Mas também, não agora, mas desde 2014, sempre tivemos este apoio, pelo menos político, no nível político de Portugal, porque Portugal sempre declarava apoio à Ucrânia, sempre defendia que a Ucrânia foi invadida, que a Crimeia foi anexada fora de direito, e também temos outro tipo de apoio militar, humanitário, que sempre ajuda a Ucrânia. Mas se está suficiente, como eu disse antes, só podemos avaliar depois de terminar esta guerra.

E queria lhe agora fazer a mesma pergunta, mas relativamente à União Europeia. Ainda hoje, a Ursula von der Leyen anunciou um pacote de 6 bilhões de euros, no fundo, para ajudar a Ucrânia a combater a Rússia e a vencer esta guerra. Tem sido suficiente o apoio?

Sim, este apoio foi hoje uma grande, digamos, entre aspas, prenda para os ucranianos, porque já foi declarado pelo Putin, pelos altos dirigentes da Rússia, que este inverno vai ser muito duro para a Ucrânia. Eles têm um armamento muito forte ainda para continuar a aterrorizar os ucranianos. E no inverno, estes ataques diários que eles estão fazendo agora contra infraestruturas civis, contra cidades, claro que pode ser uma catástrofe para os ucranianos. E este pacote que foi hoje apresentado dá-nos grande apoio, chance e esperança que vamos conseguir, pelo menos diminuir esta agressão russa. Mas este é nosso pedido. Por exemplo, ontem nós fizemos em muitas cidades de Portugal e também em vários países do mundo, grandes manifestações a assinalar os 35 anos de nossa independência em todas as cidades, os ucranianos que se juntaram nas ruas pediram ajudar a fechar o céu da Ucrânia, portanto, ajudar com armamento que pode defender a Ucrânia contra foguetes balísticos, contra drones, contra outro tipo de ataques aéreos. Mas isso nós pedimos nos primeiros dias da grande agressão em 2022. Portanto, o que nós precisamos, o que precisa a Ucrânia para defender-se, já foi estabelecido há quatro anos e meio. E até agora não está suficiente porque a Rússia continua a atacar a Ucrânia. Por isso, achamos que este apoio é muito importante, mas é muito atrasado