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Começo por lhe perguntar como é que surgiu esta oportunidade. Foi convidado pelo primeiro-ministro, por fonte do governo, para coordenar este projeto? Como é que surgiu tudo isto?

É, fui convidado e fiquei contente, digo-lhe já, em princípio de conversa. Como é sabido, eu tinha dito que não me candidataria a qualquer autarquia. E mal disse isso, passados uns dias, fui convidado para esta missão. Estou muito contente.

Mais ou menos por volta de abril? Foi isso?

Um bocadinho depois.

E como é que reagiu a este convite?

Fiquei muito contente por três razões. Uma, porque é preciso fazer um grande parque interconcelhio na área metropolitana de Lisboa. Ajudar a fazer, não sou eu que vou fazer. Isso é muito importante, ainda por cima, porque já está em andamento. Nós neste momento já temos adjudicada a ponte por cima do Douracão, da Câmara de Lisboa, e também neste momento Loures já tem adjudicado o passadiço que leva praticamente de Lisboa, um caminho junto ao rio Tejo, de Lisboa até Vila Franca. Já estão adjudicadas as duas empreitadas e começarão em breve. É o princípio de uma grande ligação interconcelhia. Surgiu, entretanto, a ideia do sítio das Jornadas da Juventude ser ali naquele local. Havia uma oportunidade para Lisboa resolver o problema do aterro que tem ali, que é um lugar de bastante hectares e sem qualquer uso público, naquela situação que eu disse. E, por outro lado, Loures tem um problema também de terrenos bastante deteriorados, com contentores, sítios que ainda não está a Galp, etc. Que neste momento já não está. É uma oportunidade de fazermos um grande parque interconcelhio, com um impacto ambiental e ecológico junto à reserva histórica do Tejo, de grande importância para a área metropolitana. Esse é o primeiro grande aspeto. O segundo é eu poder participar nesse projeto, que é um projeto interconcelhio e também com uma intervenção no governo, nomeadamente das Infraestruturas de Portugal. Segunda razão que me satisfaz imenso, e é um parque, eu passei os meus últimos 14 anos a fazer parque em Lisboa.

Exato.

Fico contente. Segunda coisa que é muito contente, é que de facto é um evento, não quero estar aqui a exagerar, mas se não for, é provavelmente o maior evento que alguma vez Portugal recebeu com esta dimensão, porque é um número de pessoas absolutamente nunca visto.

São milhões de católicos, nomeadamente jovens.

Estamos a falar de mais. Eu vou dizer um número que até parece um pouco distante um do outro, mas é que de facto não se tem a certeza se é 1 milhão ou se são 2 milhões. E eu bem sei que é o dobro. E que é o dobro, é muita gente. É um grande evento, seja lá o número que for.

E quais vão ser exatamente as suas funções na preparação deste evento?

Só a terceira razão. A primeira razão, parque verde, interconcelhio, sempre um grande desejo. Aliás, também a iniciar, quer aqui em Lisboa, quer em Loures. Segunda razão, ser um grande evento. E a terceira razão é poder estar a fazer uma coisa para receber um homem que eu tenho uma admiração enorme, que é o Papa Francisco. Aqui não vem para o caso eu ser católico, vem para o caso também de se receber um grande homem e uma Jornada da Juventude que tem este impacto. São três razões que me fazem ficar um homem muito contente num desafio que é difícil, porque temos que ir atrás do tempo. Muitas das coisas já estão a ser preparadas e ainda hoje fomos ver as futuras instalações para as equipas das jornadas. Vão ser ali na Manutenção Militar e também estou contente com as instalações, quer para a equipa de missão, quer para a equipa da igreja, quer para a equipa das câmaras.

Certo. Pergunto então qual vai ser exatamente o seu papel neste grupo de trabalho e que desafios prevê?

Há um trabalho muito importante interministerial que tem que ser feito para tudo correr bem em relação ao evento. Estamos a falar desde os negócios estrangeiros, por causa dos vistos, vêm pessoas de muitos sítios, da administração interna à segurança, em relação à saúde. Tem que haver aqui a proteção civil, etc. Não só dos conselhos, Lisboa e Loures, mas também do governo. Estamos a falar de uma coisa com uma dimensão absolutamente gigantesca. Esse é um dos papéis. É no fundo ser aqui o coordenador interministerial para que se responda às necessidades do evento. Depois, interligação com a própria organização do evento, que é da igreja Portanto, percebermos as necessidades para o evento e tentar adaptar não só os projetos físicos dos locais, mas como as próprias necessidades de cada um desses ministérios que eu tive a dizer, que são necessários para responder a recebermos bem, para que Portugal receba muito bem este evento. Porque é um evento que além de ser o evento das jornadas, também estamos a falar de recebermos o papa. Só por si já implica uma logística bastante pormenorizada e grande.

E doutor, quem é que vai ter consigo na sua equipa para fazer todo este trabalho?

Por outro lado, a construção do próprio parque, que tem que haver aqui uma interligação entre Lisboa e Loures, que no fundo se ajudará a que essa interligação aconteça e também em relação a terrenos ali, que estão a ser neste momento ocupados pelas infraestruturas de Portugal, que têm que ser libertos, aliás, já na sequência de uma resolução do Conselho de Ministros de há cerca de três meses. E portanto, acho que é um bom desafio, motivador e estou muito contente. Só fez sua pergunta últimamente, desculpe.

Sim. Quem é que vai ter consigo, ao seu lado, para fazer todo este trabalho, para o ajudar neste desafio, como descreve?

Ainda não escolhi ninguém. Para já, a minha ideia é ter um engenheiro sénior, que tenho ideias de onde é que posso ir buscar, espero. Um arquiteto sénior, portanto, muito importante para acompanhar isto. Uma pessoa que faça uma boa ligação a Loures, uma pessoa que faça uma boa ligação a Lisboa, à cidade. Esta é uma equipa pequena, de seis pessoas, no limite sete, e mais ou menos como isto está estruturado, está desta forma. Depois cada concelho terá a sua equipa própria, com funcionários de cada câmara para fazerem alguns projetos, para fazerem o acompanhamento e para estarem no terreno a fazerem esta ligação aos eventos. Porque este evento das jornadas não é só aquele dia.

Certo, é tudo o que vem antes e também um pouco o que vem depois.

E o que vem depois. São uma série de eventos.

E doutor, deixe-me perguntar-lhe, portanto, ao longo dos próximos dois anos vai apenas acumular este cargo, esta função, portanto, não deveremos esperar qualquer tipo de cargo ao nível autárquico, prevejo. Como já tinha dito.

Já tinha dito. Não. Isto é uma grande missão, é um grande desafio. 100%. A partir de 11 de outubro, eu já estou a trabalhar isto enquanto autarca. Estou a preparar já o concurso para o aterro, para lançar o concurso para o aterro aqui da parte de Lisboa. Ontem já tive contactos com Loures, mas enquanto autarca de Lisboa. Quem tem a responsabilidade aqui em Lisboa até às eleições sou eu, neste momento. Portanto, a delegação de competências para as Jornadas da Juventude estão em mim de há dois meses para cá. Portanto, parece que as estrelas estão alinhadas.