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A situação que se vive, na realidade, poderemos dizer que a maioria do tecido empresarial que foi afectado foram micro, pequenas e médias empresas. E, na realidade, não basta, como nós afirmamos, declarar a calamidade. A urgência do momento obriga que existam apoios que venham no imediato ajudar não só o tecido empresarial, mas também as próprias populações a ultrapassar esta situação que afectou e que está a tornar um momento fatídico para as empresas, para o tecido económico, para as populações. E daí que nós consideremos que as medidas que estão apresentadas por parte do governo, não sendo ainda bem claro os critérios que são utilizados por parte do governo, aquilo que nós defendemos é que esses apoios deveriam ser a fundo perdido, e que é necessidade de haver aqui, no imediato, o mais rapidamente possível, esses apoios virem e serem dados às próprias empresas. Nós ontem ouvimos o reports do ministro da Economia dizer relativamente às empresas, em primeiro lugar que estariam em função dos seguros e que haveria para elas linhas de crédito. E aquilo que nós estamos a dizer é que linhas de crédito não são apoios às empresas. E numa situação como esta, nós já temos outros exemplos de outras situações análogas em que as empresas em rebuliço. Ontem eu estava a falar com um empresário que me dizia que ainda estava a pagar as linhas de crédito que tinha obtido do Leslie. E isto não pode acontecer, porque as empresas, na situação em que estão neste momento, não é com linhas de crédito que conseguem resolver a sua situação.
A solução mais provável é a adopção do regime lay-off com estas medidas anunciadas pelo governo, também para garantir o pagamento aos trabalhadores, certo?
Sim, mas lay-off é com critérios que possam ajudar não só os trabalhadores, mas também as próprias empresas para que não fiquemos aqui numa situação em que as empresas já estão numa situação tão debilitada que depois irmos para o lay-off e depois praticamente os próprios trabalhadores ficarem também numa situação difícil. Porque aqui o que se está a passar é as empresas terem sido afectadas, as empresas, os trabalhadores, as populações, e temos que encontrar soluções para que possam, ao mesmo tempo, salvaguardar todas estas três partes.
As medidas anunciadas pelo governo foram suficientes? Falava aqui também da importância de os apoios chegarem com alguma rapidez.
As medidas têm que chegar é com rapidez. E têm que ser simplificadas, porque não é daqui a um mês ou dois meses que esses apoios podem chegar. Na realidade, as empresas têm que rapidamente se reabilitar, têm que rapidamente começar a produzir. É uma zona muito vasta e é um tecido económico que tem factores de produção muito importantes, não só no tecido económico nacional, mas também para a exportação. E isso tem repercussões muito grandes na economia nacional. Daí que, se essas empresas não começarem rapidamente a laborar, se os trabalhadores não começarem rapidamente a produzir, vai ser um colapso e vai ser um caos não só para a região, para aquelas freguesias, para aqueles concelhos, para aquelas populações. O governo tem que ter critérios muito rigorosos e muito ágeis. Ou seja, neste caso, agilidade tem que ser aqui a palavra de ordem, porque não podemos estar aqui com "ses" e "nãos" e como é que vai ser, e mais um papel, e mais o fazer o preenchimento deste papel e mais o outro, como é hábito e tem sido aquilo que nós conhecemos. Nesta situação, aquilo que nós defendemos é: a simplificação é palavra de ordem neste momento para que possamos chegar rapidamente nos apoios às empresas e a esta situação. Vamos lá aguardar o que se passa nestes próximos dias, tendo em conta o mau tempo que está previsto também do ponto de vista de cheias, e isso agrava a situação. Neste momento está-se a procurar tentar colmatar aquilo que foi a desgraça que ocorreu nos dias passados, mas estamos também a ver o que é que vem aí nos próximos dias. E as empresas têm que começar rapidamente. É preciso haver mão de obra, é preciso fazer a reconstrução daquilo que está destruído, é preciso pôr as empresas a produzir. E isto leva tempo. A devastação foi bastante grande, pelo menos aquilo que nós conseguimos ver, porque há muita coisa que ainda está por apurecer. A situação é bastante grave. Temos o problema da falta de energia, as comunicações, tudo isso afectou aquela região e isto é uma situação que tem que ter, da parte das autoridades, uma resposta condicente com as dificuldades que as empresas estão a enfrentar. Nós consideramos que, neste momento, é necessário que as próprias associações das micro e pequenas empresas estejam também envolvidas na definição dos respectivos critérios dos apoios à população. Não pode ser só o governo, juntamente com as autarquias e com as CCDR a definirem. As próprias associações locais de empresários devem estar também envolvidas na definição desses critérios, porque é importante Para a definição das medidas que são anunciadas e também na sua aplicação.
Como é que, por exemplo, uma pequena empresa, uma microempresa, lida com o facto de os trabalhadores poderem ser chamados a ajudar, no caso de uma empresa que esteja completamente inoperacional, completamente destruída, apesar de não conseguirem desempenhar as suas funções. A importância dessa colaboração por parte dos trabalhadores, mas também como é que uma pequena empresa lida com o facto de, se calhar, pelo menos nesta região, alguns trabalhadores não vão conseguir logo ir trabalhar porque também não têm casa. Como é que há esta gestão de factores?
É tudo isso. Tem que se encontrar no local e daí tem que ser caso a caso, tem que se encontrar as soluções para como resolver, porque na realidade não foram só as empresas, foram os trabalhadores que ficaram também com as suas casas destruídas, com os seus haveres desfeitos. E aqui cada um vai ter que encontrar, na medida do possível, essa solução, como é que os trabalhadores podem ajudar, porque muitos deles estão a ajudar e temos visto através da comunicação social e dos apoios centrais, porque na realidade a situação é gravosa e as empresas já tinham muitos problemas e muitas têm, neste momento, um grau de destruição muito grande e para se reerguerem não é com linhas de crédito que elas conseguem. Ou seja, não será através de linhas de crédito que irão conseguir reerguer-se e é preciso que haja apoios a fundo perdido. Reafirmo novamente isto, é necessário que haja para que as empresas possam quanto antes poder começar a reerguer-se do ponto de vista da sua reconstrução, mas também poderem começar a produzir. No fim, é a solidariedade que tem que existir num momento de extrema gravidade, tem que se encontrar aqui formas de apoio, colaboração de câmaras municipais, juntas de freguesia, o governo. O governo tem aqui um papel fundamental, porque tem que fazer um levantamento rápido do conjunto dos impactos verificados e dar uma resposta urgente à situação, que levou algum tempo até que essa fosse dada e temos que rapidamente ter que fosse dada e é necessário que deem esta resposta. E há aqui um aspecto fundamental, é que fique bem claro o papel que as companhias de seguros têm e não se deixar que haja, como em situações anteriores, que depois oportunisticamente a situação foi jogada para canto e que haja aqui também da parte da resposta da parte das companhias de seguros no apoio às empresas e às populações nesta situação.