Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Comigo em chamada, Francisco Lufinha, kitesurfer de 37 anos e que vai atravessar o Atlântico, saindo de Lisboa rumo às Caraíbas, totalmente sozinho, e vai fazer esta travessia de quase 7 mil km. Francisco, olá, muito bom dia.
Olá, muito bom dia.
Francisco, a primeira pergunta é: de onde é que surge esta ideia, fazer uma travessia de praticamente 6700 km sozinho e desta forma? O Francisco vai utilizar um barco à vela reutilizável, não é? De onde é que surge a ideia, para começar?
Esta EDP Atlantic Mission surgiu há três anos, quando eu estava a fazer o último desafio das Açores para o continente, em que na última noite estava a chover e gelado. Até lembro perfeitamente nos joelhos e pensei no próximo desafio, já tinha na ideia de ser uma travessia do Atlântico, mas este próximo vai ter que ser num barco, eu já não vou mais em pé. Então ao longo destes anos, vim a desenvolver este projeto, que culminou agora na apresentação deste protótipo aqui no Museu da EDP, em que reutilizei um barco à vela, que já estava mais inativo, e retirei o mastro e as velas, construímos uma cabine para poder ter algum abrigo e adaptei-o para ser tracionado por kite. Portanto, tenho um kite bastante maior do que os que eu usava antes e conseguimos com este barco fazer algumas velocidades já bastante simpáticas quando há vento forte. Estamos agora em fase de testes, uns grandes, para ver se o barco é seguro ou não no meio do mar, porque esta viagem, como disse, tem dos 6700 km, tem como origem Portugal e a ideia é descer para sul, acompanhar os ventos favoráveis, os ventos alísios que sopram no lado do Sahara e ir até às Caraíbas numa viagem que eu estimo que seja por volta das três, quatro semanas, em solitário, sem barco de apoio, mas com comunicações satélite e com recurso a energias limpas. Esse é um dos focos também do projeto, que é a sustentabilidade. Eu sou movido a energia eólica, do vento, do kite, depois tenho energia solar nos painéis solares que alimentam tudo isto e tenho também um hidrogerador atrás, em que com a minha velocidade, a velocidade do barco roda uma hélice e me gera energia, por exemplo, à noite.
E tirando essa parte da estrutura que vai levar o Francisco ao longo desta aventura, chamemos assim, como é que se faz também toda a preparação física, até tendo em conta que o Francisco já vai com 37 anos, portanto, como é que se prepara toda uma aventura destas ao longo de 6700 km sozinho num barco?
Exato. Eu digo sempre que a idade é psicológica. Enquanto tivermos na cabeça que somos jovens, o corpo aguenta. Mas tem toda a razão com a pergunta e claro que ano após ano eu sinto mais desgaste no meu corpo. Neste caso, não vou em pé, não vou ter aquelas dores de joelhos da prancha, mas vou muito tempo sentado e todos sabemos que sentado não é a melhor posição. Mas vou ter que fortalecer muito, e já estou a fazer aqui a zona do core, dos abdominais, para conseguir não ter dores. E tenho uma rotina diária no barco, quando estiver na travessia, em que tenho que alongar muito os músculos e mudar de posição o máximo possível para evitar ter contraturas e ter dores musculares.
Quais é que serão os principais desafios que o Francisco Lufinha considera que pode vir a encontrar ao embarcar numa aventura destas?
Um dos meus maiores medos é bater em algum objeto, seja lixo, seja uma boia daquelas de ferro, que às vezes se solta, um contentor caído do navio, portanto, uma pegada humana no mar. Isso é um problema porque pode mesmo, num caso extremo, afundar o barco. Este barco não tem chumbo, porque é um trimarã, são três cascos lado a lado, portanto, não precisa ter esse peso por causa das velas. E então, porque não tem velas, é difícil afundar este barco. Foi uma das razões que escolhemos este barco. Outros medos, cair ao mar é uma coisa que é um medo, mas é mais fácil de garantir que não acontece, porque vou sempre amarrado lá fora. Uma grande tempestade poderá acontecer, mas não é provável, dada a altura que nós escolhemos. Já escolhemos ir em novembro, num dia de novembro, porque temos ventos alísios mais constantes e aí mitigamos um pouquinho esse risco. Mas basicamente, bater nalgum objeto é um dos meus maiores medos e temos que fazer de tudo. Estamos a fazer compartimentos estanque, portanto estamos a mitigar um pouco esse risco.
O Francisco disse-nos agora que está prevista essa partida em novembro. Quanto tempo é que também faz de previsão desde a partida até à chegada?
É isso, a ideia é em novembro, eu só irei decidir mediante as condições do vento, portanto, eu preciso de pelo menos três dias de vento norte, forte, para me levarem aqui do inverno total mais lá para baixo, até à zona mais subtropical, para depois apanhar os alísios. E conto no total demorar talvez uma semana a andar para sul e depois mais ou menos até à zona de Cabo Verde e depois mais duas semanas ou três a andar para oeste em direção às Caraíbas.
E relativamente ao percurso, há pouco o Francisco Lufinha falava-nos dos seus maiores medos relativamente a esta viagem. Vai navegar durante algum período do dia, ou seja, vai preferencialmente durante o dia ou mesmo à noite também vai ser uma tendência para navegar?
O meu objetivo é fazer esta travessia no menor espaço de tempo possível e quem sabe até bater mais um recorde, que eu gosto muito de recordes, da viagem de kiteboat em solitário mais rápida. Portanto, a ideia é navegar de dia e de noite, não parar. Mas a diferença de um kite, que vai no ar e que é muito instável face a umas velas, é que as velas nós vacinamos e podemos ir dormir. O kite cai, nós não estamos a olhar para ele, o kite exige bastante atenção. E é um dos problemas que estou a enfrentar ainda neste desenvolvimento, é conseguir desligar do kite. Para isso, desenvolvemos um software, conjunto com um parceiro alemão, para controlar o kite lá no ar sozinho, para eu poder dormir e o kite continua a navegar pelo ar. Navegar não, a voar pelo ar Ainda não conseguimos testar esse sistema, é uma das próximas fases, mas se acontecer, a ideia é não parar. O barco está sempre a navegar e eu vou dormindo 20 minutos, verifico se há algum barco a aproximar, que é importante controlar o tráfego, e depois afino mais o kite aqui e ali, depois durmo mais 20 minutos. E é assim que faço essa gestão, que é bastante cansativa. E às vezes, se for mesmo necessário, chego ao ponto de tirar o kite, salto para baixo e dormir quatro horas seguidas, estando à deriva, se for preciso.
Francisco, para terminarmos esta nossa conversa, o Francisco começou por nos explicar que esta sua viagem está incluída neste projeto, a EDP Atlantic Mission. Gostava de lhe perguntar, até se nos puder confessar, para além deste âmbito da EDP Atlantic Mission, o Francisco faz isto também por algum objetivo pessoal, alguma promessa, tem alguma coisa que também nos possa contar?
Sem dúvida, é uma ambição que eu tenho de atravessar o Atlântico sozinho, em solitário. Eu já o atravessei três vezes, mas não foi em solitário e foi em barcos à vela bastante maiores, mais confortáveis, nada a ver. E tenho esta ambição grande de fazer coisas que nunca foram feitas antes, portanto, essa travessia, desta maneira, num trimarã rápido, com essa tecnologia toda e essas energias renováveis, nunca foi feita. E achei por bem, e foi ótimo, estou orgulhoso de me juntar à EDP, que tem esta ambição também de até 2030 ser 100% verde, o que é uma ambição muito grande. E acho que rola tudo muito bem, portanto, nesta campanha, que é o Changing Tomorrow Now, eu estou a fazer a minha parte, vou fazer esta travessia para chamar a atenção dos mais novos e também dos graúdos para a necessidade que há de adotarmos estas energias. É o único caminho, nós não temos outra opção, se o nosso planeta B. E se eu consigo atravessar o Atlântico nessas condições bastante difíceis, usando só energias verdes, eu acho que facilmente toda a sociedade consegue adotá-las no seu dia a dia e caminharmos para um futuro mais verde.