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Junta-se a nós em direto o economista da Informação de Mercados Financeiros, Felipe Garcia. Boa tarde, Felipe. Esta decisão do BCE vai em linha com aquilo que se esperava?

Olá, boa tarde. Completamente em linha com aquilo que era esperado. Era bastante verosímel que depois de todo o discurso que o BCE tem tido nas últimas semanas, viesse a decidir de uma maneira diferente. E também compreendemos que esta forma de comunicar dos bancos centrais, e do BCE em particular, é normalmente feita devagar. Ou seja, aquilo que está a ser feito nesta altura é a preparação para a inversão do ciclo de política monetária, com o primeiro corte de juros a acontecer muito provavelmente daqui a três meses, na reunião de junho.

E Felipe, que efeitos poderá ter este discurso de hoje e a expectativa para os próximos meses nas taxas Euribor?

Aquilo que estamos a ter nesta altura é um ligeiro aumento das expectativas quanto a cortes este ano. Ou seja, antes da reunião havia a expectativa que o BCE cortasse as taxas em cerca de 90 pontos base. Evidentemente que nunca será bem assim, isto tem aqui implícito uma probabilidade. E neste momento já estão mesmo descontados os 100 pontos base ou um ponto percentual repartido por quatro cortes. Na verdade, em termos de Euribor, aquilo que é de esperar é uma correção em baixa, uma descida das Euribors ao longo do ano. Para se ter um pouquinho a ideia face àquilo que está a acontecer agora, a Euribor a seis meses, que está nos 3,90, está agora projetada para terminar o ano nos 2,78 e a dos 12 meses, que está agora a 3,75, está projetada que termine o ano nos 2,60. Portanto, um alívio, não uma queda a pique, mas um alívio ao longo do ano nas principais referências da taxa de juro.

Um alívio que provavelmente irá também em linha com a forma como o BCE irá baixando também depois as taxas de juro.

Sim, a ideia é que haja aqui uma abordagem gradual. Há muitos analistas, eu incluído, que acham que já haveria condições para a descida de taxas, até tendo em conta o facto da economia europeia estar efetivamente num momento difícil, da sua maior economia, a Alemanha, estar em recessão e de que as fontes de inflação que provocaram o surto inflacionista nos últimos dois anos não estão assim tão ligadas quanto isso a fenómenos monetários. Mas também se compreende que do ponto de vista da gestão das expectativas, da credibilidade, que o BCE vá demorando o seu tempo a fazer o seu caminho e que haja também uma certa vontade de concertação, de atuação com outros bancos centrais, nomeadamente a Reserva Federal dos Estados Unidos, que neste momento está tudo menos pronta para cortar taxas, talvez esteja em meados deste ano. E seria ideal, do ponto de vista dos bancos centrais, que continuasse a haver alguma concertação para não termos blocos económicos a subirem taxas, outros a descerem. Isso poderia gerar algumas entropias em vários mercados, mercado obrigacionista, mercado cambial, e isso pretende-se evitar. Portanto, à partida vamos ter uma alteração gradual de discurso para termos cortes de taxas em meados deste ano, já depois de se saberem os dados da negociação salarial do primeiro trimestre que o BCE tem apontado como sendo muito importante.

Felipe Garcia, muito obrigado pela análise neste Jornal das Duas. Felipe Garcia, economista da Informação de Mercados Financeiros, a ajudar-nos a olhar para esta decisão do BCE, que manteve para já inalteradas as taxas de juro