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Junta-se a nós o comandante dos Bombeiros Voluntários de Albufeira, António Coelho. Bom dia, António Coelho. Quem são estes operacionais e que meios é que levam com eles?
Muito bom dia. Nós estamos a falar de dois bombeiros que integram a equipa de busca e resgate canina, uma equipa que os bombeiros de Albufeira têm constituída há relativamente três anos. São seis operacionais, dois cães. Neste caso concreto, os dois operacionais que estamos a falar, André Cabrita e Cláudio Marujo, juntamente com o Ax, integram o grupo de especialistas em resgate canino em catástrofes Meditarcon e juntam-se neste momento às equipas espanholas, com as quais ao longo destes últimos três anos têm desenvolvido treinos operacionais em cenários simulados de catástrofes, quer em território nacional, quer em território espanhol. E na prática é isto. Portanto, estão com uma autonomia para três dias consecutivos de buscas. É considerado que a sua intervenção comece precisamente a partir de hoje. Eles já se encontram no território turco. Irão ser acolhidos pela equipa espanhola, que entretanto foi projetada ontem no território. Já têm o conhecimento da realidade, já estabeleceram contacto com as autoridades locais e já têm definido aquilo que irão fazer em termos de ação.
Portanto, quando chegarem já têm pelo menos essas indicações. Estamos a falar aqui de uma missão relativamente curta, é só até sábado, porque estamos a falar da possibilidade de encontrar ainda pessoas com vida, é isso?
Sim. É do conhecimento que nós temos neste momento que há várias e extensas áreas de edifícios colapsados com escombros. Nalgumas com maior facilidade, já temos essa informação, percebe-se a presença de pessoas soterradas com vida. Mas estas equipas, estamos a falar de binómios que a sua função é precisamente detectar pessoas soterradas com vida onde haja maior dificuldade. Portanto, o cão tem um treino de grande precisão e a sua função é só esta, descobrir pessoas soterradas com vida. E portanto, eles vão ser projetados em zonas onde efetivamente há estas suspeitas e precisam ser validadas. A sua função é ir à frente para precisamente localizar as pessoas soterradas com vida e depois são acionadas as equipas de resgate que irão promover os trabalhos para libertar as pessoas dos escombros.
António Coelho, já nos explicou que estas equipas treinam em simulações de sismo. É a primeira vez que participam numa missão deste género?
Sim, exatamente. As nossas equipas, apesar de terem um treino regular e estarem muito rotinadas, a missão real, esta é a primeira. Eles juntam-se aos congéneres espanhóis, que neste caso alguns elementos das equipas já participaram em várias missões reais, inclusive na Turquia. Portanto, pelo menos duas das equipas espanholas e dois operacionais já viveram esta realidade há relativamente pouco tempo.
E como é que surge este convite e porque é que este pequeno grupo se antecipa à partida da equipa da Proteção Civil que parte esta tarde?
Nós, bombeiros de Albufeira, fazemos parte de uma rede de centros de formação Meditarcon, ou seja, estamos neste momento também com uma certificação internacional para formar unidades destas, homem e cão, para a busca e resgate de pessoas com vida. No caso concreto, este método é um método que foi implementado pelo Jaime Parejo, um espanhol, cientificamente aprovado e registado, e através desta rede de centros de formação, fomos convidados a integrar este grupo de especialistas em resgate canino em catástrofes, Meditarcon. E é nesse sentido que surge. Portanto, a partir do momento que se soube do sismo, este grupo começou a monitorizar a situação, percebendo a sua gravidade, informou a embaixada turca da disponibilidade para ir para o teatro de operações e poder ajudar. A embaixada turca aceitou a disponibilidade e depois em poucas horas o que contamos foi a operação de transporte dos operacionais e de sustentação logística no local. No caso concreto os nossos operacionais, por ser a primeira vez, o corpo de bombeiros mantém uma estrutura de apoio, que envolve, entre outros especialistas, dois psicólogos que irão acompanhar a missão à distância e dar apoio que possa vir a ser necessário. Portanto, diariamente estamos a contar fazer briefings, briefings estes que é precisamente para ir acompanhando, dando todo o apoio técnico e informação aos operacionais que eles possam estar a necessitar, como disse, mas também pode ser só para dizer: "Olá, estamos bem", que é isto que nós queremos monitorizar, porque de facto eles vão estar a ver um cenário pela primeira vez, que todos nós temos estado a ver pelas televisões, que tem elevadas cargas, principalmente a nível emocional. Apesar de terem experiência, treino, estarem preparados, eles vão assistir a muita coisa menos boa e há uma preocupação para que eles possam manter a sua determinação, o seu ânimo em acompanhar permanentemente estas equipas.