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Queria começar por lhe perguntar quais foram os efeitos da chuva destas últimas duas semanas, mais ou menos, nas situações de seca nas várias regiões do país em que se verifica essa situação de seca.

Esta chuva veio ajudar a repor as reservas que existiam em todo o país. As situações mais complicadas, como se sabe, eram no Algarve e no litoral alentejano. E da informação que eu obtive, até agora, a quantidade de água armazenada é a mesma que existia em 2022. No entanto, só parou ontem de chover, as ribeiras continuam a correr, vai haver uma acumulação superior àquela que existia no ano passado. E também, como choveu muito, foi utilizada menos água durante este período, portanto, o balanço é positivo. As medidas que foram anunciadas têm que ser ajustadas a esta nova realidade. Ainda vamos ter a previsão de chuva para as próximas semanas, o que permitirá exatamente adaptar as medidas às novas circunstâncias.

E com a previsão de chuva que vem ainda para os próximos dias, há alguma hipótese de que esta chuva, em vez de ser benéfica, se torne prejudicial a alguma cultura, se chover em demasia?

Não. Vamos lá ver, este está na altura de chover. As chuvas só começam a ser prejudiciais se começar a chover em junho, numa altura fora da época normal de chuvas. Neste momento, isto é normal. Abril, água, esmil. Há muita água, é verdade, há sítios que estão mais alagados, porque choveu muito naquelas situações onde a água caiu com grande intensidade em curtos períodos de tempo, fez alguma erosão onde não havia proteção dos solos, mas quer dizer, isso é tudo normal nestas circunstâncias. Cada vez mais os agricultores têm cuidado com essas situações, mas não se pode dizer que há aqui culturas em risco por causa da chuva.

E mesmo nas regiões onde caiu granizo e até algumas onde caiu neve, também não há registo de qualquer dano a alguma cultura?

Não, até agora não. Cada vez mais os agricultores têm mecanismos para se protegerem de algumas dessas intempéries, onde, na realidade, elas ocorrem com mais frequência. Esta neve e o granizo, não houve relato de situações desse género.

E o presidente considera que o novo governo deve, ainda para mais agora com esta situação de ter chovido e da situação de seca ter ficado menos grave, acha então que é necessário rever as medidas que tinham sido implementadas no plano de contenção do anterior governo?

Sim, relativamente ao Algarve, sim, havia cortes significativos no abastecimento de água face a um cenário que era o pior cenário de todos. Felizmente, não foi isso que se veio a verificar e, portanto, têm que se ajustar as medidas às novas circunstâncias. Eu acho que isso é óbvio, parece-me óbvio, ninguém é contra essa situação, de certeza. Agora, acho é que também interessa que o governo que vai entrar em funções tenha consciência de que se não existirem mecanismos de contenção e retenção de água e de uso eficiente da água, nós vamos ter problemas no médio, longo prazo, relativamente à disponibilidade de água. Isso é que é importante. A água tem que ser um desígnio nacional, a construção de uma rede nacional da água, a construção de um conjunto de situações que permitam que exista disponibilidade de água em todo o país, tal como existe de energia. Não há uma zona que tem energia e outra que não tem. Não, o país tem todo. E aqui na água, tem que se avançar para uma situação semelhante, conjugando transfazes, conjugando pequenas barragens, conjugando maiores barragens, alterando as concessões que existem para produção de energia, para multiúsos, enfim, e utilizar todo o conhecimento e tecnologia que hoje existe.

Presidente, as últimas coisas que disse, são essas as medidas que considera que devem ser tomadas para prevenir situações de seca?

Para gerirmos, no futuro, este fator escasso que é a água e que tem que ser encarado desta forma. Não podemos sempre dizer que a culpa é de que não chove. Não, é verdade, a chuva cai de uma forma mais irregular, mas nós não vivemos num país em que não chove. Não, chove de uma forma mais irregular, por isso temos que criar mecanismos para poder salvaguardar a utilização eficiente da água.