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Como é que a Ordem dos Médicos olha para este pedido de demissão apresentado pela Direção Executiva do SNS?

É um pedido de demissão, em primeiro lugar, que diz respeito a quem o pede e, portanto, a Ordem dos Médicos respeita esta decisão, que era uma decisão expectável, tendo em conta as diferenças de visão que existiam entre o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde e entre a atual ministra titular da pasta do Ministério da Saúde. Mas antes de tudo, eu queria assinalar o papel muito importante que o dr. Fernando Araújo desenvolveu neste último ano, até nestes últimos anos, na defesa dos cuidados de saúde de qualidade, na defesa do Serviço Nacional de Saúde. Uma pessoa que se empenhou muito, que se dedicou muito, com uma enorme capacidade de trabalho. Portanto, eu acho que todos nós temos que estar agradecidos pelo trabalho que o dr. Fernando Araújo desenvolveu. Agora, há momentos que são diferentes, são momentos de mudança. Eu penso que todos nós temos que encarar estas mudanças com uma grande normalidade. A ministra da Saúde tinha uma visão para o Serviço Nacional de Saúde, aliás, tem uma visão para o Serviço Nacional de Saúde, que era substancialmente diferente da do dr. Fernando Araújo. Ela, aliás, já o tinha afirmado mesmo antes de ser ministra, quando era presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria. Portanto, é natural que este desencontro de visões, estas visões diferentes, possam levar a esta decisão do dr. Fernando Araújo. Temos que respeitar, temos que, por outro lado, reconhecer o papel do dr. Fernando Araújo e temos que agora saber olhar para o futuro. Eu queria só deixar dois aspectos que eu acho que são relevantes. Em primeiro lugar, a necessidade de mantermos uma direção executiva do Serviço Nacional de Saúde, mas ao mesmo tempo, termos a capacidade de rever, nomeadamente, o seu estatuto, já que algumas competências, do nosso ponto de vista, se podem sobrepor às competências que achamos que tem que ter o Ministério da Saúde. Nós este último ano tivemos um Ministério da Saúde com uma espécie de liderança bicéfala, com o ministro da Saúde, o dr. Manuel Pizarro, de um lado, e o dr. Fernando Araújo, diretor executivo, do outro lado. Ora, do nosso ponto de vista, a direção executiva tem que se manter, mas tem que ter a capacidade de executar, de implementar as decisões que são tomadas, e justamente tomadas, pelo titular, ou neste caso em concreto, pela titular da pasta da Saúde, que tem esta responsabilidade de tomar decisões, de definir uma orientação concreta, de fazer reformas no Serviço Nacional de Saúde e no sistema de saúde na sua globalidade.

Perguntava-lhe também que efeitos vai ter este pedido de demissão na pasta da Saúde, no setor da saúde, neste caso?

Tanto quanto vi no comunicado da direção executiva, não se trata de um pedido de demissão, mas trata-se do anúncio de um pedido de demissão que vai ser entregue à ministra da Saúde ou que já foi entregue à ministra da Saúde. Portanto, é anunciar que se vai pedir a demissão. E tanto quanto tive a oportunidade de ver, é um pedido de demissão que só será efetivo daqui por dois meses. Portanto, não vai haver nenhum impacto direto, porque o dr. Fernando Araújo, pelo menos no seu pedido, conta manter-se em exercício durante este período, mas obviamente que neste momento, que é um momento muito sensível, é o momento da implementação de uma reforma, que o próprio dr. Fernando Araújo classificou como a mais importante desde a criação do Serviço Nacional de Saúde há 45 anos. É um momento também muito sensível, já que temos um governo novo, com uma nova política de saúde, uma política de saúde diferente, portanto, é um momento de mudanças. Obviamente que esta decisão do dr. Fernando Araújo, legítima, vai colocar um vazio, em primeiro lugar, e uma necessidade de muito rapidamente se encontrar um substituto ou uma substituta que esteja à altura deste enorme desafio que é hoje o SNS.