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Carmo, obrigada por ter aceitado o nosso convite. Relativamente a esta situação do exame de português, apareceu uma imagem neste exame, especificamente no grupo três, e essa imagem é semelhante a uma imagem de um livro de preparação de exames de uma editora que saiu no ano passado. Entretanto, hoje o Ministério da Educação já admitiu uma falha e o ministro da Educação, Fernando Alexandre, ordenou a abertura de um inquérito. Como é que acha que isto aconteceu? O que acha que é preciso esclarecer?
O que aconteceu foi uma coincidência infeliz. A equipa que faz exames terá selecionado essa imagem, que é uma imagem bastante conhecida. Eu conheço colegas que trabalharam com essa imagem em sala de aula e há essa coincidência de ter aparecido num livro de preparação para exames. Foi isto que aconteceu. Eu li a comunicação social sobre aquilo que o ministro disse. Basicamente, o que ele diz é que vai tentar averiguar, porque a equipa de exames, pelos vistos, tem essa obrigação de verificar se há redundância nos itens que eles escolhem, se aquilo já saiu em algum livro. A ser assim, tem que se averiguar.
Portanto, considera que esta decisão foi acertada e no tempo certo, que faz sentido?
A decisão do ministério?
Sim, do ministério e do ministro da Educação.
Sim, acho que sim. Se realmente a equipa que faz os exames tem esse dever, então sim, tem que se perceber o que aconteceu. O livro saiu, não sei como é que foi comercializado, não faço ideia. Se estava disponível à data e realmente se eles têm essa obrigação, deveriam ter visto isso.
E como membro da Associação de Professores de Português, qual é a posição da associação?
A posição é oficial e está no site da associação. Basicamente, acham que foi uma coincidência. Não há mais do que isto.
E a nível do exame, não haverá obviamente uma repetição do exame, mas os alunos obviamente não serão prejudicados por este equívoco?
O exame nacional de Português do ensino secundário foi realizado por cerca de 81 mil alunos, se não estou em erro. Desses 81 mil, eu acredito que todos eles, se a escala funcionou e deve ter funcionado, todos eles trabalharam o gênero textual que é solicitado no grupo três do exame nacional. Muitos deles foram expostos à imagem que saiu. Outros não foram. Aqui na escola tem um colega que tinha utilizado essa imagem. Eu, por exemplo, não utilizei, utilizei outras. O que está aqui é: os alunos que fizeram o exame têm que ser capazes de resolver a questão do grupo três, independentemente da imagem que lá aparece. Repetir o exame por causa disso, na minha opinião, não faz sentido. Submeter outra vez 81 mil alunos à repetição de uma prova, que depois tem que ser levada para Lisboa para ser digitalizada. Do ponto de vista logístico e temporal, não tem lógica, porque o calendário de exames está estabelecido, quando muito teriam que obrigar os alunos todos a ir à segunda fase. Não é viável depois em termos de correção, não há corretores disponíveis, portanto, logisticamente não tem sentido. Do ponto de vista pedagógico, também não acho que faça sentido, porque na realidade os alunos que compraram o livro, que resolveram as provas todas, que no fundo viram essa imagem e a trabalharam pensando que ia sair em exame, há de ser um número reduzidíssimo. Quando se trabalha com textos e com imagens, e sobretudo na disciplina que eu leciono, isto é uma possibilidade. Nós podemos escolher textos que vão cair em exame. Podemos resolver em sala de aula perguntas que vão calhar no exame, não sabemos. E nós não conseguimos ter uma equidade a nível nacional que garanta que não há repetição de conteúdos e de questões que são trabalhadas em certas escolas e por certos professores e que depois aparecem no exame nacional. Não é possível garantir isso. Isto aqui é uma circunstância infeliz, porque estamos a falar de um livro impresso e colocado à venda, que alguns alunos compraram e alguns alunos terão resolvido a questão em causa. Agora, do ponto de vista de criar uma situação grave de falta de equidade, não me parece que seja o caso, acho que é residual. Ainda que os alunos tenham resolvido, não se lembram, porque passa tempo, porque estudam muita coisa. Agora, o que interessa aqui é eles serem capazes realmente de mobilizar seus conhecimentos para resolver a questão. Essa questão tem sempre uma imagem, e as imagens andam sempre mais ou menos dentro dos mesmos temas, porque são relacionadas com o universo dos alunos. Normalmente é uma imagem, até são muito difíceis de escolher, eu sei porque eu passo por esse processo quando faço os testes. Tem que ser um tema sobre o qual os alunos tenham alguma coisa para dizer, portanto, não pode ser uma questão político-econômico-financeira contemporânea, não pode ter legendas, não é fácil. Essa imagem é uma imagem até já relativamente antiga, ganhou concursos, muita gente conhecia, eu por acaso não conhecia, e foi uma infeliz coincidência. Isso é uma questão, porque na minha cabeça eu achava, e já tenho dito, que é impossível os professores conhecerem todos os livros que estão no mercado. Agora, se realmente eles têm o dever de os conhecer, aí agora o ministério tem que indagar o que aconteceu e depois desenvolver as diligências para que não volte a acontecer.