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Já tenho comigo em linha Carlos Carreiras, o presidente da Câmara Municipal de Cascais. Cascais que também ficou a saber hoje que está entre os 19 concelhos considerados em risco muito elevado de Covid-19 e que fica com essa restrição, com essa norma de recolher obrigatório a partir das 11 da noite. Como primeira questão, peço-lhe uma reação a esta medida.
Boa noite. De facto, nós já estávamos à espera e já sabíamos que na semana passada tínhamos a primeira semana de alerta. Como os números não baixaram, era expectável, tal como também tenho vindo sempre a anunciar no meu próprio Facebook, que nós iríamos entrar para uma fase regressiva em relação àquilo que tínhamos. E nesse sentido, nós compreendemos as medidas, mas ao mesmo tempo também nos parece que tem que haver uma reflexão, porque esta nova vaga pandémica, especialmente com a entrada da variante Delta, não é igual às primeiras vagas e às outras variantes que nos atacaram. Portanto, obriga-nos a fazer uma reflexão, aprender com estes 18 meses e a pensar aquilo que deverá ser perspetivado, juntamente com a comunidade científica, para aquilo que se vem neste mês de julho e no próximo mês de agosto. Para nós, é claro que tem que se acelerar a vacinação e Cascais é o que tem a melhor eficácia na área metropolitana de Lisboa em termos de vacinação. Estamos também a reforçar a testagem e, acima de tudo, o próprio comportamento e atitude por parte dos cidadãos, que já hoje não têm nenhuma razão para não terem uma atitude responsável pela sua saúde e pela saúde de todos nós. Mas é isso que, neste momento, é o grande desafio que estamos a enfrentar todos em conjunto.
Carlos Carreiras, quando aqui nos diz que compreende estas medidas e que, apesar disso, tem de haver uma reflexão, acredita que este implementar de uma restrição a partir das 11 horas da noite, seja uma medida que vá controlar essa mesma propagação do vírus?
Repare, se formos analisar medida a medida, haverá sempre alguém que tenha alguma capacidade para criticar cada uma delas. A questão não se pode colocar aí, porque a alternativa era o confinamento total. O confinamento total para a situação em que estamos a viver, é a mesma coisa que tentar matar um mosquito com um tiro de canhão, e isso não é possível. Aqui a grande questão é reduzir riscos e a redução desses riscos leva a essas medidas, nomeadamente essa que me refere do fecho às 23 horas.
O recolher obrigatório, sim, neste caso.
O recolher obrigatório e depois o fecho aos fins de semana dos restaurantes, nomeadamente às 15h30, em si mesma, não parece ser uma medida que vá, de facto, ao encontro da redução de novos infetados, como se tem verificado nesta semana. Mas este vírus é um vírus muito traiçoeiro, nós só sabemos passado 10 dias, 15 dias, e ele já está instalado entre nós. Portanto, a questão aqui é reduzir, mitigar os riscos de contágio. Agora, o que eu coloco é: nós estamos perante uma situação nova. Estamos a passar de uma situação pandémica para uma situação endémica. Isso quer dizer que nós vamos ter que viver com este vírus nos próximos largos tempos e também com situações que nos dá também outro tipo de proteção, como é o caso das vacinas. Temos tempo agora para perspetivar a um mês e planearmos como deve ser aquilo que vai ser as regras a aplicar daqui a um mês, mas isso é o que estamos todos confrontados, como por exemplo também, fica difícil de perceber que não podemos circular entre concelhos, mas pode-se circular entre países, nomeadamente com países que estão com níveis de contágio muito superiores ao português. Aqui tem que haver algo que tem que ser coerente, tem que ser claro e que, acima de tudo, as pessoas, ao fim de 18 meses de estarem a viver em pandemia, já todos conhecem, já todos tiveram tempo para poder compreender e não ter dúvidas da atitude que têm que tomar.
E Carlos Carreiras, tendo em conta que o Conselho de Cascais é um conselho com uma população ainda bastante jovem, frequentada também por uma população majoritariamente jovem, acha que vai ser fácil fazer esse controle a partir das 11 horas, enviar toda a gente para casa?
A questão aqui é: numa pandemia, nada é fácil. Eu tenho tido o cuidado de não criar um ônus em cima de uma determinada faixa da população, uma faixa geracional da população. Agora, o que tem que haver é o cumprimento da ordem e isso começa pela atitude de cada cidadão. E os jovens hoje também estão mais informados, estão completamente informados, diria eu, e também com os dados, porque são neste momento aqueles que estão a ter novas infeções porque são os que estão menos cobertos pelas vacinas. Portanto, aqui a grande questão é, em limite, as forças de segurança, que é quem tem competência legal para atuarem, terem que atuar.
Carlos Carreiras, falou também há pouco dessa situação, quer durante a semana, quer ao fim de semana, para a restauração, às 22h30 e às 15h30 durante os fins de semana, durante a semana às 22h30. Qual é o nível de impacto que isso poderá ter, quer no turismo, quer na própria economia do Conselho de Cascais?
O impacto é grande. Estamos a viver três pandemias: a pandemia sanitária, a pandemia económica e depois o reflexo da pandemia social, que é grave também em si mesma. A alternativa a estas situações era o confinamento geral e o que se está a tentar é encontrar equilíbrios que são muito difíceis também de estabelecer. Portanto, daí eu reforçar que a atitude individual de cada um de nós é absolutamente crucial para termos todos sucesso.