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Lembrar que o helicóptero que transporta o Papa Francisco já está a caminho de Fátima. Já aqui falamos deste aparelho, que é um EH-101. Vamos então conhecê-lo melhor com a ajuda do porta-voz da Força Aérea, que se junta a nós em direto, Coronel Manuel Costa. Muito bom dia e bem-vindo.
Muito bom dia.
Este aparelho, ainda há pouco estávamos aqui a dizer, o Diogo Teixeira Pereira, é muito usado em missões de salvamento no mar. Que alterações precisou de sofrer para fazer esta viagem com o Papa?
Bom dia. Este avião é claramente um helicóptero muito versátil, portanto, nós conseguimos rapidamente alterar a configuração. Ele tem várias configurações, é uma aeronave que equipa esquadras 751 e 752. Quem está a fazer o transporte de Sua Santidade é a esquadra 751, que está sediada na Base Aérea nº 6, no Montijo. E como estava a referir, este helicóptero é um helicóptero que permite alterar a configuração. Trabalha de uma forma modular, tem umas caixas no seu interior, que se consegue alterar a configuração da aeronave. Esta aeronave é utilizada não só para busca e salvamento, mas também para ações de mobilidade geral, e nessa tipologia de missão, enquadra-se este transporte de Sua Santidade, de Lisboa para Fátima.
Mas que helicóptero é este? Que características é que tem?
Este é um helicóptero de transporte médio. A Força Aérea adquiriu 12 EH-101, que equipa a Força Aérea desde 2000. É muito versátil, não querendo fazer qualquer publicidade a marcas, mas quando falamos deste helicóptero, temos claramente que é um helicóptero de topo, é um dos melhores helicópteros da categoria que existem no mercado. É um helicóptero com três motores, tem 5100 cavalos de potência, tem um comprimento de cerca de 19 metros e meio. A envergadura também é muito semelhante a essa dimensão que eu referi. Tem uma capacidade de autonomia cerca de oito horas, tem uma capacidade de operação muito assinalável e, como referiram, é um helicóptero que é usado para busca e salvamento, e normalmente vai a distâncias longas no mar. É claramente um helicóptero versátil, um helicóptero que está ao nível dos helicópteros da sua categoria.
O coronel já disse, acabou mesmo de o dizer, que normalmente é um helicóptero destinado a buscas e salvamento, missões de salvamento no mar. Mas que missões costuma este helicóptero fazer?
O sistema de busca e salvamento é um sistema que está em alerta permanente 24 horas por dia, 365 dias do ano, e estão helicópteros nesse sistema na Base Aérea nº 4, nas Lajes, no Aeródromo Manobra nº 3, em Porto Santo, e também na Base Aérea nº 6. Sempre que há uma necessidade de ativar o meio para uma missão de busca e salvamento, mesmo para uma missão de resgate de alguém que precise de assistência, que esteja no navio, normalmente são estes helicópteros. Para já, são helicópteros com grande alcance, como referi, são cerca de 700 km de alcance, conseguem, sem reabastecimento, ir a longas distâncias, o que claramente é importante quando falamos, por exemplo, do Oceano Atlântico. Aí os Açores têm um papel muito importante, porque se situam numa zona muito importante e que permite nós termos o meio que socorra quem estiver em dificuldades. É claramente um helicóptero muito versátil, é um helicóptero de grande capacidade e é um helicóptero que é claramente uma mais-valia quando falamos deste sistema de busca e salvamento. A esquadra 751, recentemente, no início do ano, assinalou o marco das 5 mil vidas salvas. É uma esquadra que foi criada em 1978, inicialmente equipada com uma aeronave, que era o SA330 Puma, e desde 2005 está equipada com esta aeronave. É uma aeronave que é usada oficialmente nessas missões de busca e salvamento, mas a sua versatilidade permite também que seja usada nestas missões, que é de transporte aéreo, mesmo de vigilância, que vinha a dizer.
Coronel Manuel Costa, há um grande incêndio na zona de Leiria, muito perto de Fátima, há, de resto, até registos no local. Ouvíamos há pouco o nosso repórter João Filipe Cruz a dar conta das cinzas que até caem na zona do santuário. Esta viagem esteve em algum momento a ser equacionado não ser feita por causa deste incêndio?
Há um aspeto importante que regula todas as operações da Força Aérea. Segurança acima de tudo, então quando falamos do transporte de Sua Santidade, claramente que aí adquire uma maior preocupação, mas a segurança é fundamental. Se porventura, a realização do voo estivesse em risco, não seria feito, obviamente. E obviamente que está a ser analisado todas as condições, todos os parâmetros de voo, todos os parâmetros ambientais e atmosféricos estão sempre, constantemente, a ser analisados, não só pela tripulação, mas também pelo Centro de Operações Aéreas, e obviamente, se houvesse algum perigo para a viagem, ela claramente não seria realizada.
Mas podem existir, nestas circunstâncias, não existirão, certamente, de acordo com aquilo que nos está a dizer, mas podem existir condições relacionadas com o fogo que impossibilitem a realização de uma viagem como esta.
Se as condições impossibilitarem a aterragem, claramente que haverá outras alternativas. E se houver qualquer risco na aterragem dos helicópteros no local previsto, obviamente que não será considerado e será encontrada uma alternativa, nem que seja regressar a uma unidade ou a um aeródromo que permita fazer a aterragem com segurança.
Eu estava a fazer-lhe esta pergunta porque na visita que fizemos à Base Aérea do Montijo e quando conhecemos este helicóptero, foi-nos explicado especificamente que, por exemplo, para aterragens ou descolagens à noite, há uma série de procedimentos extra que é preciso desenvolver. Isso é assim?
Sim, tem a ver com as condições do local de aterragem. Como referiram, houve vários testes, várias verificações do local de aterragem, que tem a ver com as ajudas que podem facilitar a aterragem, mesmo com as próprias condições físicas do local. Tudo isso é equacionado. Obviamente que o transporte, o planeamento da missão obrigou a ir a Fátima ver o local, verificar se as condições físicas do local permitiam a aterragem das aeronaves. Obviamente, tudo isto é equacionado, tudo isto é planeado. Muitas vezes não é possível aterrar à noite porque os locais não têm condições para que isso aconteça e, como tal, há essas limitações. E transportando Sua Santidade, claramente que, todos esses parâmetros são analisados ao pormenor e se houver algum parâmetro que não corresponda ao mínimo standard, obviamente que a missão não será realizada.
Neste caso em particular, houve essa ponderação? Chegou a estar em cima da mesa a possibilidade de o Papa não fazer a viagem?
Está a falar relativamente àquilo que está a acontecer em Leiria, é isso?
Sim, estou a lhe perguntar se esta viagem que está a acontecer neste momento, se em algum momento, esta manhã, ontem à noite, esteve em cima da mesa a possibilidade de não ser realizada por causa deste incêndio.
Como eu disse, todas as situações são ponderadas, todos os fatores são analisados. Se a viagem está se a realizar é porque foi verificado que as condições de segurança estão perfeitamente garantidas.
Muito obrigado. Agradeço ao coronel Manuel Costa, é porta-voz da Força Aérea.