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O ano está a chegar ao fim e já tenho comigo o presidente da Comunidade Vida e Paz. Bom dia, diácono Horácio Félix. Que balanço faz deste 2024?

O 2024, como tem sido habitual nos últimos anos, foi um ano extremamente desafiante, porque estamos com dinâmicas novas de pessoas que estão na situação de sem-abrigo, nomeadamente com a questão dos migrantes que vieram à procura do El Dourado e acabaram na rua. Também continuamos com o aumento acentuado do consumo de substâncias psicoativas e o drama do álcool, de facto, continua a ser devastador. Portanto, a juntar a tudo isso, as dificuldades financeiras por que passamos, nomeadamente pela não atualização dos protocolos com o Ministério da Saúde relativos às comparticipações nas comunidades terapêuticas, onde as pessoas fazem os seus tratamentos para as adições, levaram a que fosse um ano extremamente difícil, mas como somos pessoas de esperança, continuamos na luta.

E em termos de números, de dados, quantas pessoas a Comunidade Vida e Paz auxiliou este ano?

Eu aqui no momento não tenho dados do ano inteiro, mas posso lhe dizer que diariamente nós apoiamos cerca de 900 pessoas, divididas entre as pessoas que estão na situação de sem-abrigo, nomeadamente na área de Lisboa, e as pessoas que acolhemos nas nossas unidades, que estão em fase de tratamento, nomeadamente nas comunidades terapêuticas de Fátima e Venda do Pinheiro, nas comunidades de inserção da Quinta do Espírito Santo e também da Quinta da Tomada, onde as pessoas estão a ser preparadas para serem reinsertadas no mercado de trabalho e também nos nossos apartamentos, quer para situações mais críticas das pessoas que estão na rua, quer naquelas que estão em fase de reinserção no mercado de trabalho. Portanto, nós diariamente apoiamos cerca de 900 pessoas.

E quais são as preocupações ou os objetivos da Comunidade Vida e Paz para 2025?

As preocupações estão a nível do cuidado com a pessoa, de encontrarmos formas de chegar a mais, de chegarmos melhor, de criarmos mais espaços para acolhimento e atendimento das pessoas que estão em situação de sem-abrigo ou em situação de vulnerabilidade social. E também a nível da sustentabilidade financeira, nomeadamente a Comunidade Vida e Paz, que passa por uma situação também complexa, como muitas outras instituições, devido à suspensão das políticas de combate à toxicodependência a que vimos assistindo. Esperamos que o ano 2025, com a criação do ICAD, nos traga novas formas de nos ajudar a ajudar o próximo.

E para terminar, que mensagem, que apelo deixa para este final de ano?

Neste final de ano, que todas aquelas pessoas que infelizmente não têm um sítio quente do ponto de vista físico, mas especialmente do ponto de vista emocional e quantas vezes se sentem sozinhas, que encontrem no seu coração aquele menino, aquele Deus que se faz menino e que nasce numa manjedoura, que também ele estava quase sozinho com sua mãe, o seu pai e os seus animais, que também eles saibam, nós estamos com eles, umas vezes mais próximos fisicamente, mas sempre no nosso coração e no nosso pensamento.