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Junta-se a nós neste Jornal das 11, Francisco Ferreira, presidente da Associação Ambientalista Zero. Bom dia, Francisco Ferreira. Obrigado por ter aceitado o nosso convite para estar aqui conosco no Jornal das 11. Como é que avalia o discurso do primeiro-ministro nesta COP28?
É, sem dúvida, um discurso também de circunstância, na medida em que os líderes presentes não vão dizer mal do seu próprio país. E é um fato que Portugal, mesmo assim no quadro europeu e mesmo à escala mundial, tem objetivos ambiciosos, que têm, aliás, vindo a tornar-se ainda mais claros e explícitos, por exemplo, com a antecipação da neutralidade climática de 2050 pra 2045, que está a ser estudada, mas já está assumida pelo governo, também mostrando os investimentos e a cooperação feita com São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, também mencionando aquilo que tem sido o esforço que Portugal tem tido no garantir de áreas de conservação da natureza, quer nos oceanos, quer na área terrestre. E foram múltiplos esses os exemplos. Mas, obviamente, por exemplo, quando nós olhamos para o financiamento, com o que nos congratulamos, obviamente, mas cinco milhões de euros para o novo fundo de perdas e danos, e mesmo uma quadriplicação da contribuição para o fundo climático verde num total de 68 milhões de euros ao longo do tempo, como o Primeiro-ministro mencionou, é muito abaixo daquilo que, mesmo assim, seria de esperar de um país como Portugal, com as suas responsabilidades em termos de emissões históricas e de capacidade financeira.
E Francisco Ferreira, olhando para além de Portugal, o que é que podemos esperar desta COP28? É mais um encontro que está destinado a não ter resultados concretos ou podemos esperar isso?
Não, nós vamos ter resultados, não haja dúvidas em relação a isso. Há sempre resultados nestas conferências, e resultados positivos. O problema é que eles estão muito aquém daquilo que era efetivamente necessário. Ontem o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi muito claro: nós precisamos abandonar o carvão nos países desenvolvidos em 2030 e em 2040 nos países em desenvolvimento. Nós precisamos de neutralidade climática em 2040 nos países desenvolvidos e em 2050 nos países em desenvolvimento. Ora, a própria Europa está 10 anos atrasada em relação a este objetivo. Nós temos, e aqui a questão do Dubai é fundamental, porque é um país do petróleo e do gás, nós temos as empresas de extração, de refinação, com 99% do seu investimento sem tocar nas renováveis, mas sim nos investimentos diretamente relacionados com a produção de combustíveis fósseis.
Francisco Ferreira.
Portanto, nós vamos ter mesmo, realmente, que conseguir resultados, esperam-se, mas sabemos que vão ser limitados.