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Junta-se agora a este jornal Hugo André Costa, é o diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa. Bom dia.
Olá, muito bom dia.
Obrigada por estar conosco. Há alguma informação oficial sobre a posição russa na Estação Espacial Internacional? Há alguma alteração que se conheça oficialmente?
Na realidade, aquilo que acontecia, os planos da Estação Espacial Internacional já eram para terminar em 2024. Os Estados membros estavam a discutir para continuarmos até 2030. E de facto, a Rússia já tinha indicado que tinha os seus próprios planos para a sua estação espacial, iria terminar a sua cooperação em 2024, mas de facto não houve um comunicado oficial. Houve, sim, esse anúncio do novo diretor da Roscosmos, mas nunca chegou a haver um comunicado oficial e, digamos, a nível de trabalho, a informação que existe é que a Rússia irá manter-se até 2028 ou pelo menos até terem a sua estação espacial em funcionamento.
E, portanto, sem qualquer novidade nesse aspecto. Hugo André Costa, este projeto da Estação Espacial Internacional tem estado sempre acima de vários conflitos internacionais e diplomáticos. Estamos numa fase diferente?
Eu diria que ainda não, porque ainda há poucas semanas tive a oportunidade de falar com um dos astronautas que regressou há pouco tempo da Estação Espacial. E aquilo que ele diz é que a vida na estação continua com normalidade. A estação espacial tem sido um palco de cooperação entre os Estados membros. E aquilo que poderá neste momento acontecer é que nós estamos a assistir a uma alteração do setor espaço, onde cada vez vemos mais privados a atuar no espaço e mesmo a nível das estações espaciais, aquilo que nós vamos ver dentro de pouco tempo, são empresas privadas a enviar estações espaciais para o espaço. E aí muda um pouco o paradigma, deixamos de ter os governos a construir estações espaciais, vamos ter os privados. E também aqui nesta lógica, aquilo que está a acontecer é exatamente isso. Os Estados membros estão a se preparar nesse sentido. A Rússia quer avançar com a sua estação espacial. Nós já temos a China, que tem a sua própria estação. E portanto, é de alguma forma, uma evolução deste setor, neste caso, das estações espaciais.
Isso vai mudar tudo e está aqui a recordar como a Rússia já anunciou a intenção de ter uma estação própria. Vamos poder assistir uma nova corrida ao espaço entre vários blocos?
Sim, acredito que principalmente a nível privado.
Mais do que países, mais do que bandeira, teremos privados na corrida ao espaço, é isso?
Neste momento, aquilo que nós falamos das órbitas baixas, aqui à volta da Terra, sim. O regresso à Lua certamente vai acelerar, porque não só a China quer ir até à Lua, mas obviamente a Rússia e os Estados Unidos, nós também europeus, queremos fazer parte. Portanto, aí é capaz de haver uma aceleração numa nova corrida à Lua. E obviamente Marte, diremos que está quase ao virar da esquina e aí vemos também os privados a quererem ter um papel importante.
Com uma crise econômica que parece cada vez mais global, isso afetará de alguma forma esses objetivos no espaço?
Aquilo a que nós estamos assistindo é normalmente estas crises afetam o setor espaço com algum retardo. Não acontece exatamente quando acontece a crise, mas sim uns anos mais tarde. Obviamente, isso poderá afetar um pouco essas ambições, mas com a presença dos privados no setor espaço, acredito que essa aceleração pode diminuir um pouco, mas irá continuar nos próximos anos.