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Este ano não há Paredes de Coura.
É simples, segundo ano consecutivo. A decisão foi tornada pública há pouco. Boa tarde, João Carvalho, é o diretor do Festival Paredes de Coura. O que motivou esta decisão?
Olá, boa tarde. Dizer que Paredes de Coura há. Felizmente, aquilo é um concelho com gente boa, que respira durante todo o ano. O festival é um evento emblemático da vila. Não há festival, mas há Paredes de Coura, há gente humilde, há uma terra bonita para receber as pessoas. O que levou a esta decisão? O que levou foi toda esta incerteza. É um festival que começa a ser preparado com um ano de antecedência. Normalmente, em novembro estamos a fechar os cabeças de cartaz e os principais nomes para a edição seguinte.
Já tinham convidado bandas?
Sim, claro. Ontem e na sexta-feira, passei os dias depois de tomar a decisão a desconfirmar bandas, o que me partiu o coração, porque tínhamos realmente nomes superinteressantes, alguns reconfirmados da edição de 2019, outros novos, como os Mogwai, por exemplo. Sumo, tínhamos uma grande edição em perspectiva. As bandas estavam confirmadas, eram excecionalmente europeias, mas hoje em dia já se pode fazer um grande festival com bandas europeias. Houve tempos que isso não era possível, hoje é possível fazê-lo. Mas a verdade é que toda esta incerteza, todos estes novos casos, este crescimento em Lisboa, estas novas variantes, custou muito, custou sangue, como vocês imaginam.
João, foi uma decisão tomada por vocês, não foi uma decisão imposta, por exemplo, às autoridades de saúde, com quem imagino que estivessem em contacto no sentido de levar por diante o evento este ano.
Foi uma decisão tomada por nós, obviamente que sim, mas também pela falta de respostas do governo, da DGS. Portanto, perante tamanha incerteza e pelo respeito que sempre tivemos pelo nosso público, nós tínhamos ter uma decisão, porque eu sei muito bem que há pessoas que têm as férias marcadas há mais de um ano, há pessoas que estão à espera de resposta, há pessoas que têm casa alugada em Paredes de Coura, há bandas que me pressionavam, porque havia alternativas às datas de Paredes de Coura e precisavam ter uma resposta. Lembro-me, por exemplo, da Low Parks, que era um dos nomes que nem anunciámos. E eu tinha uma facilidade enorme por conseguir a Low Parks, que foi um dos discos que mais ouvi na quarentena. E, de repente, me pressionava exatamente porque tinha alternativas ao Festival de Coura e eu tinha que ter decisões. E perante a falta de respostas da DGS e do governo, obviamente que tivemos que tomar uma decisão, que é a decisão mais triste. Não quero parecer um Calimero, mas fui um lutador. Acreditei até o fim. Quando já ninguém acreditava, eu parecia o maluquinho do escritório, sempre a dizer: "Não, isto vai acontecer, isto vai correr bem". E portanto, é com enorme frustração, mas com enorme sentido de responsabilidade que tomámos esta decisão.
João, e quem já comprou bilhete?
Quem já comprou bilhete, o bilhete é válido para o próximo ano.
O festival do próximo ano.
E quem não quiser ir no próximo ano, quem não tiver essa oportunidade, obviamente, que está assegurado pela lei que será reembolsado.
João, há algumas semanas, aqui mesmo no Observador, admitia a possibilidade de realizar um evento paralelo, de menor dimensão, com menos pessoas. Essa ideia mantém-se de pé ou não?
Sim, é algo que queremos muito fazer, até porque temos um concelho necessitado e carenciado de eventos, um concelho que dependia muito do festival e que está a passar por algumas dificuldades. E também como nós queremos divertir, estamos a pensar sim, fazer algo.
O modelo está fechado e já há alguma data?
Sim, o festival está fechado, está garantido que não vai acontecer.
Não, o modelo alternativo.
Não, o modelo alternativo ainda não está fechado, nem o modelo, nem a data. Portanto, nós não quisemos neste momento foi confundir o festival com outro evento, que é um festival que tem o seu prestígio, é um festival que tem uma história de respeito e consideração e portanto não quisemos neste momento estar a anunciar algo mais para não haver misturas, para não haver confusões. E portanto, sim, queremos fazer e vamos garantidamente fazer alguma coisa em Paredes de Coura. Agora, se me perguntassem em agosto, setembro ou outubro, não sei. Agora sei que vai ser num desses três meses. Queremos fazer alguma coisa marcante em Paredes de Coura e vamos seguramente fazê-lo.
Fica a promessa.
Provavelmente, a partir de agosto, os centros estarão melhor. Provavelmente, a partir de agosto, as pessoas já sentirão outra segurança. Este ceticismo todo terá evaporado. Portanto, é tudo uma questão de deixar passar tempo, porque realmente isto tem estado numa incerteza tão .