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Agora sim, prepare-se para falar. Vamos então ouvir.
O que balanço é que faz da adesão dos portugueses a estas eleições europeias?
Pelo que eu tenho ouvido, a adesão é relativamente maior do que é habitual. E eu creio que é muito importante votar nestas eleições. E é muito importante por duas ordens de razões. Primeira, a União Europeia tem à sua frente desafios enormes que exigem uma resposta capaz, pronta, uma resposta maioritária. E as problemas são, primeiro, a defesa. A segunda é, naturalmente, o desenvolvimento económico de tal maneira que possa perder ou ganhar aquilo que perdeu em relação aos Estados Unidos e à China. E a terceira são, naturalmente, os seus valores e aquilo que tem acontecido em relação às eleições anteriores. A segunda conjunto de razões prende-se, naturalmente, com a situação geopolítica atual. A situação geopolítica atual é, a meu entender, a mais perigosa desde a implosão da União Soviética. Eu diria que é uma situação que qualquer fagulha política pode inflamar e terminar numa guerra de proporções impensáveis.
Acha que neste mandato do Parlamento Europeu seria importante repensar, por exemplo, a NATO e até definir uma política de defesa comum diferente?
Foi o que eu lhe disse. É indispensável que a União Europeia tenha autonomia militar, autonomia estratégica militar. Não é para seguir da NATO, mas é para fora da NATO e para se pôr em condições de responder a qualquer situação que seja modificada aprofundadamente com a eleição nos Estados Unidos.
Gostava de recuperar uma frase sua que diz: "Devemos fazer o que está ao nosso alcance para preservar a democracia." Acha que tem sido feito o suficiente?
Nunca se faz o suficiente. Quando olhamos para o que fizemos e para o objetivo que perseguíamos, concluímos que era sempre possível fazer mais. Aliás, isso é natural do homem, porque o homem é um ser que aprende desde o nascimento à morte. E se aprende sempre, está sempre a aprender, está sempre em condições de fazer melhor. Está sempre em condições de olhar para trás e ver aquilo que fez, embora tivesse sido importante ou relativamente importante, poderia ter sido muito melhor, se porventura tivesse mais conhecimentos, mais motivação, mais ação.
Uma última pergunta: que futuro é que vê para a Europa e para a União Europeia?
A Europa, como sabe, é uma realização impressionante. Impressionante porque juntou povos que passaram séculos em guerra, conseguiu uma unidade, conseguiu constituir-se num grande poder, que pode, obviamente, falar com os outros poderes. Mas para que esse diálogo com os outros poderes mundiais seja eficaz, é indispensável que a Europa seja um grande poder também militar.