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Como é que reages a este pedido de missão?

Não sendo a questão da direcção executiva um assunto estritamente sindical, cabe obviamente a este novo governo decidir se vai manter a estrutura da direcção executiva ou não e, se a mantiver, quem é que vai suceder a esta equipa liderada pelo Dr. Fernando Araújo, que acaba de se demitir. Agora, pela Federação Nacional dos Médicos, o que nós dizemos é que isto, de facto, é uma estrutura que é bastante pesada. Talvez não tenha sido assim tão funcional como tenha sido pensada no início, apesar de tudo, tinha um orçamento próprio que se calhar não se reflectiu em melhores cuidados de saúde para a população. E entendemos que provavelmente também estava com poderes excessivos e que acabou por esvaziar outras estruturas fundamentais, como a Direção-Geral de Saúde, a ACSS, as próprias ARS e o próprio Ministério da Saúde. Sabemos que também houve aqui algumas medidas tomadas pela direcção executiva, como por exemplo, na organização das Unidades Locais de Saúde, que fez com que houvesse até se calhar mais controlo sobre os conselhos de administração de muitos hospitais. Houve aqui também alguma desestruturação sobre o funcionamento dessas unidades da saúde do Serviço Nacional de Saúde. Aliás, a mesma questão das ULS, neste momento, o que sabemos é que estão de tal maneira ainda desorganizadas que até está a haver atrasos nos pagamentos, por exemplo, aos médicos de família. Na zona Centro e na zona Sul do país, os vencimentos nem sequer estão a ser processados adequadamente. E entendemos que toda esta estrutura foi muito pesada, além de que também devido à falta de médicos, o que esta direcção executiva acabou por fazer foi por encerrar, por exemplo, serviços de urgência e mais uma vez acabou por deixar a população a descoberto. Sobretudo na área da saúde materno-infantil, como sabemos, as urgências de obstetrícia, as urgências de pediatria que aconteceram de norte a sul do país no ano passado e ainda têm vindo a acontecer. E o verão ainda há de chegar. Ou seja, independentemente também de qual seja a estrutura, se a direcção executiva se vai manter ou não, se se mantiver a direcção executiva, independentemente de quem a vier governar, isso também vai depender muito dos recursos humanos que existem no terreno, dos vários profissionais de saúde, nomeadamente de médicos, que sabemos que estão em falta no Serviço Nacional de Saúde, de norte a sul do país e nas ilhas. Cabe, obviamente, agora a este novo governo, a esta nova ministra da Saúde, que tem a oportunidade de mostrar que rumo é que quer verdadeiramente para o Serviço Nacional de Saúde, com ou sem direcção executiva, e que rumo é que quer para os médicos. A Federação Nacional dos Médicos está pronta para fazer parte da solução. Aliás, nós temos reunião na sexta-feira, onde vamos apresentar as nossas soluções para termos mais médicos no Serviço Nacional de Saúde, porque sem médicos sabemos que não é possível fazer um atendimento à população.

Portanto, o sucesso de uma nova, futura, eventual direcção executiva do Serviço Nacional de Saúde dependerá, naquilo que é a perspectiva da FNAM, também dos meios, dos recursos humanos que estiverem no terreno, não é?

Exatamente, sobretudo os vários profissionais de saúde, seja a nível dos cuidados de saúde primários, seja a nível dos hospitais, e sobretudo médicos, porque apesar de não haver falta de médicos em Portugal, porque nós somos 60 mil médicos, temos falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde. Destes 60 mil, só 31 mil é que estão no Serviço Nacional de Saúde, sendo que destes 31 mil, 10 mil são médicos em formação, são médicos internos. Portanto, na prática, só temos 21 mil especialistas para assegurar os centros de saúde, para assegurar os hospitais, para assegurar a saúde pública. Isso é claramente insuficiente. Independentemente da estrutura que existir, sem médicos, nós não vamos conseguir ter um Serviço Nacional de Saúde capaz de responder à população