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Junta-se a este jornal Ricardo Aroja, o presidente da AICEP, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Ricardo Aroja, bom dia, obrigada por se juntar. Que impacto é que o conflito neste momento e a escalada do conflito no Médio Oriente pode ter para a economia e para as empresas portuguesas?

Olá, bom dia. O impacto é, desde logo, sentido ao nível do comportamento geral dos preços, acrescentando pressões inflacionistas à situação macroeconómica do país. Apesar de tudo, esses cenários estão sempre contemplados em cenários de adversidade económica descritos em documentos de política pública, como por exemplo, o Orçamento de Estado, de forma que são, a priori, conhecidos e passíveis de quantificação. E depois, naturalmente, têm também impacto na estrutura produtiva do país, na medida em que esses produtos são ainda comumente utilizados em muitas indústrias, sendo no entanto certo que Portugal, hoje em dia, importa petróleo, sobretudo das Américas e de África, não tanto dos países do Golfo, que serão o canal de fornecimento que neste momento estará mais dificultado. Mas Portugal também acaba por exportar produtos refinados, de forma que esta situação, sendo obviamente detrimental do ponto de vista da importação, depois também, de alguma forma, permite ter uma escapatória através da exportação de produtos refinados, cujas margens poderão até aumentar mais em face da situação que se vive.

Mas isto quer dizer que até a própria possibilidade de encerramento do estreito de Ormuz está contemplado aqui nos vários planos de dificuldade que a nossa economia pode atravessar? Está previsto o impacto que pode ter?

O que habitualmente está previsto em todos os Orçamentos de Estado é a possibilidade de existirem cenários adversos do ponto de vista macroeconómica, que depois têm impacto sobre a economia. Portanto, desse ponto de vista, essas situações são sempre antecipáveis e passíveis de alguma quantificação macroeconómica. Do ponto de vista comercial, naturalmente, esta situação impõe, por um lado, pressão sobre algumas empresas no sentido de utilizarem instrumentos, nomeadamente financeiros, de cobertura de risco, que procura acomodar situações em que os preços dos combustíveis aumentam muito. Coloca também pressão sobre as empresas no sentido de instituirem nos seus contratos com os seus próprios clientes cláusulas que permitam reajustar os preços dos bens e serviços produzidos, sempre que há situações deste género. E depois, naturalmente, do ponto de vista da AICEP, também reforça a necessidade e o enfoque que a AICEP tem tido na captação de investimento direto estrangeiro, que permita diversificar as fontes de energia da economia. E nesse aspeto, Portugal tem feito um longo caminho e bastante profícuo e eficaz de captação de investimento nas áreas das energias renováveis e também nas áreas dos biocombustíveis, que podem ser utilizados para transporte naval e também transporte rodoviário. De forma que, neste momento, impõe-se manter a calma. Já sabemos que os cenários que estão a ser traçados vão do relativamente contido até ao mais adverso possível e, portanto, mantendo a calma e percebendo exatamente as circunstâncias que se vivem, convém, obviamente, atuar sobre as variáveis que podemos atuar. E essas, como eu disse, passam por um conjunto de práticas ao nível empresarial que permitam acomodar estes riscos e passam também pela própria política de captação de investimento do país, no sentido de reforçar o enfoque, que como eu disse, tem vindo a ser seguido de forma bastante eficaz ao longo dos últimos anos em Portugal e que leva a que hoje, por exemplo, na eletrificação, 80% da eletricidade que é produzida em Portugal seja proveniente de fontes renováveis, reduzindo também assim o impacto que crises como esta têm sobre Portugal, sendo certo, como eu disse no início, que as exportações portuguesas de produtos de petróleo são sobretudo das Américas e de África