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Para comentar este debate, temos em directo connosco Diogo Novo, politólogo e investigador, autor de estudos sobre Espanha. Boa noite, Diogo. Começo por lhe perguntar quem sai vitorioso e quem sai derrotado deste debate.
A pergunta é pertinente, a resposta normalmente é difícil, mas neste caso é bastante evidente que foi o presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, a vencer o debate. Estranhamente, do meu ponto de vista, Pedro Sánchez, primeiro-ministro em funções, secretário-geral do Partido Socialista, apresentou-se no debate com algum nervosismo, a precipitar-se bastante. Isto surpreendeu-me muito, porque Pedro Sánchez é um homem que liga muito à forma e à imagem associada à política, à forma de debater, aos soundbites. Pedro Sánchez tinha dois grandes temas onde podia ganhar à direita e, portanto, ao Partido Popular. Esses temas eram a economia e a aliança que o PP poderá fazer com o Vox, partido de direita radical, para governar. Estes eram os dois grandes trunfos de Pedro Sánchez. Fracassou em ambos. Na parte económica, Alberto Núñez Feijóo, não negando os bons indicadores económicos, lembrou que Espanha lidera a Europa em matéria de desemprego e nomeadamente desemprego juvenil, que a dívida aumentou e aumentou de forma muito significativa, que Pedro Sánchez aumentou os impostos, que pretende criar portagens. Isto em Portugal não nos diz grande coisa, mas em Espanha são muito raras as autoestradas com portagens. Portanto, Alberto Núñez Feijóo desmontou em grande medida esta espécie de paraíso de Éden económico que Pedro Sánchez falava. Do ponto de vista das alianças com radicais, Alberto Núñez Feijóo também foi muito eficaz a dizer algo que é evidente. Pedro Sánchez tem governado ou governou os últimos quatro anos apoiado na extrema-esquerda do Podemos, nos outros extremismos separatistas catalães e bascos e, em particular, num partido separatista basco chamado Bildu, que é herdeiro da organização terrorista ETA, e é com orgulho. Dá-se o caso de este debate acontecer quando se celebra o 26º aniversário da morte de Miguel Ángel Blanco, um jovem assassinado pela ETA, cujo homicídio comoveu toda a Espanha. Alberto Núñez Feijóo lembrou que hoje se celebra esse 26º aniversário e que Pedro Sánchez está coligado, pelo menos tem uma aliança, com o partido que é sucessor da ETA. Portanto, onde Pedro Sánchez podia ganhar, perdeu, e perdeu de forma muito clara. Alberto Núñez Feijóo, pelo contrário, sereno, bastante eficaz e, portanto, foi um debate que me surpreendeu, porque confesso que esperava mais, muito mais de Pedro Sánchez.
E que momentos é que destaca? Tivemos, por exemplo, Pedro Sánchez a ficar sem resposta ao pedido de Núñez Feijóo de assinar um documento para que o partido perdedor das eleições facilite a investidura do vencedor.
Esse é outro momento surpreendente. Alberto Núñez Feijóo faz essa proposta ainda antes de a campanha eleitoral ter começado. É claro que a proposta não é inocente. Todas as sondagens dizem que o Partido Popular será o mais votado e a uma distância considerável dos socialistas. Portanto, Alberto Núñez Feijóo faz esta proposta com o conforto de saber que o seu partido será o mais votado. Mas ainda assim, em Espanha temos este problema. O bipartidarismo espanhol acabou, portanto, a alternância entre centro-esquerda e centro-direita acabou. Os dois grandes partidos precisam de coligações para criar maiorias de governo e, portanto, tanto a direita como a esquerda têm de se aliar a radicais para garantir estabilidade governativa. Alberto Núñez Feijóo faz esta proposta, que insisto, já tinha feito há várias semanas, de dizer que governa o partido mais votado e o segundo partido líder da oposição cria a estabilidade necessária à governação. Estranhamente, ou pelo menos surpreendentemente, Pedro Sánchez não tem uma resposta. Este foi outro dos momentos que confesso me surpreendeu, porque esperava que passadas todas estas semanas, o presidente do governo espanhol tivesse pensado numa resposta e de facto essa resposta não existiu.
E deste debate é possível tirar conclusões sobre como é que serão as soluções governativas depois das eleições?
Sim, é possível, mas basicamente são as conclusões que já tínhamos tirado antes do debate. Ou seja, o Partido Socialista irá aliar-se ao Sumar, que é uma novidade na política espanhola, uma plataforma que federou vários partidos de esquerda radical, e os socialistas vão se aliar também a separatistas bascos e catalães. Pelo contrário, o Partido Popular já disse que vai tentar governar sozinho, mas também já ficou mais do que evidente que se isso não for possível, fará algum tipo de entendimento com o Vox, seja acordo de incidência parlamentar ou coligação de governo. Portanto, isso que já estava claro antes do debate, clarificou-se.
Agradeço. Diogo Novo, politólogo, investigador, autor de estudos sobre Espanha, esteve connosco a comentar o frente a frente entre o líder do governo espanhol e o líder da oposição.