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Vamos partindo já para a análise com o analista de risco político Diogo Noivo, que está conosco em directo nesta edição. Boa tarde, Diogo.

Olá, boa tarde.

O que estás à espera que o rei de Espanha decida? O facto de Pedro Sánchez ter primeiro deixado o caminho livre para Feijóo tentar uma investidura pode levar Felipe VI a ir por aí, apesar de essa tentativa provavelmente esbarrar depois no Parlamento?

Creio que é o que faz sentido. Não é ao monarca que compete saber se há ou não uma maioria de governo. Essa decisão é do Congresso dos Deputados e, portanto, se Felipe VI tomasse já a iniciativa de propor Pedro Sánchez para a investidura, isso poderia ser antecipar uma decisão que não é sua. Ainda para mais, politicamente, poderia colocar a coroa numa situação difícil. Imaginemos, por hipótese, que Pedro Sánchez chega ao Parlamento e não consegue a maioria. O rei fica numa situação complicada e, portanto, a monarquia e a coroa devem ter um critério tão objetivo quanto possível para propor um candidato a presidente do governo. E esse critério objetivo é aquele que tem funcionado ao longo dos últimos 50 anos, que é o partido com mais votos e mais mandatos, neste caso, o Partido Popular. Portanto, o rei deverá, imagino eu, propor Alberto Núñez Feijóo como candidato à investidura. Muito provavelmente, essa proposta da direita não passará no Parlamento e depois, a seguir, seguindo o mesmo critério, continuando na lista dos partidos com mais votos e mais mandatos, o rei deverá então propor o nome de Pedro Sánchez. Até por uma questão formal e de respeito pelas instituições, parece-me que, a menos que Alberto Núñez Feijóo diga agora na reunião ao monarca que não está disponível para se apresentar à investidura, coisa que não é expectável, diria que faz algum sentido começar pelo PP.

Sendo que depois, havendo a tal proposta de investidura de Pedro Sánchez, há aqui um preço alto a pagar esses acordos com os independentistas.

Pode haver um preço, de facto, muito alto a pagar. Nós, para já, sabemos que o Partido Popular, neste momento, consegue ter 172 deputados. formal do Vox, o apoio formal da Coligação Canária e o apoio formal também da União do Povo Navarro. Pedro Sánchez, neste momento, trancados, portanto confirmados, tem apenas 152 mandatos, os seus próprios, do Partido Socialista e do Sumar. E depois está dependente de partidos catalães e de partidos bascos. Ora, os catalães da Esquerda Republicana da Catalunha e do Junts continuam a insistir na ideia de anistia, e essa ideia é muito complicada, primeiro porque não é claro que ela seja constitucional e depois porque o próprio PSOE proibiu anistias fiscais e o princípio subjacente à anistia fiscal será o mesmo que é agora pedido pelos catalães, e portanto isso coloca Pedro Sánchez numa situação difícil. E, por outro lado, o Partido Nacionalista Basco, que teve ontem audiência com o rei Felipe VI, considerou ser prematuro nomear ou propor já um nome para a investidura. Aliás, o porta-voz do Partido Nacionalista Basco teve uma declaração com alguma graça, porque disse que a única coisa absoluta que existe neste momento é a incerteza absoluta, portanto, que não há a maioria absoluta. E por isso parece que Pedro Sánchez, neste momento, ainda não tem essa maioria, porque os partidos catalães e bascos estão, de facto, a fazer um jogo muito difícil. Pedro Sánchez terá de ceder bastante e isso pode ser inconstitucional, e mesmo não sendo, pode certamente constituir um desafio muito importante ao sistema político espanhol. Portanto, sim, Pedro Sánchez terá de fazer cedências mais uma vez sem precedentes na história da democracia espanhola.