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Perante os surtos que estão a existir de legionella no norte do país, um surto em Caminha e agora um em Matosinhos, com já uma vítima, acha que podem estar relacionados os dois?
Neste momento, não há nenhuma evidência que ambos estejam relacionados, até porque em Caminha não temos identificado mais nenhum caso novo desde quarta-feira, se não estou em erro, e estes dois casos que foram identificados em Matosinhos são utentes institucionalizados numa estrutura residencial para pessoas idosas. E, portanto, a distância é demasiado grande para poderem compartilhar uma mesma fonte, o que torna isto bastante improvável. Podemos estar a olhar para duas ocorrências concomitantes, que nada têm a ver uma com a outra, em princípio, e que aguardam o evoluir das intervenções que estão a ser feitas pela saúde pública.
E qual é o perigo de agora retomarem alguns surtos no resto do país?
Se isso acontece, o risco é igual. Ou seja, em todo o país, desde que haja estruturas que possam ser potenciadoras de desenvolvimento da bactéria, da legionella, pode haver surtos em qualquer parte do país. E por isso é tão importante que todas as entidades que são responsáveis por estruturas de risco, e aqui estamos a falar de torres de arrefecimento, redes de aspersão, estamos a falar de fontes ornamentais, estamos a falar de tudo quanto possa emitir gotículas que possam ser inaladas e estar infectadas com a bactéria, tenham que ser monitorizadas de uma forma bastante controlada. E isso é responsabilidade de cada entidade ter o seu plano de controle de qualidade da água para verificar a presença ou não da legionella e atuar o mais depressa possível. Não esquecer que as gotículas podem também ser emanadas por chuveiros e, portanto, todas as instituições que também têm possibilidades de fornecer instalações sanitárias com chuveiro para os seus funcionários, também devem procurar a legionella nessas redes, porque o chuveiro também produz aerossóis. E manter uma temperatura da água quente, em torno dos 50, 60 graus, para garantir que a bactéria não tem capacidade para se desenvolver. Além do mais, que todas estas estruturas, nomeadamente os terminais dos chuveiros, devem ser desinfetados pelo menos duas vezes por ano, mergulhando os mesmos em água com lixívia e depois lavando muito bem, obviamente, no dia seguinte, para minimizar este risco de desenvolvimento. Há uma responsabilidade por parte das entidades que gerem estas estruturas ou que tenham essas instalações, para controlar e vigiar, acima de tudo, o aparecimento desta bactéria.