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Contamos agora em direto com o politólogo José Filipe Pinto. Obrigada pela disponibilidade. Estamos a escassos minutos de conhecer esta decisão. Infelizmente, não temos tempo neste noticiário para acompanhar em direto essa declaração à partida, mas desde já, José Filipe Pinto, se tivesse de apostar, o que comunicou o rei Felipe VI à presidente do Parlamento Espanhol?
Boa tarde. É complicado, mas eu acho que face à ronda de consultas a que importa dizer não compareceram nem os partidos bascos nem os catalães, o rei dispõe de três opções. A primeira é propor Feijóo para a investidura, cumprindo aquela que é a tradição espanhola desde o regresso à democracia, que aponta para que o vencedor das eleições seja indicado para a investidura. A segunda é indicar Pedro Sánchez, fazendo fé nas suas palavras segundo as quais está em condições de vir a ser presidente. E a terceira é convocar uma segunda ronda para ganhar tempo, ou melhor, para dar tempo a Sánchez demonstrar que efetivamente consegue superar os 172 deputados que manifestam o apoio a Feijóo. Em qual destas opções é que eu aposto? Rejeito a segunda, a indicação de Pedro Sánchez de imediato. Julgo que o rei vai ou indigitar Feijóo ou vai convocar uma segunda ronda. Mas penso que o rei provavelmente irá indigitar Feijóo, porque ele tem consciência que as contrapartidas que vão ser exigidas pelos partidos catalães, principalmente pelo Junts, são muito mais difíceis de satisfazer do que aquelas que valeram ao PSOE a vitória na eleição da Mesa do Congresso. E por quê? Porque agora não está apenas em causa a formação de grupos parlamentares próprios, com o consequente encaixe financeiro, nem a promessa de fazer do catalão, do galego e do basco línguas oficiais, tanto a nível interno como a nível comunitário. Agora a situação é muito mais grave. Isto não é já uma questão de esquerda e direita, é mais profundo, porque envolve a questão da manutenção da integridade territorial de Espanha. E repare, o sanchismo, como reconheceu o antigo dirigente socialista, o Nicolás Redondo, está refém de um fugido, Puigdemont. E esse fugido à Justiça é que vai decidir, provavelmente, o futuro de Sánchez à frente ou não do governo. E repare, através do Sumar, o que nós estamos a assistir? É que o sanchismo está a procurar encontrar uma fórmula que satisfaça, ainda que incompletamente, as pretensões dos catalães, mas que não vá colidir diretamente ou abertamente com a Constituição. Eu penso que será uma tentativa para segundas núpcias, porque aplicando o artigo 99, hoje o rei já comunicou à presidente do Congresso o nome ou a impossibilidade de indicar esse nome. A partir do momento em que o rei indicar esse nome, nós já percebemos que tanto Sánchez como Feijóo aceitam a indigitação, a nomeação, a proposta. E por isso mesmo, a partir daí começa a contar o tempo. Por quê?
E dizer que seja qual for a decisão, o impasse político não vai acabar aqui.
Não vai acabar, por quê? Porque provavelmente aplicando outra vez o artigo 99, o que vai acontecer é que o candidato proposto vai submeter-se à votação do Congresso dos Deputados. E repare, o rei só nomeia presidente se ele tiver maioria absoluta à primeira votação ou maioria simples à segunda votação. Feijóo tem neste momento 172 deputados. Não tem, a meu ver, possibilidade de conseguir a abstenção de nenhum dos grupos. Portanto, na primeira volta nunca será eleito. Na segunda volta dificilmente o poderá ser, porque isso implicaria, por exemplo, que os grupos separatistas nacionalistas, pelo menos um deles, se abstivesse, coisa que eu não acredito. Então voltamos ao início e voltamos ao cenário em que o rei vai ouvir novamente os candidatos e vai ouvir novamente os grupos parlamentares. E ao ouvir os grupos políticos com representação parlamentar, se é que está correto, vai indicar um segundo nome. Aí provavelmente, não, aí seguramente, Pedro Sánchez. E vai repetir-se o processo. E Pedro Sánchez precisará ou dos votos totais dos separatistas bascos e catalães, junto com os do Sumar e os do PSOE, ou, no caso de uma abstenção de um desses grupos, implicará uma segunda volta. E nessa segunda volta vai precisar na mesma de uma abstenção. Se houver a abstenção do Junts, vai precisar de mudar o voto canário. E esta questão é fundamental para percebermos. O sanchismo capturou o poder em Espanha e tudo está a fazer para se manter no poder. Mas repare, a partir do momento em que fracassa a primeira investidura, começa a contar o tempo de dois meses a partir da primeira votação da investidura para tentar, portanto, resolver o problema. Se não acontecer isso, vamos ter a dissolução de ambas as Câmaras e a convocação de novas eleições. Muito provavelmente será esse o cenário que se colocará no horizonte dos espanhóis.
Depois deste impasse todo, se calhar Espanha vai novamente a eleições. José Filipe Pinto, não temos mais tempo agora para continuar a análise, mas de facto, daqui a poucos minutos vamos conhecer essa decisão da parte do rei de Espanha do nome a propor para a investidura. Vai ser comunicada pela presidente do Parlamento Espanhol.