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Rita Matias, é deputada pelo Chega à Assembleia da República. Os jovens do Chega foram hoje agredidos, impedidos de fazer uma ação política na Nova FCSH. Foi isso que se passou? Esteve presente, pode contar ao detalhe?
Bom, os jovens do Chega têm estado ao longo desta semana a fazer várias visitas a várias universidades, porque começou a greve estudantil climática, e temos feito também um conjunto de ações em várias faculdades para tentar falar da importância de despolitizarmos o ensino. Neste sentido, já fomos à Faculdade de Letras, à Faculdade de Direito, hoje fomos à Nova FCSH, e a ação estava a correr manifestamente bem, procedemos à nossa entrega de flyers, conseguimos estabelecer conversas com alguns alunos, até fazer novas militâncias. Mas no final da ação, quando já nos preparávamos para sair e para abandonar a faculdade, fomos rodeados por um conjunto de ativistas que ali estavam, também climáticos, a proceder à realização da ocupação do espaço da universidade, e uma vez rodeados por várias faixas e vários estudantes, estávamos impedidos de passar em condições de segurança. Esse cerco foi ficando cada vez mais apertado, até que acabou mesmo por se consumar numa ação de violência, onde fomos empurrados, parte do grupo acabou mesmo por ser empurrado para fora da universidade. Eu ainda consegui permanecer dentro, porque fui empurrada contra um poste que lá estava, uma informação sinalética, portanto daquele pilar não conseguiam empurrar mais. E durante estes empurrões, naturalmente, pontapés, garrafas e objetos que foram arremessados, líquidos que nos foram despejados para cima, manifestando o desagrado pela ação que a juventude Chega ali estava a dinamizar, que no nosso entender é lamentável, porque a ação já tinha cumprido os seus propósitos, já tínhamos tido conversas interessantes, tínhamos distribuído as nossas informações e estávamos em condições de partir para o nosso dia a dia normal.
Já quando foi a manifestação pela habitação, tinha acontecido um caso parecido com membros do Chega. Na altura falou-se em provocação. Faz sentido?
Na altura falou-se em provocação porque a manifestação era convocada por grupos, grupos também mais conotados politicamente, ideologicamente, em espectros mais afastados ao Chega. Apesar dessa conotação como provocação, não o considero, porque o direito à habitação é um direito constitucional e portanto todos devemos e temos que sair à rua quando sentimos que esse direito não é garantido. E os deputados eleitos pelo partido Chega assim estavam a mostrar a sua solidariedade, não num gesto de provocação, mas porque até neste âmbito da habitação há propostas comuns, propostas de limitação dos lucros da banca, propostas de tentativa de ajudar as famílias no pagamento dos seus créditos à habitação e, portanto, foi numa tentativa de olhar para os pontos comuns que os deputados ali estiveram. Hoje a juventude do Chega foi a uma universidade, como tem ido ao longo dos últimos dois anos a uma série de universidades e como continuaremos a ir. E não pode ser levado como uma provocação, porque as universidades não são nem de esquerda, nem de direita. E essa é a mensagem que nós temos tentado passar. E sabemos que na FCSH, porque também temos um núcleo de estudantes universitários lá, eu própria também sou estudante lá na FCSH, temos cá um conjunto de alunos de direita que têm vergonha de assumir aquilo que pensam politicamente, porque sentem que há uma maioria de esquerda que não é tolerante às suas ideias e que não abre espaço para que essas ideias possam ter lugar naquele espaço. E isso pra nós é motivo de combate de ideias, é motivo de permanecermos, de continuarmos a fazer este tipo de ações para que se perceba que em democracia todos têm que ter lugar, à esquerda e à direita, e não é concebível que um espaço de produção de saber, que um espaço de ensino, tome de ponta determinados alunos por pensarem o que quer que seja. E é neste sentido que temos estado a ir, e que continuaremos a ir, porque esta ação não será, de todo, a nossa última ação. Vamos continuar a ir às faculdades conforme tínhamos previsto, para passar esta mensagem de que todos têm que ter lugar em democracia, nomeadamente também os jovens de Chega, os jovens de direita, os jovens conservadores, os jovens que não se identificam com estes movimentos e com a monopolização que fazem dos espaços de ensino.
Estamos, por isso, perante um caso de intolerância, é isso?
É, infelizmente, não esperava viver para isso. Acho que a nossa geração é uma geração que já nasceu com direitos adquiridos, ao contrário da geração dos nossos avós e pais, que tiveram que lutar por esses mesmos direitos. E é lamentável perceber que rapidamente rasgamos todos estes direitos que foram tão difíceis de conquistar, e que rapidamente adotamos posturas totalitárias, autoritárias, onde dizemos que há alguns que não têm lugar. E isso não é possível, mostra uma sociedade que não é saudável, e acima de tudo uma geração que também não está saudável porque não conhece o sentido da democracia. E, portanto, nós continuaremos a alertar para estes factos e a fazer todos os possíveis por restituir, de facto, a liberdade de podermos afirmar aquilo que pensamos também no nosso país.
E como é que a questão foi resolvida hoje? Tiveram que chamar a polícia, como é que tudo acabou?
Sim, quando ficamos cercados e quando a violência foi crescendo, acabamos por chamar a polícia, por questões de segurança. Não havia sequer possibilidade de abandonar o espaço sem ter que passar por aqueles que se manifestavam contra nós, e isso não oferecia condições de segurança. A polícia prontamente chegou ao local. A direção da faculdade tentou que a polícia ficasse do lado de fora para evitar, eventualmente, uma escalada de violência. Acabei mesmo por ser convidada a dirigir-me lá fora para conversar com os polícias. Portanto, a dado momento, deixei parte da minha equipa de jovens dentro da universidade completamente rodeados, e dirigi-me ao exterior para conversar com os polícias. Nesse momento, houve uma tentativa por parte da direção de apelar aos líderes da organização de ativistas climáticos que ali estavam para saírem para o exterior também e dialogarmos e tentarmos chegar a um consenso para que se procedesse à identificação, porque nós queríamos que fossem identificados os agressores que haviam pontapeado, derramado água, atirado objetos contra o nosso grupo. Não sendo possível, porque ainda esperámos um pouco, não sendo possível chegar a vias de diálogo com esses ativistas, acabei por reentrar dentro da faculdade acompanhada então pelos agentes da autoridade, que prontamente se disponibilizaram para realizar o seu papel e identificaram alguns dos agressores, os possíveis, no meio da confusão também é difícil identificar de onde provêm então os pontapés, os arremessos, tudo mais, mas aqueles que foram possíveis foram identificados e quando oportuno vamos formalizar então a queixa