Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Antes de irmos à estratégia nacional propriamente dita e às expectativas que tem para que seja resolvida a situação das pessoas sem abrigo em Portugal, queria perguntar o perfil destas novas pessoas que estão na rua, porque há relatos de que antigamente havia muitos toxicodependentes na rua e que esse era o principal perfil das pessoas que viviam na rua, mas hoje em dia há pessoas que são empurradas pra pobreza e que até estavam integradas socialmente.
Esta estratégia nacional para a integração das pessoas sem abrigo é de extrema relevância e grande atualidade. Efetivamente, o perfil das pessoas que hoje não têm abrigo, portanto, não têm casa ou não têm teto, alterou-se radicalmente e não são apenas as pessoas que têm doença mental ou que têm consumo, seja de álcool, seja de drogas, que estão numa situação de sem-abrigo. Nós temos hoje, e isto é muito claro e é fácil até de identificar, um conjunto de pessoas que têm trabalho, mas que não têm onde morar e, portanto, são pessoas que não estão na rua por opção, mas que não têm alternativa. E é precisamente esta segmentação, esta diferenciação do perfil, que vai fazer com que esta estratégia nacional possa ser mais abrangente. Eu ainda não conheço, mas certamente é mais abrangente, porque há aqui uma segmentação entre estes dois tipos de pessoas que são realmente um perfil completamente distinto daquilo que existia há cinco anos. E o conhecimento da realidade faz com que possamos ter soluções que sejam mais apropriadas a resolver o problema.
E esta estratégia é mais abrangente? Ou seja, vai haver então novas medidas ou novas formas de abordar este problema, tendo em conta que o perfil alterou-se radicalmente, pegando nas suas palavras.
Eu suponho que sim, que vai haver uma abordagem completamente diferente do problema, segmentando a característica das pessoas que hoje não têm casa ou não têm teto. A realidade nas cidades é completamente diferente em regiões como, por exemplo, Beja ou algumas cidades ou vilas do Algarve, onde há muitas pessoas que vêm trabalhar, por exemplo, na agricultura, têm trabalho sazonal, não têm habitação disponível ou têm uma habitação muito precária e acabam até por ocupar casas que estavam abandonadas, mas sem qualquer tipo de condições, sem água, sem luz, e acabam até por ser elementos que são, de alguma forma, estranhos, integram-se pouco nas comunidades, mas são pessoas que querem trabalhar, que trabalham, precisam trabalhar e, sobretudo, que nós precisamos destas pessoas e portanto temos que as acolher, dando-lhes todas as condições e exigindo até de quem as contrata, as condições para que não tenham que viver nesta situação, que é degradante. E portanto, temos que separar as pessoas que estão na rua porque têm falta de casa ou falta de condições de habitação, ou aquelas que estão por outros fatores como a doença mental ou consumo.