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Isso mesmo, é exatamente no sítio onde me encontro, onde vão chegar os alimentos para depois serem organizados. Mas melhor do que eu, quem nos vai explicar o que aqui vai acontecer é a presidente do Banco Alimentar, que está aqui comigo, Isabel Jonet. Bom dia. Aqui neste fim de semana de campanha, um fim de semana especial para o Banco Alimentar, o que se vai passar neste espaço onde nos encontramos agora?

Olá, bom dia. Estamos no armazém do Banco Alimentar contra a Fome de Lisboa, um dos 21 bancos alimentares que estão a fazer campanha este fim de semana. E nestes armazéns ou nestas regiões, é exatamente igual em todas elas. Vamos ter voluntários, devidamente identificados com a camisola do Banco Alimentar, que vão convidar os portugueses que vão às compras em mais de duas mil lojas, a uma partilha com os mais carenciados da sua região. E esta campanha do Banco Alimentar é precisamente isto, é uma campanha de angariação de alimentos básicos, mas é sobretudo um sensibilizar de toda a população para o fato de haver muitos portugueses que têm ainda falta de comida à sua mesa.

Agora ainda está bastante calmo, os supermercados acabaram de abrir, os voluntários ainda estão aqui a preparar tudo para receber os alimentos, mas estamos a falar de um número de quantas pessoas hoje, aqui nos supermercados, a ajudar?

Em todo o país temos 21 bancos alimentares, esperamos 40 mil voluntários, duas mil lojas e esperamos recolher em torno de 1600, 1700 toneladas de alimentos no final do domingo. É um fim de semana muito intenso. Primeiro porque é uma exigência muito grande estar nos supermercados, e eu deixo aqui um agradecimento público aos voluntários de todas as idades, com todas as convicções, que ombro a ombro querem participar nesta grande rede social real que o Banco Alimentar propõe aos portugueses já há 33 anos. E, portanto, é muito duro estar muitas horas, desde as 08h às 23h, nos supermercados. Temos turnos, temos muitos grupos, temos escolas, temos escuteiros, temos empresas, temos pessoas espontâneas que aparecem, mas depois é preciso transportar tudo aquilo que é doado. Temos transportes organizados por nós, controlados por nós, desde a loja onde a pessoa doou o seu produto, até ao armazém da sua região. No armazém é tudo pesado por origem, sabemos exatamente aquilo que entra por cada supermercado e depois é separado por tipologia de produto e arrumado e tudo pesado. À meia-noite de amanhã saberemos exatamente quanto é que os portugueses contribuíram.

São campanhas que o Banco Alimentar faz precisamente para corresponder a pedidos de ajuda de muitas famílias. Esses pedidos têm aumentado?

Esses pedidos não têm diminuído, o que para mim é muito preocupante, porque há um conjunto de apoios sociais que foram implementados e que, apesar de tudo, temos hoje mais idosos que têm um pouco mais de fôlego, mas mesmo isso não é suficiente. Mas hoje em dia temos muitos trabalhadores pobres. E quando falamos de trabalhadores pobres, estamos a falar de famílias com crianças, porque estamos a falar de famílias com idade ativa e que têm muitas vezes crianças pequenas. Então não têm dinheiro suficiente para chegar ao fim do mês e procuram o apoio do Banco Alimentar.

E do lado de quem ajuda, tem sido uma ajuda constante, sente também variações nessa atribuição de ajuda, na contribuição que as pessoas fazem?

Há como que um pacto entre os bancos alimentares e os portugueses. Os portugueses confiam nos bancos alimentares e sabem que não é preciso darem muito, mas que é preciso serem muitos a dar. E portanto, aquilo que nós temos verificado ao longo dos anos é que os portugueses dão sempre, mesmo que por vezes não possam dar três ou quatro produtos, dão um ou dois. E temos casos extraordinários de pessoas que não podem dar porque não têm dinheiro, mas que vêm dar o seu tempo sendo voluntários no supermercado ou no armazém. Pessoas que recebem ajuda, mas que querem retribuir com trabalho nas grandes campanhas. Hoje temos três formatos de campanha: a campanha com voluntários e com o saco no fim de semana, hoje e amanhã, mas depois temos uma campanha com vales que se prolonga até dia 8 de junho e também num canal online em alimentaestaideia.pt, onde propomos a quem não gosta hoje de ir às compras e gosta mais da solução online, há muitas pessoas que preferem fazer compras na internet, que contribuam para o Banco Alimentar online como se estivessem no supermercado, ou quem está fora do país, e são muitos os portugueses que saíram do país e que querem contribuir para o Banco Alimentar, que pode fazê-lo com facilidade em alimentaestaideia.pt.

E ainda há pouco falávamos das altas temperaturas que têm estado estes dias e que estão também este fim de semana. É natural que as pessoas, em vez de recorrerem aos hipermercados, recorram mais às praias, por exemplo. Isto é uma coisa que preocupa o Banco Alimentar, que possa diminuir, de alguma forma, as contribuições?

Nós sabemos que vamos ter um esforço acrescido este fim de semana. Temos um grande concorrente que é a praia e o bom tempo, felizmente, chegou. E sabemos que há muitas pessoas que estão desejosas de apanhar sol. Mas também sabemos que essas pessoas, se não forem durante a tarde, vão à noite ou vão amanhã. E, portanto, aquilo que nós sabemos é que quem quiser contribuir para o Banco Alimentar não vai deixar de o fazer, porque sabe que ao doar alimentos ao Banco Alimentar, está a levar alimento à mesa de uma família que, como diz a nossa campanha de comunicação este ano, são pessoas que têm um nome, não são números. O Banco Alimentar chega à mesa de pessoas que têm um nome, o mesmo nome que nós. E, portanto, são pessoas que graças a quem é solidário, vão ter uma vida um pouco mais aliviada.

A vontade de ajudar não supera o calor das praias. Isabel Jonet, muito obrigada por este tempo que esteve aqui a falar conosco. De recordar que a campanha do Banco Alimentar decorre até ao final do dia de amanhã em todos os supers e hipermercados