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Temos conosco o Pedro Adão e Silva. Como é que olha para este processo disciplinar instaurado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol?

Com preocupação. O que está aqui em causa não é apenas o processo disciplinar a uma jornalista em particular, num momento específico, é algo mais preocupante, que é um direito inegociável, que é o direito dos jornalistas fazerem todas as perguntas que aprouver. Os jornalistas devem poder sempre colocar todas as questões que quiserem, da mesma forma que quem é entrevistado pode declinar responder. O que nós não podemos aceitar é que se condicione esse direito e muito menos que esse direito seja condicionado através de um processo disciplinar. É uma matéria muito sensível e que coloca em causa e ameaça princípios constitucionais que são inegociáveis.

E o governo já falou com a Federação de Futebol no sentido de tentar voltar atrás com este processo?

Não. Eu tenho a tutela da comunicação social e, por isso, tenho também o dever de garantir que os princípios em que se fundam as sociedades democráticas, plurais e liberais, são garantidos. E a liberdade de informação e os direitos dos jornalistas são um princípio fundamental e não se prende apenas com este caso. Acho que este caso é particularmente preocupante e também serve de alerta, considerando que estamos a falar de futebol, o que gera o interesse e a atenção de muita gente, mas é uma questão que nos deve preocupar a todos coletivamente. Aquilo que eu faço é apelar a que o Conselho de Disciplina da Federação reconsidere esta sua posição, que objetivamente condiciona a liberdade dos jornalistas trabalharem. E essa liberdade dos jornalistas trabalharem é mesmo fundamental para o funcionamento das nossas sociedades.

E também esta regra da liga devia ser revista, na sua opinião não faz sentido?

É uma matéria que já me ultrapassa, mas objetivamente, os jornalistas não suspendem nunca a sua condição, muito menos quando estão a entrevistar. E, portanto, não pode haver um regulamento disciplinar que se sobreponha a um princípio constitucional e muito menos o jornalista pode ver as suas ações condicionadas no book disciplinar como se fosse um defesa central ou um lateral esquerdo que conhece os castigos a meio da semana depois da jornada futebolística. Isso é inaceitável.