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Francisco Georges, gostava de saber, foi Diretor-Geral da Saúde na altura do surto em Vila Franca de Xira, que medidas acha que a DGS poderia tomar para prevenir que este surto no norte do país se alastre?
Aquilo que lhe posso dizer sobre o assunto é que os serviços que dependem da Direção-Geral da Saúde bem conhecem o problema e estão devidamente equipados e têm conhecimentos para resolver a questão. Tal como aconteceu em 2014, quando ocorreu uma grande, a segunda maior epidemia na história a nível mundial, em Vila Franca de Xira, onde se registaram 400 casos confirmados com 14 óbitos. Na altura, a solução foi encontrada quando se descobriu a fonte da infeção. E é exatamente esta a questão principal: é detetar a fonte onde está o problema que dá origem à emissão de aerossóis contaminados. A doença dos legionários é potencialmente grave. Quando se verificam casos desta natureza, há sempre óbitos que se registam, em particular acima dos 50 anos e muito em especial entre fumadores. Há aqui, portanto, estes fatores de risco que têm a ver com a idade e com o tabagismo. Realço que todas as cidadãs e cidadãos devem conhecer o modo de transmissão da doença dos legionários, uma vez que é possível ter cuidados preventivos que possam reduzir o risco de adquirir a infeção. É preciso saber que se trata de uma infeção que se transmite por via aérea, mas através de gotículas, desde que estejam contaminadas com a bactéria. Acontece, porém, que a água com a bactéria, portanto, a água contaminada, que seja ingerida, não provoca a doença. Tem aqui uma maneira bizarra de transmissão, que é através da respiração, da inalação dessas partículas, dessas gotículas, que têm dentro de si a bactéria e provoca a infeção, sobretudo naquelas pessoas mais vulneráveis. É preciso, antes de mais, perceber e identificar onde está a fonte que emite gotículas, aerossóis contaminados e, uma vez identificada, encerrar essa fonte.