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Decorre este fim de semana, 28, 29 e 30 de junho, mais uma edição do Lisbone. Vamos conversar com isso nos próximos minutos. Estamos com o Zé Diogo, diretor do Lisbone, que acontece em Monsanto. Transforma-se Monsanto numa pista de dança no Jardim Quel do Amaral. Zé Diogo, bem-vindo. O que podemos esperar da edição deste ano? Alguma novidade face às edições anteriores? Sabemos que é um fim de semana em que Monsanto se transforma numa autêntica pista de dança.
É verdade, Miguel. Bem, o Lisbone festeja já esta sexta, sábado e domingo, o seu 10º aniversário. São 10 anos de Lisbone. Não são 10 edições, porque a pandemia fez trocarmos as voltas às edições, mas são 10 anos. A primeira edição foi em 2014 e encontramo-nos em 2024 com três dias de festa, com três palcos, no jardim mais bonito de Lisboa e mais florestal de Portugal, se pudermos dizer assim, um jardim urbano, o Jardim Quel do Amaral.
Fala sobre palcos, dimensão. Estamos a falar de algo semelhante ao que aconteceu em edições anteriores, por exemplo, no ano passado?
Sim, vamos manter os três palcos, ou seja, a localização dos três palcos vai ser exatamente a mesma. Os palcos Secret, que este ano são apoiados pela Carlsberg Secret Stage, e o Lake Stage serão idênticos, sendo que o principal terá uma dimensão reforçada. A grande diferença a nível do festival é este upgrade que nós conseguimos fazer no festival, no cartaz, muito por causa da procura que o Lisbone tem tido desta nova música, da eletrónica, que agora toda a gente quer ouvir. Que, de facto, está a criar novos artistas, está a criar talentos que nós não fazemos ideia. Todos os dias eu tenho a sorte de conhecer talentos tanto nacionais como internacionais e, de facto, o Carlsberg Secret Stage, a grande novidade este ano é isso mesmo. O que é que vamos fazer? Vamos dar voz, ou vamos dar vinil aos maiores talentos emergentes que nós acreditamos que estão este ano em Portugal. E isso é feito através de três showcase. Na sexta-feira através da Collect, que é uma loja de discos, uma record shop bastante conhecida em Lisboa. No sábado através do Vago, também um bar de clubbing em Lisboa, e no domingo com a icónica Bloop, que festejou em 2024, 17 anos de festas, e o Ministério Club, com 12 anos de clubbing underground, que vão trazer alguns dos maiores artistas portugueses para o palco.
Olhando aqui para o cartaz, de facto, há vários nomes portugueses. Há sempre esta tentativa de fazer um equilíbrio entre artistas internacionais, artistas portugueses?
Sim. Eu digo muitas vezes que temos que ser honestos com o próprio público e com o que nós acreditamos. Muitas vezes, o que gostamos mais de forma pessoal, é música que se enquadra no nosso estilo, se calhar mais underground, mais minimalista, mais experimental. No entanto, uma dimensão e uma estrutura como o Lisbone tem de sempre ter associado pelo menos um ou dois nomes grandes por dia. E é a isso que o Garden Stage responde. O Garden Stage é um palco muito forte a nível de amplitude de eletrónica, ou seja, vamos encontrar um pouco de house, um pouco de techno e dentro do techno, vamos ao techno melódico e acabamos domingo, por exemplo, com Annie Dijon, the queen of house and disco, que consegue ter essa amplitude muito grande. Enquanto se calhar no Lake é mais techno, tem mais uma vertente focada no nicho. Mas esta dimensão que o Lisbone tem vindo a ganhar nos últimos 10 anos, está manifestamente visível no Garden Stage. No Anfiteatro Quel do Amaral, que é o palco com maior capacidade, em que este ano conseguimos com Adriatique, com CamelPhat, com Uma Vu, com Annie Dijon, com Fulla Moor, com Elderbrook, por exemplo, que é a primeira vez que vem a Portugal, dar esta dimensão e esta magnitude ao evento.
Já falámos aqui um bocadinho do cartaz. A nível da organização, estamos a falar de um festival em Monsanto, importa sempre falar sobre isto. É um festival que tem as suas preocupações ambientais e que garante também que depois deste fim de semana de muita dança, muita música, tudo fica também limpo em Monsanto.
Tudo. Nós somos coparceiros da Câmara Municipal de Lisboa, é um parceiro institucional desde o primeiro ano e de facto temos este compromisso social e ambiental para com a Câmara. Social no sentido que o festival é cashless, ou seja, qualquer pessoa para entrar no festival tem que usar uma pulseira, que é trocada por um bilhete, na bilheteira, e só pode consumir através do que carregar nessa pulseira. Tudo o que essa pessoa deixar e não quiser levantar, ou seja, não quiser fazer um refund, todos os fundos que estiverem nas pulseiras, vamos juntá-los e vamos reverter em 100% para a Casa dos Animais de Lisboa e o CRAS, o Centro de Recuperação de Animais Silvestres, que são ambas localizadas em Monsanto. Ou seja, esta é a nossa causa social, o nosso apoio social que nós temos para com a Câmara. Os compromissos ambientais: trabalhamos com várias associações ambientais, algumas até em Monsanto, que é o caso da ASPA Associação de Ensino Ambiental, que vai estar presente este ano através de uma pequena formação no jardim sobre sustentabilidade ambiental e temos um compromisso para com esta mesma associação, durante o ano fazemos várias atividades com escolas locais, com universidades, desde plantação de escolas, desde plantação de árvores até algumas atividades mais lúdicas e pedagógicas.
Só para terminar, há sempre esta questão em todos os festivais, aqui não é exceção, principalmente por estar dentro do pulmão da cidade, onde os acessos nem sempre são os melhores. Qual é a melhor forma de chegar ao Lisbo'a?
A melhor forma de chegar ao Lisbo'a, que é o que nós pedimos todos os anos a todos os jardineiros que nos visitam, primeiro, temos um shuttle que este ano está reforçado pela Carris, que vai desde o Marquês de Pombal até ao recinto, ou seja, o primeiro shuttle é às 15h30 e que a partir das 15h30, de 20 em 20 minutos, cada autocarro pode levar os jardineiros para o recinto. A viagem é de ida e volta, ou seja, as pessoas podem ir para o festival e podem voltar para o Marquês de Pombal e no Marquês de Pombal têm metro, têm Ubers, etc. Temos uma segunda solução, que é táxis e GTVF. É uma solução mais prática, mas também temos um parque preparado para receber estas viaturas. A única solução que nós não aconselhamos de todo, até porque é Monsanto, são acessos muitas das vezes mais estreitos, as pessoas tendem a estacionar de forma errada, é a viatura própria. A viatura própria é algo que não traz nada de positivo para Monsanto. Nós queremos que o jardim esteja cheio de pessoas a dançar e a divertir-se. Não vale a pena pegar no carro depois de uma festa tão bonita. E de facto vai gerar aqui alguma confusão, porque não só vão muitos carros para Monsanto, que é uma coisa que nós gostaríamos de evitar, como também vão estacionar indevidamente e a polícia pode rebocar carros, é algo que nós não queremos. Para quem leva mesmo o carro, temos a Avenida da Universidade Técnica, cinco minutos do recinto, onde podem ir a pé.
Muito bem. Está tudo dito sobre este Lisbo'a. Acontece este fim de semana, 28, 29 e 30 de junho, festival para fechar este mês, no arranque do verão. Acontece em Monsanto, em Lisboa, Jardim Kale do Amaral