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Para quem não conhecia, quem era a Maria Teresa Horta como pessoa e como escritora?

Maria Teresa Horta é um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Era uma poetisa e uma ficcionista incrível, que não teve, porventura, o reconhecimento que deveria ter tido do ponto de vista dos prêmios, do ponto de vista do interesse da academia. Importa dizer isto porque a Teresa merecia ter tido muito mais do que aquilo que teve. É uma mulher importantíssima para nós, mulheres jornalistas e para nós, mulheres escritoras, e para todas as pessoas que advogam a causa feminista, porque ela sempre teve esse posicionamento de lutar pelos direitos das mulheres. Sempre. Foi, desde sempre, uma causa da Teresa, mesmo antes do 25 de abril, e foi penalizada por isso. O fato de ser feminista não contribuiu grandemente para ter uma aura de grande escritora, porque este país também não premeia as pessoas que têm voz. E a Teresa tinha uma voz, e uma voz muito específica, muito forte. Eu espero que a obra dela seja revisitada e estudada e que ela dure para sempre, porque há autores que duram para sempre. Estou convencida que a Maria Teresa Horta será uma deles.

Na nota do falecimento da escritora, falava-se de uma perda incalculável para a literatura, para a poesia, para o jornalismo e para o feminismo. A Maria Teresa Horta resume-se nessas quatro vertentes ou era uma pessoa que ia muito mais além disso?

Não percebo muito bem a pergunta, confesso, porque ninguém se resume só a quatro partes ou a três partes ou a duas partes. As pessoas são um mundo imenso de coisas. E a Teresa era um mundo de coisas. A Teresa era uma mulher que adorava o cinema. Foi a primeira mulher cineclubista deste país, era uma mulher que adorava conversar, era uma mulher que adorava viajar, que se interessava por tudo, que tinha uma grande paixão por pintura. Portanto, não podemos reduzir a Maria Teresa a três ou quatro coisas. Obviamente, tinha uma grande paixão pelo jornalismo. Foi jornalista até o fim, porque é uma forma de ver o mundo. Não se está jornalista, é-se jornalista e a Teresa era jornalista. E foi também muito pioneira nos jornais, porque foi das primeiras mulheres a ocupar as redações dos jornais. É preciso dizer que as mulheres até à década de 60 do século XX não tinham como entrar nas redações de jornais. Portanto, também nisso a Teresa foi pioneira. É uma perda incalculável, é um facto.

Que legado deixa a Maria Teresa Horta neste dia e para o futuro, como escritora?

O legado da Maria Teresa Horta é um legado de liberdade, é um legado de convicções, é um legado de democracia, é um legado de poesia, é um legado de literatura, é um legado de conversa, de diálogo, de estabelecer diálogo, de sermos maiores que nós próprias e que as nossas convicções, estarmos disponíveis para o outro. Esse também é o legado da Maria Teresa. A obra que ela deixa é imensa. Ela começou a publicar nos anos 60, ela tem uma obra muito extensa e eu espero que haja uma reedição e todo um carinho e acompanhamento para revisitarmos a obra e ela chegar às novas gerações.

Patrícia, muito obrigado por um tempinho conosco.