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Junta-se a nós, em direto, Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM. Boa tarde, Joana. Acusa nesta conferência de imprensa o ministério de estar a tratar os médicos como bolachas. Quer explicar-nos o que quer dizer com esta expressão?
Boa tarde. Efetivamente, terminámos há pouco o Conselho Nacional da FNAM, onde estivemos a analisar e a tomar as nossas decisões democraticamente, relativamente ao rascunho que nos foi entregue ontem, no último dia do protocolo negocial, ao fim de 14 meses de negociações. Foi apenas um rascunho com intenções, onde avaliámos e entendemos que os médicos, na sua esmagadora maioria, não estão a ser valorizados devidamente. Nós queremos que haja a revisão da grelha salarial para todos os médicos, independentemente da sua especialidade, sejam médicos de família, os médicos hospitalares, os de saúde pública, sejam os médicos especialistas ou médicos internos. Os internos são um terço da nossa força de trabalho e têm que ser valorizados também dignamente, não podem ser deixados para trás. E há que perceber que todas estas necessidades que o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças deviam atender, é a única forma de garantir cuidados de saúde de qualidade aos utentes e doentes em Portugal. É preciso também perceber que a valorização do salário deve ser o salário base e não apenas baseado em avaliações de desempenho, em incentivos ou em suplementos. Porque os médicos não trabalham em fábricas, portanto, não estão a produzir bolachas. Não é nesse sentido que foi feita essa afirmação. Portanto, toda a nomenclatura usada, a linguagem usada, de produtividade e de produção, não pode ser aplicada ao trabalho médico, que no dia a dia veem utentes e doentes.
A FNAM tem reuniões marcadas com o ministério já para depois destas duas datas de greve que confirmaram hoje. Espera que ainda antes desse vosso protesto, essa vossa greve, possam ter outras novidades por parte da tutela?
Se houver outras novidades, estamos obviamente recetivos. De qualquer forma, o que a Federação Nacional dos Médicos hoje também decidiu no Conselho Nacional, é que vai entregar uma contraproposta em relação às propostas que nos foram feitas, com toda a seriedade, com toda a transparência e com toda a maturidade. E é nosso objetivo nós aproximarmos posições e chegarmos a uma plataforma de entendimento para bem dos utentes e doentes do Serviço Nacional de Saúde. No entanto, por agora, nós não temos condições para isso e, como tal, mantemos então esta greve em 5 e 6 de julho e não excluímos fazer greve na primeira semana de agosto.
Ou seja, uma greve que poderá, nessa altura, coincidir com a semana da Jornada Mundial da Juventude.
Sim.