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Junta-se a esta emissão agora Paula Santos, líder parlamentar do PCP. Muito boa noite, Paula Santos, e muito obrigada por estar conosco nesta emissão da Rádio Observador. Pergunto-lhe se esta demissão de Maria Lúcia Amaral, na sua opinião e de acordo com as críticas que temos ouvido também por parte do PCP, já peca por tardia ou se, pelo contrário, deixa um problema que não se resolve assim que outro ministro assumir esta pasta.

Muito boa noite. Foi sem surpresa que tomamos conhecimento deste pedido de demissão da ministra da Administração Interna. Eu creio que os desenvolvimentos mais recentes e tudo o que aconteceu é reflexo de facto de tudo isso, porque estamos a falar da parte do governo, que no início desconsiderou totalmente os impactos e as consequências da tempestade Cristina e as sucessivas intempéries que se sucederam, mas aquilo que vimos foi, de facto, uma falta de resposta às populações e face àquilo que estava a acontecer no país. Vimos agora neste momento, já tínhamos visto também quando foram os incêndios no último verão, que são vários momentos que demonstram não só esta falta de resposta, a descoordenação, a desarticulação, a falta de planeamento, mas sobretudo uma opção política que efetivamente não está a responder aos problemas das pessoas. E eu estou a falar dos problemas mais imediatos, porque as medidas que o governo anunciou foram anunciadas tardiamente e são insuficientes para acudir às necessidades das populações. Veja-se, hoje passados cerca de 15 dias, há famílias que ainda não têm eletricidade, há famílias que continuam abandonadas, sem qualquer tipo de apoio por parte do governo. Milhares de famílias no nosso país, a sua habitação ficou danificada e há profundas preocupações sobre a salvaguarda dos postos de trabalho, sobre a necessidade de recuperar o potencial produtivo, sobre a necessidade de assegurar o investimento que é necessário e da recuperação dos equipamentos públicos que foram afetados, assim como das infraestruturas. E, portanto, estamos a falar efetivamente de uma opção política por parte deste governo, que na prática não está a dar a resposta que é necessária, quer no plano imediato, e depois naquilo que diz respeito às questões mais estruturais, aquilo que está a acontecer neste momento é reflexo também dessas opções. Veja-se a privatização de setores estratégicos no nosso país, como é o caso da eletricidade ou como é o caso das telecomunicações, a liberalização, a falta de investimento público, a perda de capacidade da própria administração pública. Aliás, temos ouvido nos últimos dias até várias críticas ao fato do país não ter uma capacidade própria, por exemplo, robusta na gestão da água, só para dar este exemplo em concreto.

O PCP vai, de resto, Paula Santos, apresentar amanhã medidas no Parlamento. Precisamente para apoiar estas pessoas nas zonas mais afetadas.

Exatamente. Não vou antecipar neste momento, mas com o objetivo de dar uma resposta no plano mais imediato às populações, exatamente para ultrapassar muitas das dificuldades que as populações estão a sentir neste momento e que as medidas que o governo anunciou não estão a dar resposta.

Para amanhã está marcado mais um debate quinzenal, era precisamente isso também que estávamos aqui a falar. Que respostas quer ouvir por parte do primeiro-ministro relativamente à demissão de Maria Lúcia Amaral, mas também da gestão que está a ser feita no terreno depois desta calamidade que assolou o país?

Aquilo que se impõe e aquilo que se exige do primeiro-ministro e do governo é as respostas às necessidades das populações. A questão da garantia por inteiro dos salários, a questão da proteção dos postos de trabalho, a questão das habitações que estão danificadas, o investimento que é necessário nos equipamentos públicos, quer sejam equipamentos da administração central, quer sejam equipamentos da administração local, porque os impactos destas tempestades, para além da tempestade Cristina, que teve um impacto no território, mas muito expressivo na região Centro, temos agora no país, um pouco por todo o território, os impactos das tempestades que se sucederam e destes fenómenos meteorológicos, que efetivamente têm afetado bastante diversos concelhos e que exigem essa resposta, quer no que diz respeito ao apoio às populações, quer no que diz respeito à reposição do potencial produtivo e à reparação das infraestruturas e equipamentos no nosso país. O governo tem esta responsabilidade, tem que a assumir. Não pode sacudir esta sua responsabilidade e refugiar-se atrás de anúncios e de propaganda que não estão a responder às populações. É preciso medidas concretas no terreno e naturalmente, são um conjunto de questões e de aspetos que naturalmente estarão presentes na nossa intervenção.