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E à oitava jornada, o Porto mantém o registo perfeito nesta edição do campeonato. Oito jogos, oito vitórias. Enguala um recorde apenas detido por três treinadores e também o recorde da época passada. O Porto à oitava jornada do ano passado acabou por perceber os primeiros dois pontos. Agora, consegue melhorar o registo face a esse ano passado, depois ter sido campeão. Farioli está a passar um grande momento, mas, Felipe, este jogo foi algo difícil para o povo do Porto, que começou a perder por um bola a zero. E tivemos aqui o Marítimo, que sobretudo na primeira parte, foi sendo criativo, sobretudo lá direito do ataque, embora o Porto tenha sido a equipe mais dominante.

Sim, o Marítimo foi um opositor duro para o Porto de Farioli, desde logo porque se adiantou cedo na partida, à passagem do quarto hora, um belo remate do Xala e com culpas para o Dio Costa pela forma como abordou o lance com excesso de confiança. Diria que o Porto já teria alguma obrigação de assumir a partida, obviamente, mas a partir de então ficou ainda com essa responsabilidade mais vincada. E a verdade é que os primeiros 35, 40 minutos do Porto não são nada interessantes. Globalmente pensando, não foi uma exibição muito vistosa dos Dragões, mas sobretudo a primeira parte mostrou uma equipe com muitas dificuldades para meter os médios em jogo. O Fran Holt e o Wang tiveram pouca oportunidade de interferir a nível de meio-campo. O Varela esteve condicionado pela forma como o Marítimo ia orientando as linhas de passe e a saída de bola do Porto através dos centrados, o Bernard e o Kívior, e por isso foi tapando e fechando os caminhos para o Varela. E portanto, o Porto foi procurando sobretudo os médios a entrar num espaço entre central e lateral do Marítimo, mas sem grande sucesso, sem grande eficácia. E diria que só melhorou verdadeiramente na reta final da primeira parte, a partir da dinâmica do William Gomes com o Alberto Costa. O Alberto Costa afirma-se hoje como um dos principais dinamizadores ofensivos do Porto, pelas suas incursões, pelas suas cavalgadas, pela forma como entra na meia-direita para depois receber os passes do William Gomes. E aí, de fato, esta parceria está bastante afinada. Outro fator importante para o Porto ter melhorado na partida foi a sequência que o André Silva foi conseguindo dar aos ataques. Creio que está cada vez mais ligado à equipa, percebe melhor onde surgir, os timings. Depois, por norma, dá boa sequência às jogadas, não necessariamente finalizando, mas conseguindo encontrar companheiros em posições interessantes para concluir. E o Porto melhorou, embora sem criar muito. Chega, apesar tudo, ao gol do empate pelo Vítor Franult, num lance em que o Alberto Costa sobe na direita e depois o lateral do lado contrário, Francisco Moro, que foi uma das novidades para esta partida, surge a cabecear e mais tarde o Franult consegue emendar para 1 x 1, que de certa forma já era justificado ao intervalo.

E o Porto, a verdade é que entrou na segunda parte com muito mais gás, a encostar o Marítimo à sua área. O Marítimo não conseguiu manter o mesmo registo da primeira parte, sobretudo no início da segunda, mas com o decorrer da segunda parte, o jogo foi ficando um pouquinho mais equilibrado, mais distribuído e o Marítimo foi sempre também, de alguma forma, conseguido aproximações à área do Porto, embora tenha sido sempre o Porto a equipa mais perigosa.

Sim, creio que há uma alteração importante para o ascendente do Porto na segunda parte, que foi a entrada do Pablo Rosário para o lugar do Alan Varela. O médio argentino está longe da sua melhor versão e o Pablo Rosário dá outra consistência à zona central do meio-campo. O melhor período do Porto foi ali entre o minuto 59 e o minuto 67, já com o Gabri Veiga também em campo. O Porto teve alguma tendência para procurar os cruzamentos, é certo, mas também foi tendo algum sucesso nessa abordagem. E houve lances de perigo do André Silva, do Fran Holt. Houve um canto também muito perigoso, lance de perigo do Alberto Costa. Portanto, foi uma equipa que carregou mais, aumentou o ritmo na segunda parte, foi uma equipa mais agressiva. Eu creio que também foi sendo capaz de diminuir as chances de o Marítimo nem sair para o ataque. Na primeira parte, o Porto nem sempre acertou, curiosamente, a sua pressão, muito fruto do recuo do Alan, o médio mais defensivo do Marítimo para junto dos centrais. Isso acabou por perturbar um pouco a pressão do Porto. Depois, é certo que, apesar deste ascendente, o Porto continua com extremos que não engatam propriamente desequilíbrios. E o William Gomes ainda para mais sai lesionado. É uma lesão feia, veremos a sua extensão. Entra o Borja Sáenz, que não é um jogador propriamente regular. O Pepê também não estava superinspirado. E eu diria que foi o último golpe de asa do Francisco Farioli a definir o rumo desta partida com a entrada do Piotrowski para os últimos 10 minutos. Aí, sim, o extremo polaco veio agitar o cenário. Traz outro tipo de irreverência, de agressividade. Dá sempre a sensação de que com o Piotrowski em campo vai acontecer algo de diferente na partida, ao contrário do que sucede com os outros extremos do Porto, que são, no fundo, um pouco mais burocratas, não têm de todo o engenho do Piotrowski, que acaba por desbloquear este resultado num excelente gol, uma obra-prima do extremo polaco, depois de um belíssimo passe também do Kívior.

Que é da demarcação, à recepção, à finalização.

É tudo bom.

Tudo bom nesse gol.

É tudo bom.

Merecia um Oscar aqui fazendo isso.

Exato. Merecia um Oscar. Piotrowski.

Exatamente.

Mas sim, é uma excelente sintonia entre o Kívior ao nível de leitura de jogo, depois o movimento de ataque ao espaço.

O Piotrowski falou em aliança polaca ou qualquer coisa, ligação polaca, não é?

Sim, já há um conhecimento cada vez mais profundo. Estiveram juntos na seleção, enfim, vão se conhecendo bem, mas muito bem desenhado aquele ataque portista, já também com o Samu em campo. E é curioso aqui perceber que, pelo menos nesta fase, o Samu já ganhou a dianteira em relação ao Santi Gimenez. Gimenez ainda está um bocadinho aqui fora da água. O André Silva, parece-me que em termos exibicionais, tem crescido. Vinha de uma boa partida à frente ao Benfica, com ligação direta aos gols, e hoje deu sequência a isso, mas de fato, o grande momento definidor da partida acaba por ser a entrada do Óscar Piotrowski.

Para fechar este relatório do jogo, o que foi o pior esta tarde, noite nos Barreiros, neste Marítimo-Porto, com o jogo da oitava jornada, Filipe?

Sim, por um lado, a lesão do William Gomes, uma entorse feia. Veremos qual a sua gravidade, mas é sempre de lamentar. Por outro lado, anormalmente, diria, Diogo Costa, que está ligado ao golo do Marítimo. É um belo pontapé do Xala, é verdade, mas o Diogo Costa tem ali um golpe de vista que acaba por traí-lo, porque estava a contar que a bola saísse e acaba por a bola entrar na baliza. Tem mais dois ou três lances em que facilita ou houve um excesso de confiança do Diogo Costa, que não é propriamente normal. Sabemos que é um habitual esteio do Porto, mas hoje até trouxe alguma intranquilidade à equipa e ao setor defensivo, em particular.

E para fechar, o que foi o melhor esta tarde, noite, final de tarde na Madeira entre Marítimo e Porto?

Não foi um jogo espetacular, não houve uma exibição vistosa do Porto, houve uma exibição competente do Marítimo dentro do plano que Mitchell van der Gaag traçou para esta partida e, portanto, eu vou eleger como melhor a entrada do Pietro Svaziji e a consequência que isso acarretou para o resultado, nomeadamente o golo 2 a 1, a remontada do Porto. É um win of the ball. O Pietro Svaziji, que ainda para mais, teve um início de temporada particularmente difícil, com lesões, com pouco ritmo, vai reaparecendo aos poucos e eu creio que é um jogador que tem um largo futuro à sua frente, mas que já é capaz, no presente, de dar estas pérolas. É um golo absolutamente notável, magistral a execução do extremo polaco e que acaba por ser fundamental para esta oitava vitória do Porto em oito jogos. É a terceira vez que isto acontece na história do Porto, a última das quais com Josualdo Ferreira. Portanto, Ferrarioli, o ano passado tinha tido um hiperarranque, este ano vai por um caminho ainda melhor.

Está feito e entregue o relatório de jogo deste Marítimo 1, Porto 2, oitava jornada do campeonato, oito jogos e oito vitórias para os Dragões. Filipe Coelho, agradeço-te muito. Um grande abraço e bom descanso.

Um abraço, Vicente.