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A Liga dos Bombeiros Portugueses vê sempre com grande preocupação quando existem situações que não são transparentes na administração pública ou nas relações da administração pública com privados. Nós sabemos que o combate aos incêndios florestais, não obstante esta parte, depende uma parte significativa no aluguer de meios aéreos para o apoio aos bombeiros em terra e naturalmente que estas situações acabam por poder perturbar esse apoio ao combate, o que nos deixa preocupados. Todavia, queremos saudar, em particular, a Polícia Judiciária e o Ministério Público, porque estão atentos a todas as situações que possam comprometer aquilo que é a transparência dos contratos públicos. E, por outro lado, preocupa-nos que ao longo dos anos não se tenha conseguido reestruturar de forma diferente este apoio aéreo com meios do próprio Estado, que devem estar disponíveis todo o ano, evitando-se assim a contratação a privados de um elevado número, que naturalmente pode determinar aqui ou além situações menos claras.
Então aquele argumento, que muitas vezes é dado pelo poder, de que ter meios do Estado, meios públicos ao dispor o ano inteiro acabam por ser mais dispendiosos do que alugar estes meios numa dada altura do ano. Portanto, não concorda com essa ideia.
Nós podemos sempre fazer afirmações economicistas e naturalmente que haverá essas e outras. Todavia, tenho algumas dúvidas sobre isso. Era preciso ter estudos comparados para sabermos. O que se aplica a um determinado setor numa determinada área, não quer dizer que se possa generalizar. Nós temos países como a França ou a Espanha ou Itália ou Grécia que têm um elevado número de meios de combate a incêndios florestais o ano inteiro. O que nós dizemos é que a estrutura principal deve estar, e deve estar na mão do Estado, e depois, acessoriamente, pode-se fazer essas contratualizações. Mas, por outro lado, também essas contratualizações devem ser feitas com tempo. Nós andamos sempre a fazer contratualizações em cima do acontecimento. E se nós tivermos uma programação plurianual, fizermos contratos, como nós defendemos, a quatro, cinco anos, e se tivermos essa capacidade de poder gerir com tempo os próprios processos, naturalmente que estas situações poderiam ser eventualmente evitadas.