Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Perante estes dados que conhecemos hoje, de quase 1.400.000 alunos sem professores a uma disciplina, que balanço é que faz deste ano letivo que passou?

O ano letivo foi fortemente ensombrado pelo facto de escassearem cada vez mais professores. É uma situação que está muito localizada em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve, mas ao nível das substituições já começa a alastrar às restantes zonas do país. Por isso é necessário, de facto, valorizar e dignificar a carreira docente. Agora, temos que ser francos, nos próximos anos a situação não vai melhorar, não tende a melhorar. A situação poderá estar atenuada nos próximos três, quatro anos, que é o tempo que dura formar um professor. Até lá, os diretores irão fazer, com a autorização do Ministério da Educação, atribuir horas extraordinárias para fazer face a esta problemática, que é nacional e também é muito mundial.

E que impacto é que isto tem nos professores?

Isto tem impacto, sobretudo, nos alunos, nas suas aprendizagens, embora neste ano, este impacto negativo foi atenuado pela atribuição de horas extraordinárias a muitos professores, mas este não é o caminho. O caminho não pode ser este. O caminho tem que ser atrair os nossos jovens para a profissão mais bela do mundo, que é ensinar, que é ser professor. E isso, o Ministério da Educação tem que tomar medidas. Eu reconheço que o atual Ministério da Educação tomou já 17 medidas, umas melhores que outras. Não tomou uma medida que para mim, que é a 18ª, será essencial, que é dar apoio aos nossos professores que estão a centenas de quilómetros de suas casas, apoio na estadia. Ninguém vai lecionar, por exemplo, do Norte para Lisboa, para o Algarve, com o vencimento de um professor ou sem o apoio para alugar uma casa ou um quarto. Isto é impensável. Eu penso que se esta medida, a 18ª, fosse tomada, era um passo de gigante para que nos próximos tempos a escassez de professores não tivesse os constrangimentos que teve com certeza neste ano e que terá nos próximos anos.

Falou do governo, agora temos um novo governo. Espera que este novo executivo tenha mais medidas para o próximo ano letivo ou que faça com que o próximo ano letivo corra melhor?

É justo dizer que este governo, que ao fim e ao cabo é o anterior governo, não meteu a cabeça debaixo da areia fingindo que a escassez de professores não era um problema e tomou 17 medidas. Isso é positivo. Agora, tem que tomar ainda mais e uma das medidas que eu acho que deve ser tomada é, na verdade, o apoio na estadia dos nossos professores que estão a centenas de quilómetros de casa, porque ninguém vai lecionar do Norte, por exemplo, para o Sul, para Lisboa, para o Algarve, de facto, se não tiver um apoio na estadia para alugar um quarto ou para alugar uma casa. Essa, para mim, era a grande medida. Ao mesmo tempo, tem que se continuar a valorizar e dignificar a carreira docente para contar com os professores que atualmente estão no sistema. Nós temos nas escolas públicas professores de excelência, muito habilitados, muito experientes e também não os podemos perder. E nesse sentido, é necessário também medidas que valorizem e que dignifiquem a carreira docente, como, por exemplo, alterar a avaliação de desempenho dos professores, aumentar os vencimentos dos professores, que são vencimentos fracos, baixos, tendo em conta a enorme responsabilidade que os professores têm, diminuir a carga burocrática, que nas escolas é imensa. Ou seja, há aqui uma série de trabalho que o Ministério da Educação tem que fazer para atrair os nossos jovens para esta carreira e também para valorizar e dignificar a carreira, sobretudo para aqueles que já cá estão há muitos anos.

Também saíram dados de que houve menos docentes não colocados este ano. Isto ajuda de alguma forma a solucionar o problema ou ainda não é suficiente?

Teremos que ver. Nós sabemos que a profissão docente é uma profissão muito desgastante e não admira que muitos professores neste momento e a seguir, no arranque do ano letivo, tenham que recorrer necessariamente à baixa médica. E isso poderá, de acordo com o número de professores que recorrem à baixa médica, não ser suficiente o número de professores contratados que não entraram no sistema. Estou em crer que, na verdade, nos próximos anos, vamos ainda beneficiar negativamente do constrangimento que é a escassez de professores. Ou seja, podemos ter ainda, durante alguns períodos de tempo, em algumas disciplinas, em certas escolas, alunos sem as aulas a que têm direito.