Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Como é possível que uma turbina de um aparelho deste tamanho seja tão sensível à colisão com um simples pássaro?

Bom dia. Temos mais uma tragédia, a segunda no curto espaço de alguns dias, o que é de lamentar fortemente. Eu queria começar por aí pensando nas famílias das vítimas, passageiros e tripulantes, que é aquilo que mais importa neste momento. Em relação aos pássaros, eu agora não vou especular, isso é pura especulação, poderá ou não estar relacionado com o acidente. Os factos que temos agora são os seguintes: o avião aterrou sem o trem de aterragem. Isso torna, desde logo, a aterragem muito difícil, porque a maior parte da desaceleração é feita com travões, com os pneus, com as rodas. Não tendo isso, o avião vai a deslizar. No entanto, numa pista grande, e era o caso, esta pista tem 2800 m, comprimento mais do que adequado a este tipo de avião, não foi suficiente. Da minha análise, olhando para as fotografias à distância, isto vale o que vale, eu também não consigo ver flaps estendidos. Flaps são aquelas superfícies que aumentam a área da asa e que permitem ao avião voar mais devagar, portanto, aterrar mais devagar e, uma vez no solo, contribuir também, por via aerodinâmica, para a desaceleração. Não vejo, eles poderão lá estar. E numa circunstância destas, com perda de trem de aterragem, seria full flaps, que são a maior quantidade possível de flaps. Mas, repito, não estão lá. A meteorologia não é um fator, o tempo estava ótimo.

E há algum tipo de explicação, José Correia Guedes, para a ausência das flaps?

Não, uma vez mais, não vou especular, até porque não tenho a certeza que eles não estão lá. Não parecem. Nas fotografias à distância, ou ao menos as que chegam muito desfocadas, não parecem estar lá, mas não posso garantir. E nesta fase, não vou especular.

Ia referir-se, então, à meteorologia.

A meteorologia estava perfeita, bom tempo, que aliás, se vê nas imagens. Não havia vento, vento muito fraco. O avião foi, de facto, avisado para a presença de um bando de pássaros na aproximação à pista e ele decidiu dar uma volta, e pontualmente muito bem, e aterrar em sentido contrário. Na mesma pista, mas em sentido contrário para evitar o bando de pássaros. Não sei o que é que aconteceu a seguir. Outro facto, olhando para os vídeos, que são terríveis, não vejo bombeiros alinhados ao longo da pista. Quando há uma avaria, seja ela qual for, neste caso uma avaria muito grave-

E com uma emergência declarada, segundo as autoridades da Coreia do Sul.

É obrigatório os bombeiros alinharem ao longo da pista e prepararem-se para o pior. Eu não consigo vê-los nas imagens de vídeo. Portanto, pergunto-me se eles terão sido avisados a tempo. Até porque, eu já lá vou chegar. Este é um dos factos que eu constato. Outro facto que eu constato é terem feito um muro de betão nas proximidades da pista. Eu acho que isto era uma coisa que não lembrava a ninguém. Enquanto piloto, eu fui piloto, já não sou piloto, mas enquanto fui piloto, durante quase 40 anos, a última coisa que eu queria ver no fim de uma pista era um muro de betão. Aquilo não devia estar lá. Entretanto, eu estive a analisar os dados ADSB. O que é isto, ADSB: é um sistema que permanentemente envia dados, velocidades, altitudes, velocidade vertical, rumos, tudo e mais alguma coisa, que envia via satélite para várias unidades no solo, para controle de tráfego aéreo, para aqueles sites que nós conhecemos, que seguem os aviões. E da análise desses dados, tudo me parece bem, até poucos minutos antes da aterragem. Depois, já muito perto do solo, esses dados deixam de ser emitidos. Não sei o que terá acontecido. Se já estaria fora do alcance do satélite, não sei, não faço a mínima ideia. Mas até instantes antes da aterragem, tudo parece normal. Depois é que as coisas se complicam, o avião vem com grande velocidade para a pista e não consegue desacelerar.