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Calor vai-se sentir nos próximos dias, concretamente no fim de semana de Páscoa, o que convida muitos portugueses a deslocarem-se até várias praias na costa e também no Algarve. Por isso, há maior precaução por parte das autoridades, concretamente dos nadadores salvadores. Comigo ao telefone tenho Alexandre Tadeia, da Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, a propósito de uma iniciativa que arranca já nesta sexta-feira, prolonga-se até dia 12 de abril e que tem em conta esse mesmo aumento do calor e possível romagem de vários banhistas até às praias nacionais. Alexandre Tadeia, a iniciativa chama-se Projeto Seawatch. Consiste no quê?
Esse é um programa que a Autoridade Marítima tem e que visa reforçar o patrulhamento de algumas praias. A realidade é que a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores fez um alerta público para um período crítico que vamos viver nestas duas semanas, que segundo os dados do Observatório do Afogamento, já tem vindo a registar desde há pelo menos quatro anos, onde nestas duas semanas normalmente estamos muito acima daquilo que é a média quinzenal de afogamento, que é cinco mortes, a nossa média portuguesa, e nestas duas semanas normalmente temos o dobro e muitas vezes até quatro ou cinco vezes mais do que isso. Portanto, foi fundamental alertarmos a população em geral que nestas duas semanas isto é um elevado perigo, porque há muita gente a ir à praia, porque há boas condições, as praias não têm vigilância, as condições do mar também ainda não são o melhor, mas não só no litoral, também é preciso alertar para o interior, porque neste momento já foram registadas esta semana duas mortes por afogamento em Portugal de jovens, um numa praia marítima e um numa zona do interior, numa barragem. Portanto, há que alertar que os perigos tanto estão no mar como também no interior do país e há que perceber que neste momento não há nadadores salvadores nas praias. A nossa considerada época balnear apenas é mais para o verão. O nosso sistema está feito para prevenir o afogamento, está criado para prevenir o afogamento nesse período e neste momento não há. O que temos são alguns locais do país que, e muito bem, têm nadadores salvadores todo o ano. Um bom exemplo de Póvoa de Varzim, Nazaré, Carcavelos, Fonte da Telha, toda a zona também Costa da Caparica e Fonte da Telha, a zona de Albufeira, com muito bom exemplo das Câmaras Municipais a terem nadadores salvadores. A Autoridade Marítima veio também agora reforçar um bocadinho com mais seis viaturas também, mas obviamente que tudo isto é manifestamente pouco, porque o que deveríamos ter era efetivamente todas as praias portuguesas marítimas e também as do interior que têm frequência nesta altura, deveriam ter nadadores salvadores em vigilância. Deveríamos avançar.
Pergunto-lhe desde já quais são as praias que vão estar integradas neste projeto Seawatch. Há pouco falou que não só as praias da costa litoral, acima de tudo também as praias fluviais no interior norte e centro certamente irão receber alguns banhistas nos próximos dias. Pergunto-lhe as razões para as quais tanto as praias como os rios ainda não estão em condições ideais para que os banhistas entrem na água.
Primeiro, porque não são vigiadas e não sendo vigiadas, essa é a regra de ouro da prevenção do afogamento. Portugal tem muito que evoluir ainda em termos de prevenção do afogamento, pois a nossa estatística de afogamento é muito alta comparativamente aos outros países europeus. Estamos ao nível dos países de leste e, portanto, primeiro porque as praias não são ainda vigiadas. Depois também porque o próprio sistema político neste momento faz com que o nosso sistema de vigilância seja um sistema redutor apenas no verão. Depois percebemos também que neste momento ainda temos condições de correntes de ondulação de vento que fazem com que não sejam ainda boas as condições para podermos ir ao banho. Por outro lado, também temos neste momento uma costa totalmente alterada devido àquilo que foram as tempestades de inverno e que modificam toda a dinâmica. Hoje em dia as nossas praias portuguesas estão completamente diferentes do que foram no ano passado, com correntes que são muito difíceis de detetar. Depois também há aqui um problema grave. É que a grande maioria dos portugueses não tem conhecimento, porque efetivamente esta temática não é ensinada nas escolas como deveria ser e, portanto, não conseguem olhar para a água e perceber os perigos e analisar o risco. Tudo isto faz com que, aliado a bom tempo e a férias, com que nós neste momento tenhamos as condições favoráveis para termos muito afogamento em Portugal e, portanto, há que alertar claramente toda a gente. Estamos num período extremamente crítico.
Já agora, quais são as praias integradas neste projeto?
O Projeto Seawatch é um projeto da Autoridade Marítima Nacional. Sinceramente, nós desconhecemos quais são os locais onde vão colocar essas seis viaturas. Os locais que nós sabemos que neste momento as associações de nadadores salvadores já têm projetos de ano inteiro são na Póvoa de Varzim, na Nazaré, na zona de Carcavelos, na zona da Costa da Caparica e na zona de Albufeira. Estas zonas têm associações de nadadores salvadores. O resto vão ter, de facto, algumas viaturas da Autoridade Marítima Nacional, mas nós desconhecemos quais os locais onde estas vão ser colocadas.
Então pergunto-lhe para terminar de uma forma muito sintética, quais são os principais conselhos que têm a dar aos banhistas, aos mais quase como atrevidos, para já fazerem estes primeiros dias de praia do ano?
Primeiro lembrar que se um local não é vigiado, não é seguro. Esta é talvez a regra mais básica. Se, no entanto, resolverem ir à água, tenham o máximo de cautela, pois toda a dinâmica da água neste momento está diferente e está com muito mais força do que tem no verão. Portanto, tenha extremo cuidado, principalmente com jovens, com crianças, porque de facto não é seguro ir à água neste momento. E este é o maior conselho que nós podemos dar a toda a população portuguesa.
Mais uma vez, Alexandre Tadeia, muito obrigado por esta entrevista. É um projeto que arranca já nesta sexta-feira, prolonga-se até dia 12 de abril. Projeto Seawatch a ter em conta não só o aumento das temperaturas, mas acima de tudo a romaria de vários banhistas portugueses até às praias não só de mar, mas também de rio por este país. Mais uma vez, muito obrigado.