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Isto foi uma noite normal, como outras. Estão dois clientes que estão no Mome e este grupo de quatro agentes da PSP se dirigiu como um cliente normal. E que no final da noite, perto das 6 h da manhã, a hora que o Mome encerra, depara na via pública com dois grupos envolvidos em agressões um com o outro, que eles se dirigem para tentar separar. E o que nós entendemos, e percebemos, estes testemunhos que estavam perto e verificaram, é que um dos grupos que ele entendeu como reforço do outro, envolveu-se tudo numa pancadaria que deu numa agressão bruta a um destes elementos da PSP, que ficou no chão e que foi violentamente espancado. Não houve qualquer intervenção de qualquer segurança da nossa casa e nem de outras, porque não houve relatos, quem esteve no local e que testemunhou com a judiciária, que havia outras pessoas envolvidas. E também nas imagens de videovigilância não se vê nenhum segurança envolvido, da nossa casa não, de todo, isso é que nós podemos garantir, nem de outras. Isto foi entre os dois grupos que acabou por se juntar a este desacato. Estes agentes que foram lá para tentar separar e tentar atenuar aquela pancadaria que estava a existir entre os dois grupos, que acabou nesta fatalidade de este agente ter caído e terem-no espancado violentamente até ficar num estado bastante crítico. Isto passou-se totalmente na via pública, não teve qualquer indício ou início no interior da discoteca. Não temos nenhuma referência, nem relato, nem houve ninguém, nem da parte da polícia, dos outros colegas, que ficaram também com alguns ferimentos, mas que estavam em condições para poder dizer o que se passou. Não foi nada, foi tudo o que se passou no exterior e nós estamos a colaborar com as autoridades para tentar o máximo possível daquilo que são as imagens do nosso videovigilância e aquilo que foi o testemunho de alguns clientes que se prontificaram e que testemunharam e estiveram muito perto daquilo que se passou e que ficaram até às tantas desta manhã para colaborar com as autoridades e dar os inputs necessários para que esses responsáveis sejam rapidamente detidos e responsabilizados por estes atos bárbaros.

O que acha que é necessário acontecer para resolver estas situações? O que é preciso fazer para acabar com este tipo de conflitos?

Esta pergunta é pertinente e ainda bem que a faz, porque repare, já há muito tempo, nós, que temos casas nesta área de negócios, temos vindo a alertar que estas zonas juntam muitas pessoas. Nesta zona são cerca de quatro casas, que às 6 h da manhã, quando soa o encerramento, estamos a falar de muita gente a sair. Há pessoas que se cruzam de todas estas casas. É óbvio que no final da noite as pessoas estão alcoolizadas e a probabilidade de haver confrontos é muito alta. Agora, o que realmente podia evitar isto era a presença policial e que não se vê e que temos vindo a alertar as entidades competentes para que olhem para este problema de uma forma séria, porque nós achamos que há aqui dois momentos da noite que são bastante complicados, um entre as 23h e as 2h, na zona de Santos, que junta muitos jovens e também na Rua Cais do Sodré, naqueles sítios onde nós sabemos que estão milhares de jovens, e pessoas, não são só jovens, e que a probabilidade de acontecer qualquer coisa é muita, porque estão a beber álcool, estão a se divertir, um se mete com a namorada do outro. E às vezes é muito fácil disputar ali qualquer situação desta natureza. E a presença das autoridades, a presença da polícia não se vê. É uma coisa que nós temos vindo a chamar ou é muito pouco ou zero, mesmo. Eu diria mesmo zero nesta zona, onde nós temos o Mome, estão outras discotecas aqui à volta. Não se vê polícia. Isso é um dos fatores, que obviamente as pessoas sentem-se à vontade e realmente, quando isto é disputado numa situação como esta, não há ninguém para ir acudir e travar. Agora, eu acredito, e tenho outros exemplos no Algarve, tenho outras discotecas no Algarve, que muitas vezes falava em reuniões com o subcomandante e que nós preveníamos no início de cada verão que a partir das 4h30 da manhã estaria estacionado junto às saídas uma carrinho de um contingente de uma brigada, mas aquela presença física evitava logo que aqueles que começassem a ter problemas, olhavam para a presença da polícia e acabavam por não desenvolver esses desacatos. Eu acho que é o que se passa em Lisboa, temos que começar a olhar para isso com olhos de ver. E isto que se passou ontem, no fundo, passou-se em frente ao Mome, podia-se ter passado em frente ao Cais do Sodré, podia-se ter passado junto à estação, porque esta zona, no fundo, leva muita gente e quando saem não querem pegar nos carros por causa da fiscalização, que existe mais à frente, e de facto ficam muitas horas ali uns com os outros, com algum álcool em cima, é uma mistura que é propícia a desacatos. E isto é uma realidade. Porque hoje em dia os indícios dentro das discotecas são muito poucos, os relatos que vocês têm visto são muito poucos. Portanto, eu acho que o problema está mesmo na saída. E de facto, nestas zonas precisam ter a presença da polícia.

Portanto, uma ronda policial nas horas de fecho.

É importantíssimo. Se há nas concentrações de futebol, nos festivais, em sítios que consideram de risco, isto é evidente que é uma zona de risco, as pessoas saem alcoolizadas, há um aglomerado de muitas pessoas, e a probabilidade de disputar situações como esta é muita, é grande. Eu acho que tem que se olhar para isto e tem que se começar a pensar em realmente uma presença física fortemente nestas zonas, de polícia, para que não haja este tipo de situações. Eu tinha certeza que teria sido evitado o que se passou ontem.