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O Sindicato Independente dos Médicos reúne-se hoje com o Ministério da Saúde. Nuno Rodrigues, esperas chegar a um acordo?
Dependerá sempre da proposta final do Ministério da Saúde. Neste momento ainda havia algumas diferenças relativamente à categoria intermédia da carreira médica e esperamos que hoje o governo dê boa resposta às solicitações do SIM. Relativamente às restantes categorias, já temos um princípio de acordo, mas o acordo será sempre um acordo global, não será só relativamente às verbas salariais, mas também relativamente às condições de trabalho, nomeadamente flexibilidade de horários, algumas melhorias na proteção na parentalidade, nomeadamente para as trabalhadoras grávidas, e por isso o acordo será sempre global, incluindo também ainda a avaliação de desempenho, em que 70% dos médicos nunca foram avaliados e 50% dos médicos estão na primeira categoria da carreira. Nós temos de garantir que há uma mudança. E se o governo quer dar realmente um sinal positivo e quer dizer que conta com os médicos, garantidamente terá de fazer uma proposta melhorada e assinar com o sindicato que está a negociar com o governo, que é o Sindicato Independente dos Médicos. Neste caso, uma vez que o acordo é global, o SIM já fez a cedência de poder não ser 15%. Ou seja, havendo melhorias, e recordo que o acordo de 15% alcançado o ano passado, foi só relativamente à área salarial. As outras duas matérias, tanto as condições de trabalho como a avaliação de desempenho, em nada sofreram alterações. E tendo isso em conta, havendo alterações nestes dois temas que sejam relevantes, o Sindicato Independente dos Médicos também já fez um esforço de aproximação com a proposta do governo, mas ainda não foi possível o acordo.
E olhando para o estado das urgências nos hospitais, o que é que está a falhar? O que é que se pode fazer para resolver esta situação, ainda por cima numa altura em que estamos no pico do inverno?
Neste caso, o que nós temos dito é que nós precisamos de equipas completas. E como é que se consegue equipas completas? Com o número suficiente de médicos. Ora, se as condições de trabalho, nomeadamente tanto os salários, forem muito inferiores ao setor privado, como as condições de trabalho, com a obrigação de fazer praticamente 300 horas extra por ano, obviamente que as pessoas pensam duas vezes antes de assinar pelo SNS. E por isso é isso que nós temos de mudar. São essas condições estruturais. E daí o nosso apelo ao governo de que é preciso dar um fortíssimo sinal de que isto vai mudar, que não vão ser necessárias 200, 300, 400 horas de trabalho extraordinário, que as equipas vão estar completas. Os médicos não querem trabalhar sozinhos. Os médicos trabalham sempre em equipa, lideram as equipas multidisciplinares, têm uma tremenda responsabilidade no que fazem e por isso não querem nunca deixar os seus utentes em condições em que não esteja a ser feita a melhor prática da medicina. Nós cremos que este problema só se resolverá quando houver uma estabilidade nos quadros médicos e para isso é preciso o governo dar boas condições para manter os médicos no SNS.