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O que é que distingue a edição deste ano das anteriores? O festival tem-se reinventado a cada edição?

Sim, sem dúvida. Eu acho que todos os anos temos conseguido renovar a programação, sempre com conteúdos novos a apresentar, até porque o mercado de BD nacional está vivo e recomenda-se e, portanto, há vários novos autores a surgirem todos os anos e novas edições também, por conseguinte. Portanto, temos tido sempre a oportunidade de apresentar conteúdos novos ao visitante.

Há aqui a criação de um novo espaço, o Artist Alley. O que é que nos pode dizer sobre isto?

Vamos ter esta ala dedicada aos artistas independentes pela primeira vez. Será uma zona inserida na nossa arena gaming. O objetivo, de facto, é dar visibilidade a estes novos autores e dar-lhes um espaço gratuitamente para poderem vender as suas autoedições, os seus livros de artista, o seu merchandising e demais produtos autorais que os representam e, obviamente, dar-lhes a visibilidade que almejamos que estes novos artistas possam conquistar também com o evento, porque o evento também tem esse papel de lançar e projetar os novos talentos na banda desenhada nacional.

E quantas pessoas é que esperam receber nesta edição e como é que pretendem atrair pessoas que não estão necessariamente familiarizadas com a banda desenhada?

Estamos à espera de pelo menos manter os números que temos conseguido nos anos anteriores, cerca de 20 mil visitantes, e obviamente que aspiramos a continuar a crescer e a continuar a progredir enquanto evento. Achamos que o leque de conteúdos que vamos apresentar é bastante diversificado, é para toda a família e para todas as gerações de leitores e, como tal, acho que a experiência Amadora BD é uma experiência extremamente rica em conteúdo, em atividades, em dinâmicas e, portanto, acho que é uma oportunidade única de anualmente contactar com o que melhor se faz na banda desenhada, tanto nacional como internacional.

E quais são hoje os maiores desafios para manter um festival com 37 edições?

Eu acho que o grande desafio é conseguir todos os anos inovar um pouco. E conseguir trazer novidade, conseguir trazer transformação, conseguir trazer criatividade, sempre com qualidade, sempre com uma curadoria própria, pensada e coerente, e que de alguma maneira espelha aquilo que é a BD contemporânea. Portanto, para nós, o fundamental, de facto, ao longo de todos estes anos de experiência, enquanto encontro anual da banda desenhada em Portugal, é não só receber e acolher a comunidade bedéfila, mas saber e conseguir atrair novos públicos, nomeadamente novos leitores, pessoas que habitualmente não leem banda desenhada e que, devido ao Amadora BD, começaram a introduzir a banda desenhada nas suas vidas. Portanto, acho que esse é, de facto, o grande objetivo que temos anualmente, e acho que o festival tem conseguido fazê-lo também com a aposta que tem feito nos conteúdos que apresenta e na forma como os apresenta.

E aqui por último, queria também mencionar uma novidade deste ano relativamente aos prémios, há um reforço monetário. Que impacto é que espera que esse reforço tenha na produção nacional de banda desenhada?

Nós esperamos que, de facto, este investimento extra que iniciámos este ano, seja um incentivo não só para os autores e para impulsionar as suas carreiras, estimular a criação, estimular a produção, mas também para os editores. No fundo, é sublinhar aos editores portugueses que há autores que merecem o seu lugar, que merecem, sobretudo, ver as suas obras lançadas, ver as suas obras a serem lidas por mais leitores. E, portanto, esperamos que este reforço financeiro que foi feito, tanto na melhor edição portuguesa, com a compra de 100 exemplares à editora vencedora, como no Prémio Relação, com os € 3.000 de investimento no vencedor nesta categoria e os € 10.000 na melhor obra nacional. Esperamos, de facto, estimular a produção de banda desenhada e estimular autores e editores a produzir mais BD.