Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Neste jornal temos conosco, em direto, o Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos. Muito bom dia.
Bom dia.
O que já se sabe daquilo que se passa em Leiria?
Olha, aquilo que se passa em Leiria é uma situação extremamente preocupante. Ela também é preocupante em muitos outros hospitais do país, mas esta, neste momento, particularmente do nosso ponto de vista, grave, porque não é só a urgência de ginecologia e obstetrícia que vai fechar até dia 19. Não são só as situações urgentes, mas são, a partir do dia 5 de agosto, todas as situações emergentes. Portanto, tudo o que for da área da emergência obstétrica e ginecológica não vai ter nenhum atendimento no hospital de Leiria. Não são só os bombeiros que têm que ter conhecimento desta situação, não são só os outros hospitais da região que têm que ter conhecimento. São fundamentalmente os utentes e as mulheres, que têm que saber que não vão poder dirigir-se a esse hospital, mesmo em situações de emergência na área da ginecologia e da obstetrícia.
E como é que isto acontece? É óbvio que estamos no período de agosto, estamos num período de muitas férias, aponta-se para problemas nas escalas, novamente este problema, mas é um problema que começa hoje. Como é que isto acontece, sabendo no próprio dia e não havendo qualquer antecipação deste problema?
Sim, houve antecipação do problema. O serviço já tinha alertado. A própria Ordem dos Médicos teve uma intervenção nesta matéria no sentido de ajudar a encontrar soluções alternativas. Por exemplo, neste momento, tudo o que é atividade programada está a ser feita no Porto, no Centro Materno-Infantil do Porto, do Centro Hospitalar de Santo António. Tudo o que é urgência é feita nos hospitais circundantes, e disse bem, Coimbra, mas Coimbra não está propriamente a uma hora de caminho.
Exato.
Coimbra está a uma hora de caminho a partir de Leiria, a partir do Hospital de Leiria, mas os pontos mais extremos do distrito, da área de influência-
Por exemplo, Bombarral?
Da ULS, exatamente, demorarão muito mais tempo, já para não somar aqui o tempo, muitas vezes, que tem que se esperar para ter uma ambulância disponível. Portanto, nós podemos estar aqui perante situações que podem demorar entre uma, duas e três horas para poder uma mulher, uma grávida ou uma mulher com outro problema qualquer nesta área da ginecologia obstetrícia, ser atendida numa urgência mais perto do Hospital de Leiria.
Carlos Cortes, mas isto tem alguma solução para agora? Estamos a falar de um problema que vai durar até 19 de agosto.
É uma situação grave e aquilo que preocupa muito a Ordem dos Médicos é que se nada for feito em termos de reforma profunda do Serviço Nacional de Saúde, estas situações, que cada vez são mais frequentes, vão ser a realidade diária do Serviço Nacional de Saúde.
Mas perguntava se há alguma solução, nesta fase, para este problema, para resolver isto até dia 19.
Soluções imediatas, é muito difícil, precisamente por falta de recursos humanos. O serviço de ginecologia obstetrícia do Hospital de Leiria é um serviço que tem perdido muitos especialistas nesta área. São muito poucos neste momento e o número de especialistas que nós temos, que fazem, por exemplo, urgência noturna, são cerca de cinco ou seis. Portanto, incapazes de assegurar uma escala adequada com dois ou três médicos especialistas durante estes períodos, que são sempre os períodos mais difíceis do ano, em que as pessoas naturalmente têm férias. Não obstante, estes médicos estarem ao serviço, mas é para eles impossível assegurarem todas as valências da ginecologia obstetrícia, imediatamente da urgência e da emergência.
Carlos Cortes, há mais algum hospital, há mais alguma situação semelhante a esta em que podemos esperar constrangimentos durante este mês, durante este período de verão, durante as próximas semanas?
A Ordem dos Médicos está a analisar de norte a sul do país todas as situações, mas esta é, de facto, aquela que nos parece mais preocupante.
Muito bem. Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, muito obrigado por ter estado conosco neste jornal do meio-dia.
Obrigado.
Problemas em Leiria até 19 de agosto. Serviço de urgência obstetrícia e também o bloco de partos estão encerrados. Para além disso, há constrangimentos nas urgências pediátricas